8.2.07

Danco eu dança você

Eu tinha 16 anos quando ele me disse: eu gosto de você, mas acho que agora quero ficar sozinho. Ficar sozinho não significava viver em um chalé na montanha com vários livros, estava mais para festas e boites da moda com milhares de garotas que esmagavam as mãos das amigas quando ele virava de costas e piscava para os cúmplices. Quem ficou sozinha fui eu. Não em um chalé na montanha com livros, mas na minha cama com lenços de papel e música pop no fundo. A pior lembrança é a das músicas.

Talvez tenha começado antes. Eu tinha 15 anos quando disse para ele que não queria namorar. Eu detestava o cara, eca! E, como estava desprezando um garoto lindo e apaixonado por mim que carregava uma caixa de bombons, Santo Antônio resolveu me castigar. Desde então, de tempos em tempos, alguém abaixa a cabeça e me diz com tom de sofrimento - eu gosto de você, mas acho que agora quero ficar sozinho. Às vezes ainda nem está na hora do querer ficar sozinho, mas quando o cara diz o “gosto de você”, eu já pego a bolsa e saio de cena para poupar tempo.

Ah, se eu tivesse comido aquela caixa de bombom e guardado os papeizinhos na agenda... Hoje minha vida seria outra! Eu não seria essa pessoa independente, descolada, segura de si, freqüentadora do melhor cabeleireiro, dona do armário mais invejado da cidade e cheia de amigos gatos e que acha que mulheres que esperam o homem perfeito que faz suas pernas tremerem e te dá muita segurança são loucas.

Eu seria uma daquelas mulheres que julgo que nunca vão saber. Andaria com os braços do meu marido ao redor dos meus ombros, acharia que boites são muito barulhentas e que bebida é vinho no jantar na casa da serra. Faria hidroginástica e bolos de laranja, nunca dirigiria à noite nem compraria lingerie na Verve. Eu morreria de inveja das minhas amigas descoladas, independentes, seguras de si e cheias de amigos gatos. Eu acharia que mulheres que esperam o homem perfeito que faz suas pernas tremerem e te dá muita segurança são loucas.

6.2.07

A girl in a bar e os rescuer-guys

Sentei na frente da TV às 21h55 para esperar o episódio começar. Não tenho a menor idéia da última vez em que fiz isso, e não porque eu não amasse Grey´s Anatomy ou Lost até ontem, mas porque não lembro como era a vida sem um DVR ou Limewire e etc. Esperar a hora da série começar? Esperar pelos intervalos? Esperar o canal decidir quando estréia? Eu fiz isso. E precisava escrever sobre isso hoje, mas não sabia o que nem o porquê já que esse blog não é meu querido diário.

Por que Grey´s Anatomy ganha todos os prêmios e honras? Procurando a frase, a cena, o sentimento que explicasse o que me fez esperar meses pela nova temporada, vi que nada isolado fazia muito sentido, não foi um episódio de tirar o fôlego. Entrei no blog da Shonda Rhimes. Sim, eu leio o blog da criadora da série, freak. E lembrei de quando Meredith e McDreamy se conheceram no bar numa noite qualquer sem nem imaginar o que estaria por vir.

- Você não pode me ignorar, precisa me conhecer para me amar.
- So if I know you, I’ll love you?


É isso.
Ontem falaram sobre tempo, estar preso em um momento, querer voltar atrás, ver que podemos ter demorado demais, pensar se ainda dá tempo. E sobre o mérito de dizer eu te amo. São coisas de todo o dia. Não que todo o dia tenhamos que decidir entre quem nos faz bem e quem nos faz mal, que seguir adiante, pagar um preço, encarar... ou sim, vivemos isso todos os dias e sofremos em maior ou menor escala e ninguém é muito original, seja isso bom ou ruim.

Mas não é todo dia que o Chris O´Donnel joga na nossa cara que o Mc Dreamy que faz nossas pernas balançarem não é uma coisa boa como ele é, nem é todo dia que aparecem pessoas-resgate-Chapolin-Colorado assim. “You know, rescuer-guys, right? They’re the ones who are determined to break through the scary/damaged barrier we dark and twisty girls put up. São a coisa real, homens-resgate são os caras com quem casamos. Os caras com quem deveríamos casar. Mas aí existem os McDreamys do mundo…”

Aí eu parei de ler. Que besteira adolescente, ler blogs, quem é Shonda? Humpf...

1.2.07

Ma che?!

Apóie a guerra do Iraque, seja internacionalmente conhecido como corrupto, lidere um partido de extrema-direita mas nunca, sob hipótese alguma, dê em cima de outra mulher. E quando me magoar, peça desculpas.

Ele foi primeiro ministro da Itália e é a 37ª pessoa mais rica do mundo. Ela? Uma atriz de filmes B. Enquanto ele é sensacionalista e polêmico, ela é low profile, nunca sai de casa e um dia, linda e loira com os 3 filhos, viu na imprensa o marido em uma premiação falando para uma convidada: "Se eu não fosse casado, casaria com você imediatamente. Com você iria a qualquer lugar".

Verônica ficou muito brava com a gracinha, mas ele não se desculpou. Então ela pensou que já estava há tempo demais “sendo obrigada a superar com respeito e discrição os inevitáveis altos e baixos que uma relação conjugal traz”. Dessa vez sua dignidade estava em jogo e ela decidiu ensinar aos filhos a maneira certa de se tratar uma mulher, então escreveu uma carta para o marido exigindo desculpas. Quem já não escreveu linhas e linhas de desabafo? A diferença entre essa carta e as nossas é que ela publicou na capa de um dos principais jornais do país, que inclusive faz oposição a Berlusconi, seu amado esposo.

Assassinato? Divórcio? Internação? Nananinanão. Ele, através do seu partido, que inclusive ela não apóia, divulgou uma resposta. "Perdoe-me, imploro-te. E tome esta minha resposta à sua fúria como um ato de amor. Um de muitos. Sua dignidade é um tesouro para o meu coração, mesmo quando faço piadas irresponsáveis".

Desconfio de que há 27 anos ele deixe a toalha molhada em cima da cama, ou não abaixe a tampa do vaso, ou nunca repare que ela mudou o cabelo, e que essa cantada pública possa ter sido somente a gota d´água. Se não foi isso, só pode ter uma outra explicação:

( ) As empresas de mídia, entretenimento e os bancos dele estão no nome dela
( ) Ela é o verdadeiro cérebro do casal
( ) Quem tem ligação com a Máfia é ela e não ele
( ) Por trás de um grande homem há sempre uma mulher com um chicote na mão
( ) Ela tem um dossiê que prova que ele faz xixi na cama
( ) A macumba da nega é boa
( ) Nenhuma das Respostas Anteriores (mas quero ser Verônica quando crescer)

31.1.07

Colombina, onde vai você?


"Vou lhe contar um segredo: ainda não decidi se um dia esbarramos em alguém e pronto, nos apaixonamos mesmo contra a nossa vontade, ou se podemos viver esbarrando com gente por aí, mas se não abrirmos os olhos – e o coração – não vemos nossos amores em potencial nunca. (...)

E de repente... é Carnaval. Teoricamente são quatro dias, mas se alma não é pequena são muitos mais e, como bom saltimbanco que agora sou, é duro ficar na sua quando à luz da lua há tantos blocos pela rua".

Eu vou dançar o iê-iê-iê! Aprenda a coreografia em Tribuneiros.com


*Pablo Picasso

29.1.07

O santo nome em vão

Eu quero patentear meu nome. Não me interessa se pode, não me interessam os trâmites burocráticos, está havendo uma banalização de Brunas e preciso me defender. É como domínio de internet, obviamente a Madonna ganharia a causa se algum malandrinho registrasse o endereço madonna.com antes dela. Eu já era Bruna antes dessa festa do caqui começar, a única que existia era a Lombardi e não denegria a imagem. Mesmo assim eu não gostava da piadinha que sempre vinha depois da pergunta pelo meu nome - "ah, Bruna Lombardi?" É, palhaço, não reparou no Ricelli aqui do lado? O fato é que essa tudo bem, um dia foi embora para LA e hoje ninguém mais sabe dela.

Vivi com paz e exclusividade até que uma Bruna Surfistinha começou a aparecer. Prostituta é demais! A mulher nem era Bruna original, e nos bons tempos nome de quenga era Ninon e Rosaly, nunca vi Bruna na Casa da Luz Vermelha. Quando enjoaram da criatura e eu estava só esperando ela partir de vez para o ostracismo, estréia um novo Big Brother. Depois de Jean Willys, Grazielli e Kleber Bambam surge quem? Bruna. Bruna tomando banho, se encachaçando nas festinhas, pegando cowboy, gritando quando vê a família, se derretendo para o Bial, é Bruna 24 horas por dia em rede nacional. Daqui a pouco serão batizadas Brunas por todo o sertão. Se parar na Sexy porque foi rejeitada pela Playboy eu vou confiscar as revistas!

Por enquanto a impostora está quieta, mas se fizer qualquer coisa eu compro uma empresa de telemarketing para fuzilá-la no primeiro paredão.
Enquanto eu monitoro, apreensiva, o desfecho dessa catástrofe bigbrotheriana, leio no jornal: "Musa dos motoboys vence 800 candidatas em concurso paulista". Qual o nome da infeliz? Que dúvida... A mais nova gostosona das duas rodas diz que pode conciliar a rotina das passarelas com a faculdade de medicina. "Já posso chamar Giselle Bundchen de colega e pedir umas dicas", ri. Ri enquanto eu choro! Passarelas com 1,65m?

Pelo menos uma coisa está garantida. Uma rápida busca no Google alerta essa nova massa de pseudo-brunas - "Bruna Demaison, segundo fonte mui próxima, não pode ser contrariada." Há! Obrigada, Tribuneiros.
Bruna sou eu! E quem avisa...

25.1.07

Parece que dizes

Um dia ele passou a mão no meu cabelo. Cruzou o quarto para pegar uma camisa no armário e eu estava no caminho, lendo o jornal. Afundou de leve os dedos nos meus fios e brincou com eles. Tirou a branca do cabide, vestiu sem abotoar e foi tomar café.
Um dia ele encostou a cabeca no meu ombro e suspirou. Perguntei se o filme estava ruim, ele só fez que não com o dedo e sorriu. Reabriu o saco de pipocas e comeu uma atrás da outra.
Um dia ele usou a palavra interface. E riu, entre o orgulho e a piada. Pouco tempo antes eu tinha criticado uma interface e me criticado internamente por abusar dos jargões quando sobrecarregada de trabalho.
Um dia ele fez compras no supermercado. Quando cheguei, vi na geladeira o queijo fresquinho, o suco de laranja e, no meio do estoque de iogurtes, um com novo sabor de maçã. Ele volta e meia comentava que eu sempre comia o de morango e ainda ia enjoar.
Grandes declarações de amor podem ser muito fáceis. Difíceis são as banais, as espontâneas, cotidianas, desinteressadas, as cuja única intenção é nada, só o vício de estar perto.
Um dia ele me olhou.

23.1.07

Alô alô, marciano

As mullheres são de Vênus.

So I try to laugh about it
Cover it all up with lies
I try to laugh about it
Hiding the tears in my eyes
'cause... boys don't cry

Leia Tribuneiros.com para descobrir a cura.

20.1.07

Brad Pitt, peanut butter e cornball things

- Nem um pingo de excitação, um suspiro de emoção, esse relacionamento tem a mesma paixão de um casal de pingüins! Isso me preocupa. Eu quero para você algo que seja arrebatador, que você levite, que cante em êxtase e dance like a dervish*.
- Só isso?
- Que você seja delirantemente feliz! Ou pelo menos esteja disposta a isso.
- “Seja delirantemente feliz”. Ok, vou fazer o possível.

O pai sorri.

- Eu sei que isso é uma coisa ingênua, mas amor deve ter paixão, obsessão, alguém que você não possa viver sem. Se não começar com isso, vai acabar com o quê? Eu digo para você mergulhar de cabeça. Ache alguém que você ame loucamente e que vá amá-la da mesma maneira.

E como achar essa pessoa? Esqueça sua cabeça e ouça seu coração. Eu não ouço seu coração! Corra o risco, se você se machucar depois conserta. Porque a verdade é que não há sentido em viver se não for assim. Andar todo o caminho e não se apaixonar perdidamente? Bem, você não terá vivido de verdade. Você precisa tentar, se não tentar não terá vivido.
- Bravo!
- Deus, você é tão dura.
- Me desculpe. Conte novamente. Mas agora a versão resumida da história.
- Esteja aberta. Quem sabe? Lightning could strike!

Babel, que nada! O filme é Encontro Marcado (Meet Joe Black).
*se alguém puder traduzir...

17.1.07

Guilty pleasures

Sonho de Verão, resto de brigadeiro na panela, Dominó, jeans Diesel, Viva a Noite, Fábio Jr, Orkut, MC Sapão, tapete vermelho e what are you wearing, Meu iáiá meu iôiô, Barrados no Baile, Destiny´s Child, Grey´s Anatomy, pantufas, Julia Roberts, Prada, Jimmy Choo e Manolo Blahnik, Owen, Luke Wilson, Will Ferrel e Vince Vaughn, Mc Lanche Feliz, qualquer shopping therapy, E Entertainment, jacaré na praia...

Isso é Felicity. http://www.youtube.com/watch?v=uHYlMTdW5KQ

16.1.07

Miss Frankenstein

É difícil fazer um Top Ten das bizarrices do mundo porque sempre há algo pior que supera os escolhidos. Hoje eu achei que a maquiagem definitiva estaria na lista.
Aconteceu assim: como tudo na vida, fazer ginástica sem pressa nenhuma também é enriquecedor porque, independente dos seus músculos, seu cérebro trabalha melhor. Você repara em todo mundo, pensa por que aquelas pessoas saudáveis estão às 3 da tarde de uma terça-feira na cadeira adutora, assiste à Oprah e faz bons amigos já que ninguém ali tem nada mais urgente para fazer. Numa dessas, levei um susto com a moça do aparelho ao lado. Além da calça rosa e da regata azul, os cabelos dela eram estranhamente amarelos e encaracolados, presos por uma faixa meio Dancing Days. O corpo nem era muito assustador apesar da quantidade nítida de intervenções cirúrgicas, mas as tatuagens coloridas com nome de pessoas e desenhinhos na pele branquíssima davam um ar meio underground-decadente. Não é uma pele branca Grace Kelly, é uma pele branca de dermatologista ruim.
Depois de alguns dias encontrando com a criatura em modelitos cada vez mais nonsense, reparei que conhecia o que sobrou daquela cara - é uma ex-global! Meu Deus, o que aconteceu com a mulher? A boca dela tem o contorno mais escuro do que os lábios preenchidos com sei-lá-o-quê, os olhos e a testa têm uma textura que não combina com o pescoço e, socorro, a sobrancelha dela, grossa, não tem pêlos! É de lápis de cera, rolha queimada, carvão, um troço assim! Coitada da mulher.
Fui chegando perto porque não consegui me conter, precisava saber se ela fala, respira, alguma coisa a mais. Ela fala, estava contando para o professor que um dia usou o anel Antonio Bernardo para dar um soco na cara de uma pessoa que se aproximou. “Meu psiquiatra diz que eu não posso ser molestada”. Silêncio. “Assim, abordada pelas costas, sabe?” Ahan, três séries de dez.

Coitado do homem. Uma conversa de academia que começa com “meu psiquiatra diz” pode ser mais bizarra do que maquiagem definitiva.

15.1.07

Invencível

Bros, Mario Bros. De volta em Tribuneiros.

13.1.07

Todo se transforma

É tão bom poder de novo deixar o som do John Coltrane invadir a casa. Bom poder passear por Santa Teresa, subir as ladeiras de paralelepípedo para comer moqueca e ir a lugar nenhum de bonde só por ir, a preocupação é se vai chover e não se vai aparecer alguém. É bom ir de novo até a Cadeg e encher a casa de flores, quaisquer flores, e até ter de novo um girassol no parapeito sem doer.

Se soubesse não teria jogado tanta coisa fora. Se soubesse teria chorado menos. Agora até poderia comer waffles no café durante uma semana por não saber calcular a massa, mas comeria. Poderia ter os olhos ardidos até acabar de montar o quebra cabeças, mas montaria. Poderia viajar em fotos antigas com uma nostalgia inofensiva. Se não tivesse chorado tanto talvez hoje eu ainda não soubesse e chorasse escondida.

Acreditei nunca mais ser capaz de ler Drummond, sofrer a cada domingo de Manhattan Connection sem debate à noite e fechar os olhos durante os créditos dos filmes só para não avaliar sozinha a originalidade de cada um. Foi quando esqueci de lembrar dessas miudezas que entendi que poderia encher de novo os pneus da bicicleta.

É tão bom esperar a hora da fornada para ir à padaria. “Tava sumida, dona!”. Estou bem, seu Inácio, e quero um pãozinho só porque agora a parede do banheiro vai voltar a ser pistache. Eu realmente gosto mais do que esse lilás encobridor de sentimentos. Não é uma questão de pão francês nem de cor, é de tempo e vontade, de determinação e de fé, de vida e morte.

Tem alguma coisa na superação que faz ser ruim ver que tudo passa, torna o que era enorme tão pequeno. E aí como se faz? Porque não parecia. Vai ver não era. Vai ver é melhor assim.

Tu beso se hizo calor
Luego el calor, movimiento
Luego gota de sudor que se hizo vapor
Luego viento que en un rincón de la rioja movió el aspa de un molino
mientras se pisaba el vino que bebió tu boca roja
Jorge Drexler

10.1.07

O que é que a vida vai fazer de mim? (ou Cariocas não gostam de dias nublados)

Um bom passatempo para os dias de chuva é ler cuidadosamente os jornais que me chegam junto com o pãozinho fresco no café. "Zoológico australiano coloca pessoas em jaulas para criar conscientização sobre o aprisionamento de primatas". Bom... "Casal líder da Igreja Renascer é preso com dólares até na Bíblia". Ave Maria... "Moradores de vila na Índia batizam todas as crianças de Saddam Hussein". Opa, e olha quem está aqui, Daniela Cicarelli, há quanto tempo! Anunciando algum produto? Não. Estreando programa novo? Também não. Então está fazendo o quê na primeira página, querida? Ah, tirando o You Tube do ar! Bacana.

Ela diz que não sabia, que a ação foi movida pelo namorado. Cica, avisa ao seu namorado que a internet é feita pelos usuários. O You Tube deve ter controle sobre seu conteúdo? Sim. O vídeo pornô com direito a ajeitadinha no biquíni só está disponível lá? Não, suas antas! Se a memória não me falha (porque o sex on the beach já foi há uns 3 meses), Miss Cicarelli respondeu o seguinte ao Marcos Mion no VMB, quando ele sugeriu que o público pensasse nas eleições e outros assuntos mais relevantes: “não acredito, vocês vão tomar conta das suas próprias vidas e deixar eu viver a minha em paz? Muito obrigada!” Essa idéia estúpida de bloquear o site de maior crescimento nos últimos tempos e de grande apelo junto ao público da apresentadora só me fez lembrar novamente do assunto e chegar a uma conclusão – a filmagem começa bem, sexy e bonita, mas acaba over-exposed e vulgar. Exatamente como tudo que a moça se envolve. Vida dura, né, Cica?

E de repente eu me vejo gastando linhas e linhas falando isso? É demais, logo hoje que começou o BBB7! E tudo para chegar na notícia mais importante: “O autoproclamado principado de Sealand está à venda”. Sealand é o menor Estado do mundo, fica no meio do oceano, a leste da Inglaterra, e ocupa uma antiga plataforma da Segunda Guerra. Tem vista infinita do mar, tranqüilidade garantida e nada de impostos.

Em 1967 um ex-major do exército britânico juntou a família e ocupou a plataforma. Declarou que, por estar localizado em águas internacionais, Sealand podia ser considerado um Estado, e se autoproclamou "príncipe". Agora está vendendo por 10 milhões de libras. Uhn, um pouco caro... Mas talvez eu possa autoproclamar um Estado! Ficaria ótima de rainha. Levaria os amigos, já teria bobo da corte e de repente aumentam até as chances de aparecer um príncipe! Tenho que lembrar de fundar uma cocheira para o cavalo branco. Pela minha lei a gente é obrigada a ser feliz.

Com licença, vou tirar folga nos próximos dias para me dedicar à criação da minha Constituição, bandeira, moeda oficial e, claro, definição de feriados nacionais. Será que o Chico Buarque aproveitaria a turnê no Rio e aprovaria o hino?


Sim, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da saudade
Acho que a gente nem tinha nascido

5.1.07

In my ears and in my eyes

"I always tell the girls, never take it seriously, if ya never take it seriously, ya never get hurt, ya never get hurt, ya always have fun, and if you ever get lonely, just go to the record store and visit your friends".

"This is Penny Lane, man, show some respect"! Kate Hudson em Almost Famous. E até on tour, totalmente rock and roll, é só uma menina na frente de um cara...

All the people that come and go, stop and say hello...

Aperte o play: but oh how it feels so real! Hold me closer Tiny Dancer, Elton John

3.1.07

(2) 007

A primeira resolução do ano foi comprar uma agenda de papel. A falta que faz um Outlook... Comprei numa papelaria antiga do Leblon. Minha agenda tem aquelas informações sobre pesos e medidas e fusos horários. Ela não apita nem me avisa automaticamente sobre nada, mas agora eu sempre posso saber que horas são em Adis Abeba. Junto com ela estavam à venda disquetes e fitas TDK de 90 minutos.
No ano que vem, se eu tiver que comprar agenda de papel, vou ao antiquário do Baixo Gávea. O mundo está andando rápido demais e eu ainda nem tenho um computador. Ou um Blackberry. Um DVR. Um Blu Ray. Um PS3. Miss you, Mario Bros.

28.12.06

É promessa de vida no teu coração

Foi tão disputado. Dois meses de entrevistas e dinâmicas e noites em claro pela vaga. Noites que se repetiram durante tantos anos. Anos que se sucederam num misto de stress e orgulho. Orgulho estampado na parede repleta de prêmios, nas fotos da equipe que demorou tanto para ficar perfeitamente afinada, no histórico de projetos sonhados e erguidos com tanto esforço e dedicação. São mais horas com esses bons amigos do que com a minha própria família. Trabalho cumprido.
- Pode entrar, ela está te esperando.
- Boa tarde, eu vim pedir minha demissão.

A primeira vez foi na escola. Eu tinha um laço no cabelo e uma folha de papel almaço na carteira para a prova. Regardez le film et ècrivez le nom de la citté. Apareceu uma rua enorme, com um museu na ponta e um arco na outra. As pessoas sentavam nos bares na calçada e liam jornal. La Seine, du fromage, de la bierre. Era magnifique! Tem que pagar a faculdade, a prestação do carro, o aluguel aumentou, aula de francês não é supérfluo? Quanto rende duzentos reais em um ano e meio?
- Pois não, senhora?
- Paris! Eu quero uma passagem para Paris, por favor.

- E você, lin-dá? Como tá esse coração? Ui, por que essa carinha? Não vai me dizer que de novo é por causa do namorado? Jesus Maria José, ele é um gos-to-so mas você vive assim! Querida, casal briga mesmo mas vocês... benza Deus! Mas eu tô achando que tem alguma coisa diferente aí, um brilhinho no olhar. Eu sempre falei que se você se encher já sabe, né? Parte pra outra! E essa cor tá linda, essas mechas estão durando, hein! Vamos lá, é para cortar as pontas?
- Corta no queixo! E pode repicar, qualquer coisa depois eu faço uma progressiva.

Mais um ano vai e eu ainda estou aqui, engasgada. Tantas horas eu ensaiei falando sozinha, já perdi a conta de quantas vezes tomei fôlego e desisti, das chances que tive com você ali e perdi logo depois de perder a coragem. E se ele disser não? E se achar ridículo? E se não estiver pronto? E se eu estiver errada? E se ele disser sim? Toca essa campainha.
- Oi! Que surpresa, não sabia que você vinha aqui.
- Eu te amo. Eu vim para dizer que te amo.


Um ano novo pode começar a cada dia. Feliz 2007. 2008, 2009, 2010...

24.12.06

atendimento@papainoel.com.br

Querido Papai Noel,

Tudo bem por aí? Espero que tenha tido um ano bom. Se prepara porque aqui está muito calor, se der coloca um short ou vem com uma camiseta debaixo da roupa porque está praticamente o Senegal. Sorte que você tem suas renas porque, se andasse de avião, não teria como entregar os presentes nesse Natal. Está um caos nos aeroportos, já deve ter sabido. Nada como ter transporte próprio, hein? Pensando nisso, pode estacionar o trenó na minha vaga, não precisa de tíquete de estacionamento nem R$5 pro flanelinha. Minha casa não tem lareira, se esquentasse mais derretia, então você vai ter que entrar pela porta mesmo. Vou para a ceia de carro e depois devo emendar numa festinha então quando você passar aqui não deve ter ninguém. Só meu cachorro, mas ele já te conhece então é tranqüilo. Só não esquece de deixar alguma coisinha pro bicho, hein? E não deixa ele ver as renas senão vai ficar latindo e acaba acordando os vizinhos. Se alguém te vir não se preocupe. Nessa época a galera bebe tanto que é capaz de não acreditar no que está vendo. Até porque, sem querer ofender, muita gente nem acredita em você mesmo então...

Não sei se os duendes vêm também então talvez eu tenha exagerado nos comes e bebes, mas quis garantir que vocês se sintam bem. Tem cerveja gelada no cooler, rabanada em cima do fogão e peru para comer com pão de forma. Eu recomendo que você coma a salada e beba o suco porque esse seu peso pode fazer mal à saúde, mas não quero ser chata. Essas comidinhas foram o melhor que consegui porque sou péssima cozinheira. Com o Grill George Foreman que você vai trazer a recepção no ano que vem será melhor, prometo! Ah, tem uma garrafa de Chandon no freezer. Eu queria tomar no dia 31 mas se vocês quiserem muito, tudo bem. Ia tomar antes da festa sozinha mesmo, então... Já que eu estou sendo legal bem que em troca da garrafa podia mandar alguém para brindar comigo no reveillon, hein? Eu sei que não é muito uma coisa que se peça, mas ficaria mais feliz do que com o I-pod. Será? Bem, conversa com a Mamãe Noel e faz o que achar melhor.

Ganhei de amigo oculto uns sais de banho maravilhosos, pode usar para relaxar. Mas não deixa minha casa pro final não senão meus presentes vêm chacoalhando pelo mundo inteiro, e depois do Natal é um inferno trocar alguma coisa nas lojas, tudo lotado. E não faz muita bagunça no banheiro, detesto! Principalmente nada de cabelo no ralo... De resto, mi casa es su casa! Ah, vou deixar o computador ligado caso queira checar seus emails. Tem várias músicas legais no I-Tunes. Sabe mexer, né?

Se lembrar de alguma coisa, escrevo depois. Fiz a lista em anexo meio correndo então pode ter alteração.

Seja feliz no Natal, você e todos os seus filhos.
Beijo, Santa! (aliás, que tal mudar esse nome? Meio gay...)

PS – Se der, molha as plantas? Posso demorar para voltar e nesse verão, já viu...

21.12.06

5,4,3,2...

Blocos de rua, Buenos Aires, Figo, You Tube, Congonhas, Janot na Matriz, Tiradentes e a Estrada Real, a taça do mundo é nossa mas as eleições não, Valerioduto, Leblon nas páginas da vida, os moços do meu tempo e seus tempos, corre que ainda dá tempo para a retrospectiva dos Tribuneiros.

19.12.06

Yabadabadoo!

Homenagem a quem divertia minhas manhãs.
Joseph Barbera, 03/1911 - 12/2006

18.12.06

Além do que se vê

Ninguém pode dizer que são um gueto sem religião. Estão num culto. Assistem a tudo através de minúsculos visores de câmeras portáteis como se pudessem guardar ali a catarse do momento, provavelmente um momento pelo qual já passaram milhares de outras vezes porque aquela platéia é a mais perfeita tradução da palavra fã. Sei que a sua solidão lhe dói. Quem é mais sentimental que eu?

Era uma fase bem ruim quando nos esbarramos. Estavam perdidos num arquivo mp3 e a única referência que eu tinha era de alguém que dizia que nunca acreditou na ilusão de ter você pra mim. Logo depois de encontrar Lisbela ali sem querer, tão linda, eles me apareceram num clipe e não cantaram nada. O público gritava para olhar lá quem vem do lado oposto e vem sem gosto de viver. De repente tiraram esse azedume do meu peito e com respeito trataram minha dor.

No palco não dizem mesmo nada além de boa noite, obrigado e até amanhã. Ninguém se importa. Pra que mudar? Deixa eu brincar de ser feliz. Ah sim, pediram desculpas pelo atraso. Ninguém ouviu porque já cantavam a primeira música. Então tentar prever serviu pra eu me enganar.

Eles rejeitavam seu maior sucesso comercial. Foram acusados de serem blasé para serem cool, mas quem te vê passar assim por mim sabe que não é isso. Contemplar aquele resgate foi libertador. Poder gritar ô Anna Júliaa-a-a-a-aaaaaaaaaaaaaahh-aaaaaaahhhhhhh! Se fossem pessoas muito equilibradas, bem resolvidas, extrovertidas e sem nenhum grau de estranheza seriam incapazes de perguntar coisas como quem sabe o que é ter e perder alguém, ou juntar lindos acordes que embalam besteiras como eu tô levando tudo de mim que é pra não ter razão pra chorar.

São homens. Ás vezes garotos, projetos ainda, mas não são meninas se esgoelando por artistas-pop-gatinhos-da-estação. São homens e gritam: Não solta da minha mão! Ok, e algumas meninas que dizem ser lindo cabelo despenteado, barba gigante e visual de década passada. Alguma coisa a gente tem que amar.

Só faltou a implorada Pierrot e dar um basta a esta dor já sem fim. Não vão embora daqui, eu sou o que vocês são. Lá embaixo, o Rio de Janeiro iluminado. Eu que já não quero mais ser um vencedor levo a vida devagar pra não faltar amor. E a banda diz: assim é que se faz. Sob o luaaaar, a explicação vem no título. Era só um show dos Los Hermanos.