Ninguém disse que seria fácil.
Esquece que só sentar levou meses? Engatinhar antes de andar causou hematomas. Não conseguir se fazer entender foi quase sufocante. Mas você seguiu dentro do esperado, maternal-colégio-faculdade, conhecido-amante-ex, estudo-estágio-emprego. Difícil foi quando acabaram as placas e a estrada deixou de ser reta. Medo-grito-choro-passos. Difícil foi a hora em que acabaram as pistas, ou foi aprender a se guiar por outras pistas. O será que é isso. O mas quem diria. Difícil foi quando deixou de ser fácil, quando você esqueceu que nunca foi fácil, ou quando percebeu que fácil é o que já foi.
Difícil é o que não te contam. Não te contam que você vai cair, e você vai, e levanta para cair de novo! Só levantam aqueles que têm quem segure, quem dê um sorriso compreensivo, pegue no colo, coloque de pé e se afaste para estimular que continue o teste, ou levantam-se todos porque é assim que fomos programados? Eles estão ali, batendo as mãos na frente da criança como incentivo, mas não dizem como conseguem andar. Eles não dizem nada. Não dizem que sofrem, que está uma merda, que talvez não dê, que foi feio, que está doendo, que é ilegal, imoral, indevido, impensável, impossível mas que acontece aqui mesmo, nas tais melhores famílias. Ninguém diz e ninguém vê e ninguém progride. Poucos progridem. Como progridem?
Naquele época de passos de dinossauro e choro fácil não falavam para você sobre coragem. Que coragem é seguir para qualquer direção. Coragem é dizer não. É ver partir e recomeçar. Coragem é ser humano e fraquejar, se levantar, superação, entrega, pausa para tomar fôlego, é pedir ajuda, é assumir, delegar. Não contaram que você não teria certeza, simplesmente não teria certeza! Não contaram que você erraria, que mesmo que acertasse outro erraria e não, o mundo, esse aqui pelo menos, não é justo, e você pagaria mesmo que acertasse? Para alguns só ensinaram que alguém vai fazer, justamente esses para quem ensinaram que tem que fazer.
Não ensinaram que coragem é decisão? Mas decidir fugir não. Fugir não é uma opção, descer do trem, sair da brincadeira, Ctrl+Alt+Del, fugir é adiar. É jogar na mão dos que vão fazer, até que nessa brincadeira de batata-quente o objeto se espatife. Para estar aqui não tem jeito, você já está, dá um jeito.
Ninguém disse que seria tão difícil.
Não te contaram sobre esse enorme espaço entre o que você esperava e o que apareceu. Coragem é equilíbrio porque viver, não te contaram? é um eterno aprender a andar.
Me contaram que life is not about finding, is about creating.
5.3.07
2.3.07
Moleskines

"Do you mind if I use my notebook?" I asked
"Go ahead."
I pulled from my pocket a black, oilcloth-covered notebook, its pages held in place with an elastic band.
"Nice notebook," he said.
"I used to get them in Paris," I said. "But now they don't make them any more."
"Paris?" he repeated, raising an eyebrow as if he'd never heard anything so pretentious.Then he winked and went on talking.
Van Gogh, Gertrude Stein e Hemingway faziam suas anotações de viagens em caderninhos pretos. Eu faço em Tribuneiros.com
28.2.07
O melhor do mau humor
Internet Wireless
Vizinhos
Calor de 40 graus
Pessoas que não respondem emails
Desenvolvimento econômico do Brasil
"Desfrute seu dia até que um imbecil o estrague".
Woody Allen
Novo projeto do Scorsese com Mick Jagger
Ipod
Amigos desempregados
Fluoxetina
Vizinhos
Calor de 40 graus
Pessoas que não respondem emails
Desenvolvimento econômico do Brasil
"Desfrute seu dia até que um imbecil o estrague".
Woody Allen
Novo projeto do Scorsese com Mick Jagger
Ipod
Amigos desempregados
Fluoxetina
26.2.07
Gold stars
Eu vou falar sobre NY, mas antes tenho que passar por Hollywood porque lá estavam o Coppola, Spielberg e George Lucas com cara de quem combinou uma surpresa para um amigo. O amigo era o Marty, o Scorsese de Taxi Driver, Casino, Goodfellas e finalmente de Os Infiltrados. Foi a melhor parte da festa, não só por “corrigir uma injustiça histórica”, clichê preferido do Oscar, mas por imaginar aqueles quatro juntos numa conversa informal. Sobre o que falam Spielberg e George Lucas depois de uma partidinha de golfe? Nem sei se os caras jogam golfe, mas adoraria ser a mosquinha que participa desse momento.
And the Oscar went to him. "I just want to say too that so many people over the years have been wishing this for me. Strangers. You know, I went walking in the street, people say something to me. I go in a doctor's office, I go in a whatever (...) "you should win one." I'm saying thank you. This is for you”.
Mais cedo, emocionado, Forest Whitaker, de aplaudir de pé em um dos melhores filmes da temporada fazendo o público sentir carinho por um dos piores ditadores o mundo, agradeceu como sugerido pela Ellen DeGeneres, apresentadora da festa - Não é que não tenhamos tempo para os discursos, não temos para discursos chatos, então falem sobre sua infância no Bronx, mesmo que você nunca tenha ido ao Bronx. Fica legal! - E assim ele fez: “Because when I first started acting, it was because of my desire to connect to everyone. To that thing inside each of us. That light that I believe exists in all of us. Because acting for me is about believing in that connection and it's a connection so strong, it's a connection so deep, that we feel it”. Foi merecido, assim como o prêmio para Helen Mirren, rainha num filme que, não fosse por ela, por mim poderia ter passado só na HBO. Quando a Toni Collette vai ser reconhecida?
A noite elegeu Al Gore; Jack Black, John C. Reilly e Will Ferrel, para variar, me fizeram cair da cadeira de tanto rir; Miss Sunshine ganhou melhor roteiro, que é a categoria do meu coração; não vi Dreamgirls mas sei que vou adorar porque a Beyoncé naquele figurino é um espetáculo; os tomara-que-caia das mulheres continuam sendo um mistério para mim – como os melhores costureiros fazem vestidos que achatam os peitos não-siliconados? – mas gostoso mesmo foi ver a abertura Apple-style da cerimônia, com os indicados em fundo branco falando descontraidamente (oh my God, Abby, you were nominated for an Oscar!). Vejam no behind the scenes
“Every time you go to a movie is a blind date”.
Já que as vinhetas tinham frases clássicas deliciosas de filmes, acrescento aqui as minhas, tiradas da noite de ontem. Não posso creditar, não sei quem disse.
“It´s a good life to be allowed to write some songs and spread some hope and some joy and some humor around. It´s not so bad, I´m pretty lucky”.
There is no people like show-people, por isso não perco uma premiação!
PS – E não é que Borat tem jeito de galã? Tempos modernos...
Para continuar no clima, promo do Spike Lee.
And the Oscar went to him. "I just want to say too that so many people over the years have been wishing this for me. Strangers. You know, I went walking in the street, people say something to me. I go in a doctor's office, I go in a whatever (...) "you should win one." I'm saying thank you. This is for you”.
Mais cedo, emocionado, Forest Whitaker, de aplaudir de pé em um dos melhores filmes da temporada fazendo o público sentir carinho por um dos piores ditadores o mundo, agradeceu como sugerido pela Ellen DeGeneres, apresentadora da festa - Não é que não tenhamos tempo para os discursos, não temos para discursos chatos, então falem sobre sua infância no Bronx, mesmo que você nunca tenha ido ao Bronx. Fica legal! - E assim ele fez: “Because when I first started acting, it was because of my desire to connect to everyone. To that thing inside each of us. That light that I believe exists in all of us. Because acting for me is about believing in that connection and it's a connection so strong, it's a connection so deep, that we feel it”. Foi merecido, assim como o prêmio para Helen Mirren, rainha num filme que, não fosse por ela, por mim poderia ter passado só na HBO. Quando a Toni Collette vai ser reconhecida?
A noite elegeu Al Gore; Jack Black, John C. Reilly e Will Ferrel, para variar, me fizeram cair da cadeira de tanto rir; Miss Sunshine ganhou melhor roteiro, que é a categoria do meu coração; não vi Dreamgirls mas sei que vou adorar porque a Beyoncé naquele figurino é um espetáculo; os tomara-que-caia das mulheres continuam sendo um mistério para mim – como os melhores costureiros fazem vestidos que achatam os peitos não-siliconados? – mas gostoso mesmo foi ver a abertura Apple-style da cerimônia, com os indicados em fundo branco falando descontraidamente (oh my God, Abby, you were nominated for an Oscar!). Vejam no behind the scenes
“Every time you go to a movie is a blind date”.
Já que as vinhetas tinham frases clássicas deliciosas de filmes, acrescento aqui as minhas, tiradas da noite de ontem. Não posso creditar, não sei quem disse.
“It´s a good life to be allowed to write some songs and spread some hope and some joy and some humor around. It´s not so bad, I´m pretty lucky”.
There is no people like show-people, por isso não perco uma premiação!
PS – E não é que Borat tem jeito de galã? Tempos modernos...
Para continuar no clima, promo do Spike Lee.
16.2.07
Pra canoa não virar
Reflexões sobre o ano pós-Carnaval 2006. Ali escrevi:
“Desde que a mulata bossa nova caiu no huly-guly e só dá ela na passarela vale a máxima do vou beijar-te agora, não me leve a mal que hoje é Carnaval. (...) São 361 dias de perfeccionismo, dor de cabeça e estômago queimando de tanto sapo que se engole, uma fortuna gasta no divã para não infartar aos 30 anos e no primeiro acorde do cavaquinho se começa a entender que a vida tem que não ser séria por 4 dias.
Não vai dar, não vai dar não, você vai ver a grande confusão. Essa história de quero todas não me leve a mal hoje eu tô bebendo mais não me faz correr atrás. Eu sou a filha da Chiquita Bacana, não entro em cana porque sou família demais! Até a próxima letra... Chiquita Bacana lá da Martinica? Existencialista com toda a razão, só faz o que manda o seu coração. Menina vai, com jeito vai, senão um dia a casa cai. Então tá combinado! As águas vão rolar e garrafa cheia eu não quero ver sobrar, estou aprendendo que sem sassaricar essa vida é um nó, o negócio é seguir a turma do funil: todo mundo bebe mas ninguém dorme no ponto. Ô abre alas que eu quero passar!Se dá alegria faz também sofrer, ô balancê balancê quero dançar com você, se você fosse sincera veria que eu fiz tudo pra você gostar de mim, oh meu bem não faz assim comigo não, você tem que me dar seu coração. No Carnaval, band-aid tapa até buraco no peito. Essa história de gostar de alguém já é mania que as pessoas têm. A gangue só me chama de palhaço e a minha colombina que é você só quer saber de iê iê iê.
Ai, ai, ai ai, está chegando a hora, o dia já vem raiando, meu bem, eu tenho que ir embora pro resto da vida de todo dia. Só falta um ano pro próximo Carnaval, vou fazer o possível para não esquecer o refrão. Agora é esperar a apuração mas pra mim o clima de viver intensamente 4 dias mesmo sabendo que tudo vai acabar na 4a feira de cinzas é campeão!”*
Não esqueci o refrão, a canoa não virou, eu chego láááá.
*publicado em fev/06 - Seu Martin 1
“Desde que a mulata bossa nova caiu no huly-guly e só dá ela na passarela vale a máxima do vou beijar-te agora, não me leve a mal que hoje é Carnaval. (...) São 361 dias de perfeccionismo, dor de cabeça e estômago queimando de tanto sapo que se engole, uma fortuna gasta no divã para não infartar aos 30 anos e no primeiro acorde do cavaquinho se começa a entender que a vida tem que não ser séria por 4 dias.
Não vai dar, não vai dar não, você vai ver a grande confusão. Essa história de quero todas não me leve a mal hoje eu tô bebendo mais não me faz correr atrás. Eu sou a filha da Chiquita Bacana, não entro em cana porque sou família demais! Até a próxima letra... Chiquita Bacana lá da Martinica? Existencialista com toda a razão, só faz o que manda o seu coração. Menina vai, com jeito vai, senão um dia a casa cai. Então tá combinado! As águas vão rolar e garrafa cheia eu não quero ver sobrar, estou aprendendo que sem sassaricar essa vida é um nó, o negócio é seguir a turma do funil: todo mundo bebe mas ninguém dorme no ponto. Ô abre alas que eu quero passar!Se dá alegria faz também sofrer, ô balancê balancê quero dançar com você, se você fosse sincera veria que eu fiz tudo pra você gostar de mim, oh meu bem não faz assim comigo não, você tem que me dar seu coração. No Carnaval, band-aid tapa até buraco no peito. Essa história de gostar de alguém já é mania que as pessoas têm. A gangue só me chama de palhaço e a minha colombina que é você só quer saber de iê iê iê.
Ai, ai, ai ai, está chegando a hora, o dia já vem raiando, meu bem, eu tenho que ir embora pro resto da vida de todo dia. Só falta um ano pro próximo Carnaval, vou fazer o possível para não esquecer o refrão. Agora é esperar a apuração mas pra mim o clima de viver intensamente 4 dias mesmo sabendo que tudo vai acabar na 4a feira de cinzas é campeão!”*
Não esqueci o refrão, a canoa não virou, eu chego láááá.
*publicado em fev/06 - Seu Martin 1
14.2.07
Fundamental é mesmo o amor
- So the final question is: Why do people want to fall in love when it can have such a short run and be so painful?- Propagation of the species?
- We need to connect with somebody.
- Are we culturally preconditioned?
- Good, but too intellectual for me. l think it's because, as some of you may already know ... While it does last, it feels fucking great.
Texto de O Espelho tem duas faces, ilustração de Freud by Warhol e consequências em Tribuneiros.com
12.2.07
Os musicais da Bróduei
Prendedor de cabelo, flores de crochê, benjamins e adaptadores, frutas, fantasias de Carnaval, sandálias, camisas de salva-vidas com a frase “Afoguem as feias”, óculos escuros, brinquedinhos e CDs. Elas não deixam de usar salto fino porque agarra nos buracos, mas porque acham realmente bonitas as plataformas enormes; as calças parecem ter sido compradas um tamanho menor para marcar bastante as imperfeições do corpo e a calcinha; as tonalidades de louro dos cabelos, se os laboratórios tentassem, não conseguiriam criar. Eles não disfarçam o olhar para nenhuma mulher que passa, cantam pagodes e vestem tênis gigantescos com calças jeans claras. No elevador, em 99,9% das vezes o assunto é futebol – “E o Romário, hein? Mermão, desse jeito vai ter que contar os gols do pleisteixom para chegar ao mil”.
Entre o Theatro Municipal, a Câmara Municipal, o Museu Nacional de Belas Artes e a Biblioteca Nacional, mendigos dormem na praça que poderia ser um cartão postal. Falou no celular na rua, há enormes chances de um moleque saltar na sua orelha e correr entre os carros antes que você perceba que foi roubado. Ao cair o primeiro pingo do céu, “sombriiiinha, 5 reais”. Mas preste atenção porque o pingo pode ser dos aparelhos de ar-condicionado. Dos milhares de cinemas que batizam a região - Odeon, Império, Pathé, Capitólio, Rex, Rivoli, Vitória, Palácio, Metro Passeio, Plaza e o Colonial (deve ser por isso que eu gosto daqui) - os que não resistiram viraram igrejas evangélicas ou exibem filmes pornô, clientela fiel desde 10 da manhã nos dois casos. Seis da tarde, cada bar espalha suas mesinhas pela calçada e aí “amor, trabalhei até tarde hoje”! É sempre sexta-feira. Sendo que na sexta-feira mesmo a fumaça dos churrasquinhos não perdoa patrão nem empregado.
Entre lojas de R$1,99, restaurantes a quilo para todas as classes, pirataria escancarada pelas calçadas, encontrões na multidão e elevadores entulhados de trabalhadores encalorados, entro nas Lojas Americanas e me pego cantando a música que vem das TVs de 2 mil reais. Vai / E avisa a todo mundo que encontrar / Que existe ainda um sonho pra sonhar...
Acústico do Roupa Nova. Você é pessoa que nem eu / Que sente amor / Mas não sabe muito bem/ Como vai dizer...
O Centro da cidade pode ser desesperador.
Entre o Theatro Municipal, a Câmara Municipal, o Museu Nacional de Belas Artes e a Biblioteca Nacional, mendigos dormem na praça que poderia ser um cartão postal. Falou no celular na rua, há enormes chances de um moleque saltar na sua orelha e correr entre os carros antes que você perceba que foi roubado. Ao cair o primeiro pingo do céu, “sombriiiinha, 5 reais”. Mas preste atenção porque o pingo pode ser dos aparelhos de ar-condicionado. Dos milhares de cinemas que batizam a região - Odeon, Império, Pathé, Capitólio, Rex, Rivoli, Vitória, Palácio, Metro Passeio, Plaza e o Colonial (deve ser por isso que eu gosto daqui) - os que não resistiram viraram igrejas evangélicas ou exibem filmes pornô, clientela fiel desde 10 da manhã nos dois casos. Seis da tarde, cada bar espalha suas mesinhas pela calçada e aí “amor, trabalhei até tarde hoje”! É sempre sexta-feira. Sendo que na sexta-feira mesmo a fumaça dos churrasquinhos não perdoa patrão nem empregado.
Entre lojas de R$1,99, restaurantes a quilo para todas as classes, pirataria escancarada pelas calçadas, encontrões na multidão e elevadores entulhados de trabalhadores encalorados, entro nas Lojas Americanas e me pego cantando a música que vem das TVs de 2 mil reais. Vai / E avisa a todo mundo que encontrar / Que existe ainda um sonho pra sonhar...
Acústico do Roupa Nova. Você é pessoa que nem eu / Que sente amor / Mas não sabe muito bem/ Como vai dizer...
O Centro da cidade pode ser desesperador.
8.2.07
Danco eu dança você
Eu tinha 16 anos quando ele me disse: eu gosto de você, mas acho que agora quero ficar sozinho. Ficar sozinho não significava viver em um chalé na montanha com vários livros, estava mais para festas e boites da moda com milhares de garotas que esmagavam as mãos das amigas quando ele virava de costas e piscava para os cúmplices. Quem ficou sozinha fui eu. Não em um chalé na montanha com livros, mas na minha cama com lenços de papel e música pop no fundo. A pior lembrança é a das músicas.
Talvez tenha começado antes. Eu tinha 15 anos quando disse para ele que não queria namorar. Eu detestava o cara, eca! E, como estava desprezando um garoto lindo e apaixonado por mim que carregava uma caixa de bombons, Santo Antônio resolveu me castigar. Desde então, de tempos em tempos, alguém abaixa a cabeça e me diz com tom de sofrimento - eu gosto de você, mas acho que agora quero ficar sozinho. Às vezes ainda nem está na hora do querer ficar sozinho, mas quando o cara diz o “gosto de você”, eu já pego a bolsa e saio de cena para poupar tempo.
Ah, se eu tivesse comido aquela caixa de bombom e guardado os papeizinhos na agenda... Hoje minha vida seria outra! Eu não seria essa pessoa independente, descolada, segura de si, freqüentadora do melhor cabeleireiro, dona do armário mais invejado da cidade e cheia de amigos gatos e que acha que mulheres que esperam o homem perfeito que faz suas pernas tremerem e te dá muita segurança são loucas.
Eu seria uma daquelas mulheres que julgo que nunca vão saber. Andaria com os braços do meu marido ao redor dos meus ombros, acharia que boites são muito barulhentas e que bebida é vinho no jantar na casa da serra. Faria hidroginástica e bolos de laranja, nunca dirigiria à noite nem compraria lingerie na Verve. Eu morreria de inveja das minhas amigas descoladas, independentes, seguras de si e cheias de amigos gatos. Eu acharia que mulheres que esperam o homem perfeito que faz suas pernas tremerem e te dá muita segurança são loucas.
Talvez tenha começado antes. Eu tinha 15 anos quando disse para ele que não queria namorar. Eu detestava o cara, eca! E, como estava desprezando um garoto lindo e apaixonado por mim que carregava uma caixa de bombons, Santo Antônio resolveu me castigar. Desde então, de tempos em tempos, alguém abaixa a cabeça e me diz com tom de sofrimento - eu gosto de você, mas acho que agora quero ficar sozinho. Às vezes ainda nem está na hora do querer ficar sozinho, mas quando o cara diz o “gosto de você”, eu já pego a bolsa e saio de cena para poupar tempo.
Ah, se eu tivesse comido aquela caixa de bombom e guardado os papeizinhos na agenda... Hoje minha vida seria outra! Eu não seria essa pessoa independente, descolada, segura de si, freqüentadora do melhor cabeleireiro, dona do armário mais invejado da cidade e cheia de amigos gatos e que acha que mulheres que esperam o homem perfeito que faz suas pernas tremerem e te dá muita segurança são loucas.
Eu seria uma daquelas mulheres que julgo que nunca vão saber. Andaria com os braços do meu marido ao redor dos meus ombros, acharia que boites são muito barulhentas e que bebida é vinho no jantar na casa da serra. Faria hidroginástica e bolos de laranja, nunca dirigiria à noite nem compraria lingerie na Verve. Eu morreria de inveja das minhas amigas descoladas, independentes, seguras de si e cheias de amigos gatos. Eu acharia que mulheres que esperam o homem perfeito que faz suas pernas tremerem e te dá muita segurança são loucas.
6.2.07
A girl in a bar e os rescuer-guys
Sentei na frente da TV às 21h55 para esperar o episódio começar. Não tenho a menor idéia da última vez em que fiz isso, e não porque eu não amasse Grey´s Anatomy ou Lost até ontem, mas porque não lembro como era a vida sem um DVR ou Limewire e etc. Esperar a hora da série começar? Esperar pelos intervalos? Esperar o canal decidir quando estréia? Eu fiz isso. E precisava escrever sobre isso hoje, mas não sabia o que nem o porquê já que esse blog não é meu querido diário.
Por que Grey´s Anatomy ganha todos os prêmios e honras? Procurando a frase, a cena, o sentimento que explicasse o que me fez esperar meses pela nova temporada, vi que nada isolado fazia muito sentido, não foi um episódio de tirar o fôlego. Entrei no blog da Shonda Rhimes. Sim, eu leio o blog da criadora da série, freak. E lembrei de quando Meredith e McDreamy se conheceram no bar numa noite qualquer sem nem imaginar o que estaria por vir.
- Você não pode me ignorar, precisa me conhecer para me amar.
- So if I know you, I’ll love you?
É isso.
Ontem falaram sobre tempo, estar preso em um momento, querer voltar atrás, ver que podemos ter demorado demais, pensar se ainda dá tempo. E sobre o mérito de dizer eu te amo. São coisas de todo o dia. Não que todo o dia tenhamos que decidir entre quem nos faz bem e quem nos faz mal, que seguir adiante, pagar um preço, encarar... ou sim, vivemos isso todos os dias e sofremos em maior ou menor escala e ninguém é muito original, seja isso bom ou ruim.
Mas não é todo dia que o Chris O´Donnel joga na nossa cara que o Mc Dreamy que faz nossas pernas balançarem não é uma coisa boa como ele é, nem é todo dia que aparecem pessoas-resgate-Chapolin-Colorado assim. “You know, rescuer-guys, right? They’re the ones who are determined to break through the scary/damaged barrier we dark and twisty girls put up. São a coisa real, homens-resgate são os caras com quem casamos. Os caras com quem deveríamos casar. Mas aí existem os McDreamys do mundo…”
Aí eu parei de ler. Que besteira adolescente, ler blogs, quem é Shonda? Humpf...
Por que Grey´s Anatomy ganha todos os prêmios e honras? Procurando a frase, a cena, o sentimento que explicasse o que me fez esperar meses pela nova temporada, vi que nada isolado fazia muito sentido, não foi um episódio de tirar o fôlego. Entrei no blog da Shonda Rhimes. Sim, eu leio o blog da criadora da série, freak. E lembrei de quando Meredith e McDreamy se conheceram no bar numa noite qualquer sem nem imaginar o que estaria por vir.
- Você não pode me ignorar, precisa me conhecer para me amar.
- So if I know you, I’ll love you?
É isso.
Ontem falaram sobre tempo, estar preso em um momento, querer voltar atrás, ver que podemos ter demorado demais, pensar se ainda dá tempo. E sobre o mérito de dizer eu te amo. São coisas de todo o dia. Não que todo o dia tenhamos que decidir entre quem nos faz bem e quem nos faz mal, que seguir adiante, pagar um preço, encarar... ou sim, vivemos isso todos os dias e sofremos em maior ou menor escala e ninguém é muito original, seja isso bom ou ruim.
Mas não é todo dia que o Chris O´Donnel joga na nossa cara que o Mc Dreamy que faz nossas pernas balançarem não é uma coisa boa como ele é, nem é todo dia que aparecem pessoas-resgate-Chapolin-Colorado assim. “You know, rescuer-guys, right? They’re the ones who are determined to break through the scary/damaged barrier we dark and twisty girls put up. São a coisa real, homens-resgate são os caras com quem casamos. Os caras com quem deveríamos casar. Mas aí existem os McDreamys do mundo…”
Aí eu parei de ler. Que besteira adolescente, ler blogs, quem é Shonda? Humpf...
1.2.07
Ma che?!
Apóie a guerra do Iraque, seja internacionalmente conhecido como corrupto, lidere um partido de extrema-direita mas nunca, sob hipótese alguma, dê em cima de outra mulher. E quando me magoar, peça desculpas.
Ele foi primeiro ministro da Itália e é a 37ª pessoa mais rica do mundo. Ela? Uma atriz de filmes B. Enquanto ele é sensacionalista e polêmico, ela é low profile, nunca sai de casa e um dia, linda e loira com os 3 filhos, viu na imprensa o marido em uma premiação falando para uma convidada: "Se eu não fosse casado, casaria com você imediatamente. Com você iria a qualquer lugar".
Verônica ficou muito brava com a gracinha, mas ele não se desculpou. Então ela pensou que já estava há tempo demais “sendo obrigada a superar com respeito e discrição os inevitáveis altos e baixos que uma relação conjugal traz”. Dessa vez sua dignidade estava em jogo e ela decidiu ensinar aos filhos a maneira certa de se tratar uma mulher, então escreveu uma carta para o marido exigindo desculpas. Quem já não escreveu linhas e linhas de desabafo? A diferença entre essa carta e as nossas é que ela publicou na capa de um dos principais jornais do país, que inclusive faz oposição a Berlusconi, seu amado esposo.
Assassinato? Divórcio? Internação? Nananinanão. Ele, através do seu partido, que inclusive ela não apóia, divulgou uma resposta. "Perdoe-me, imploro-te. E tome esta minha resposta à sua fúria como um ato de amor. Um de muitos. Sua dignidade é um tesouro para o meu coração, mesmo quando faço piadas irresponsáveis".
Desconfio de que há 27 anos ele deixe a toalha molhada em cima da cama, ou não abaixe a tampa do vaso, ou nunca repare que ela mudou o cabelo, e que essa cantada pública possa ter sido somente a gota d´água. Se não foi isso, só pode ter uma outra explicação:
( ) As empresas de mídia, entretenimento e os bancos dele estão no nome dela
( ) Ela é o verdadeiro cérebro do casal
( ) Quem tem ligação com a Máfia é ela e não ele
( ) Por trás de um grande homem há sempre uma mulher com um chicote na mão
( ) Ela tem um dossiê que prova que ele faz xixi na cama
( ) A macumba da nega é boa
( ) Nenhuma das Respostas Anteriores (mas quero ser Verônica quando crescer)
Ele foi primeiro ministro da Itália e é a 37ª pessoa mais rica do mundo. Ela? Uma atriz de filmes B. Enquanto ele é sensacionalista e polêmico, ela é low profile, nunca sai de casa e um dia, linda e loira com os 3 filhos, viu na imprensa o marido em uma premiação falando para uma convidada: "Se eu não fosse casado, casaria com você imediatamente. Com você iria a qualquer lugar".
Verônica ficou muito brava com a gracinha, mas ele não se desculpou. Então ela pensou que já estava há tempo demais “sendo obrigada a superar com respeito e discrição os inevitáveis altos e baixos que uma relação conjugal traz”. Dessa vez sua dignidade estava em jogo e ela decidiu ensinar aos filhos a maneira certa de se tratar uma mulher, então escreveu uma carta para o marido exigindo desculpas. Quem já não escreveu linhas e linhas de desabafo? A diferença entre essa carta e as nossas é que ela publicou na capa de um dos principais jornais do país, que inclusive faz oposição a Berlusconi, seu amado esposo.
Assassinato? Divórcio? Internação? Nananinanão. Ele, através do seu partido, que inclusive ela não apóia, divulgou uma resposta. "Perdoe-me, imploro-te. E tome esta minha resposta à sua fúria como um ato de amor. Um de muitos. Sua dignidade é um tesouro para o meu coração, mesmo quando faço piadas irresponsáveis".
Desconfio de que há 27 anos ele deixe a toalha molhada em cima da cama, ou não abaixe a tampa do vaso, ou nunca repare que ela mudou o cabelo, e que essa cantada pública possa ter sido somente a gota d´água. Se não foi isso, só pode ter uma outra explicação:
( ) As empresas de mídia, entretenimento e os bancos dele estão no nome dela
( ) Ela é o verdadeiro cérebro do casal
( ) Quem tem ligação com a Máfia é ela e não ele
( ) Por trás de um grande homem há sempre uma mulher com um chicote na mão
( ) Ela tem um dossiê que prova que ele faz xixi na cama
( ) A macumba da nega é boa
( ) Nenhuma das Respostas Anteriores (mas quero ser Verônica quando crescer)
31.1.07
Colombina, onde vai você?

"Vou lhe contar um segredo: ainda não decidi se um dia esbarramos em alguém e pronto, nos apaixonamos mesmo contra a nossa vontade, ou se podemos viver esbarrando com gente por aí, mas se não abrirmos os olhos – e o coração – não vemos nossos amores em potencial nunca. (...)
E de repente... é Carnaval. Teoricamente são quatro dias, mas se alma não é pequena são muitos mais e, como bom saltimbanco que agora sou, é duro ficar na sua quando à luz da lua há tantos blocos pela rua".
Eu vou dançar o iê-iê-iê! Aprenda a coreografia em Tribuneiros.com
*Pablo Picasso
29.1.07
O santo nome em vão
Eu quero patentear meu nome. Não me interessa se pode, não me interessam os trâmites burocráticos, está havendo uma banalização de Brunas e preciso me defender. É como domínio de internet, obviamente a Madonna ganharia a causa se algum malandrinho registrasse o endereço madonna.com antes dela. Eu já era Bruna antes dessa festa do caqui começar, a única que existia era a Lombardi e não denegria a imagem. Mesmo assim eu não gostava da piadinha que sempre vinha depois da pergunta pelo meu nome - "ah, Bruna Lombardi?" É, palhaço, não reparou no Ricelli aqui do lado? O fato é que essa tudo bem, um dia foi embora para LA e hoje ninguém mais sabe dela.
Vivi com paz e exclusividade até que uma Bruna Surfistinha começou a aparecer. Prostituta é demais! A mulher nem era Bruna original, e nos bons tempos nome de quenga era Ninon e Rosaly, nunca vi Bruna na Casa da Luz Vermelha. Quando enjoaram da criatura e eu estava só esperando ela partir de vez para o ostracismo, estréia um novo Big Brother. Depois de Jean Willys, Grazielli e Kleber Bambam surge quem? Bruna. Bruna tomando banho, se encachaçando nas festinhas, pegando cowboy, gritando quando vê a família, se derretendo para o Bial, é Bruna 24 horas por dia em rede nacional. Daqui a pouco serão batizadas Brunas por todo o sertão. Se parar na Sexy porque foi rejeitada pela Playboy eu vou confiscar as revistas!
Por enquanto a impostora está quieta, mas se fizer qualquer coisa eu compro uma empresa de telemarketing para fuzilá-la no primeiro paredão.
Enquanto eu monitoro, apreensiva, o desfecho dessa catástrofe bigbrotheriana, leio no jornal: "Musa dos motoboys vence 800 candidatas em concurso paulista". Qual o nome da infeliz? Que dúvida... A mais nova gostosona das duas rodas diz que pode conciliar a rotina das passarelas com a faculdade de medicina. "Já posso chamar Giselle Bundchen de colega e pedir umas dicas", ri. Ri enquanto eu choro! Passarelas com 1,65m?
Pelo menos uma coisa está garantida. Uma rápida busca no Google alerta essa nova massa de pseudo-brunas - "Bruna Demaison, segundo fonte mui próxima, não pode ser contrariada." Há! Obrigada, Tribuneiros.
Bruna sou eu! E quem avisa...
Vivi com paz e exclusividade até que uma Bruna Surfistinha começou a aparecer. Prostituta é demais! A mulher nem era Bruna original, e nos bons tempos nome de quenga era Ninon e Rosaly, nunca vi Bruna na Casa da Luz Vermelha. Quando enjoaram da criatura e eu estava só esperando ela partir de vez para o ostracismo, estréia um novo Big Brother. Depois de Jean Willys, Grazielli e Kleber Bambam surge quem? Bruna. Bruna tomando banho, se encachaçando nas festinhas, pegando cowboy, gritando quando vê a família, se derretendo para o Bial, é Bruna 24 horas por dia em rede nacional. Daqui a pouco serão batizadas Brunas por todo o sertão. Se parar na Sexy porque foi rejeitada pela Playboy eu vou confiscar as revistas!
Por enquanto a impostora está quieta, mas se fizer qualquer coisa eu compro uma empresa de telemarketing para fuzilá-la no primeiro paredão.
Enquanto eu monitoro, apreensiva, o desfecho dessa catástrofe bigbrotheriana, leio no jornal: "Musa dos motoboys vence 800 candidatas em concurso paulista". Qual o nome da infeliz? Que dúvida... A mais nova gostosona das duas rodas diz que pode conciliar a rotina das passarelas com a faculdade de medicina. "Já posso chamar Giselle Bundchen de colega e pedir umas dicas", ri. Ri enquanto eu choro! Passarelas com 1,65m?
Pelo menos uma coisa está garantida. Uma rápida busca no Google alerta essa nova massa de pseudo-brunas - "Bruna Demaison, segundo fonte mui próxima, não pode ser contrariada." Há! Obrigada, Tribuneiros.
Bruna sou eu! E quem avisa...
25.1.07
Parece que dizes
Um dia ele passou a mão no meu cabelo. Cruzou o quarto para pegar uma camisa no armário e eu estava no caminho, lendo o jornal. Afundou de leve os dedos nos meus fios e brincou com eles. Tirou a branca do cabide, vestiu sem abotoar e foi tomar café.
Um dia ele encostou a cabeca no meu ombro e suspirou. Perguntei se o filme estava ruim, ele só fez que não com o dedo e sorriu. Reabriu o saco de pipocas e comeu uma atrás da outra.
Um dia ele usou a palavra interface. E riu, entre o orgulho e a piada. Pouco tempo antes eu tinha criticado uma interface e me criticado internamente por abusar dos jargões quando sobrecarregada de trabalho.
Um dia ele fez compras no supermercado. Quando cheguei, vi na geladeira o queijo fresquinho, o suco de laranja e, no meio do estoque de iogurtes, um com novo sabor de maçã. Ele volta e meia comentava que eu sempre comia o de morango e ainda ia enjoar.
Grandes declarações de amor podem ser muito fáceis. Difíceis são as banais, as espontâneas, cotidianas, desinteressadas, as cuja única intenção é nada, só o vício de estar perto.
Um dia ele me olhou.
Um dia ele encostou a cabeca no meu ombro e suspirou. Perguntei se o filme estava ruim, ele só fez que não com o dedo e sorriu. Reabriu o saco de pipocas e comeu uma atrás da outra.
Um dia ele usou a palavra interface. E riu, entre o orgulho e a piada. Pouco tempo antes eu tinha criticado uma interface e me criticado internamente por abusar dos jargões quando sobrecarregada de trabalho.
Um dia ele fez compras no supermercado. Quando cheguei, vi na geladeira o queijo fresquinho, o suco de laranja e, no meio do estoque de iogurtes, um com novo sabor de maçã. Ele volta e meia comentava que eu sempre comia o de morango e ainda ia enjoar.
Grandes declarações de amor podem ser muito fáceis. Difíceis são as banais, as espontâneas, cotidianas, desinteressadas, as cuja única intenção é nada, só o vício de estar perto.
Um dia ele me olhou.
23.1.07
Alô alô, marciano
As mullheres são de Vênus.
So I try to laugh about it
Cover it all up with lies
I try to laugh about it
Hiding the tears in my eyes
'cause... boys don't cry
Leia Tribuneiros.com para descobrir a cura.
So I try to laugh about it
Cover it all up with lies
I try to laugh about it
Hiding the tears in my eyes
'cause... boys don't cry
Leia Tribuneiros.com para descobrir a cura.
20.1.07
Brad Pitt, peanut butter e cornball things
- Nem um pingo de excitação, um suspiro de emoção, esse relacionamento tem a mesma paixão de um casal de pingüins! Isso me preocupa. Eu quero para você algo que seja arrebatador, que você levite, que cante em êxtase e dance like a dervish*.
- Só isso?
- Que você seja delirantemente feliz! Ou pelo menos esteja disposta a isso.
- “Seja delirantemente feliz”. Ok, vou fazer o possível.
O pai sorri.
- Eu sei que isso é uma coisa ingênua, mas amor deve ter paixão, obsessão, alguém que você não possa viver sem. Se não começar com isso, vai acabar com o quê? Eu digo para você mergulhar de cabeça. Ache alguém que você ame loucamente e que vá amá-la da mesma maneira.
E como achar essa pessoa? Esqueça sua cabeça e ouça seu coração. Eu não ouço seu coração! Corra o risco, se você se machucar depois conserta. Porque a verdade é que não há sentido em viver se não for assim. Andar todo o caminho e não se apaixonar perdidamente? Bem, você não terá vivido de verdade. Você precisa tentar, se não tentar não terá vivido.
- Bravo!
- Deus, você é tão dura.
- Me desculpe. Conte novamente. Mas agora a versão resumida da história.
- Esteja aberta. Quem sabe? Lightning could strike!
Babel, que nada! O filme é Encontro Marcado (Meet Joe Black).
*se alguém puder traduzir...
- Só isso?
- Que você seja delirantemente feliz! Ou pelo menos esteja disposta a isso.
- “Seja delirantemente feliz”. Ok, vou fazer o possível.
O pai sorri.
- Eu sei que isso é uma coisa ingênua, mas amor deve ter paixão, obsessão, alguém que você não possa viver sem. Se não começar com isso, vai acabar com o quê? Eu digo para você mergulhar de cabeça. Ache alguém que você ame loucamente e que vá amá-la da mesma maneira.
E como achar essa pessoa? Esqueça sua cabeça e ouça seu coração. Eu não ouço seu coração! Corra o risco, se você se machucar depois conserta. Porque a verdade é que não há sentido em viver se não for assim. Andar todo o caminho e não se apaixonar perdidamente? Bem, você não terá vivido de verdade. Você precisa tentar, se não tentar não terá vivido.
- Bravo!
- Deus, você é tão dura.
- Me desculpe. Conte novamente. Mas agora a versão resumida da história.
- Esteja aberta. Quem sabe? Lightning could strike!
Babel, que nada! O filme é Encontro Marcado (Meet Joe Black).
*se alguém puder traduzir...
17.1.07
Guilty pleasures
Sonho de Verão, resto de brigadeiro na panela, Dominó, jeans Diesel, Viva a Noite, Fábio Jr, Orkut, MC Sapão, tapete vermelho e what are you wearing, Meu iáiá meu iôiô, Barrados no Baile, Destiny´s Child, Grey´s Anatomy, pantufas, Julia Roberts, Prada, Jimmy Choo e Manolo Blahnik, Owen, Luke Wilson, Will Ferrel e Vince Vaughn, Mc Lanche Feliz, qualquer shopping therapy, E Entertainment, jacaré na praia...
Isso é Felicity. http://www.youtube.com/watch?v=uHYlMTdW5KQ
Isso é Felicity. http://www.youtube.com/watch?v=uHYlMTdW5KQ
16.1.07
Miss Frankenstein
É difícil fazer um Top Ten das bizarrices do mundo porque sempre há algo pior que supera os escolhidos. Hoje eu achei que a maquiagem definitiva estaria na lista.
Aconteceu assim: como tudo na vida, fazer ginástica sem pressa nenhuma também é enriquecedor porque, independente dos seus músculos, seu cérebro trabalha melhor. Você repara em todo mundo, pensa por que aquelas pessoas saudáveis estão às 3 da tarde de uma terça-feira na cadeira adutora, assiste à Oprah e faz bons amigos já que ninguém ali tem nada mais urgente para fazer. Numa dessas, levei um susto com a moça do aparelho ao lado. Além da calça rosa e da regata azul, os cabelos dela eram estranhamente amarelos e encaracolados, presos por uma faixa meio Dancing Days. O corpo nem era muito assustador apesar da quantidade nítida de intervenções cirúrgicas, mas as tatuagens coloridas com nome de pessoas e desenhinhos na pele branquíssima davam um ar meio underground-decadente. Não é uma pele branca Grace Kelly, é uma pele branca de dermatologista ruim.
Depois de alguns dias encontrando com a criatura em modelitos cada vez mais nonsense, reparei que conhecia o que sobrou daquela cara - é uma ex-global! Meu Deus, o que aconteceu com a mulher? A boca dela tem o contorno mais escuro do que os lábios preenchidos com sei-lá-o-quê, os olhos e a testa têm uma textura que não combina com o pescoço e, socorro, a sobrancelha dela, grossa, não tem pêlos! É de lápis de cera, rolha queimada, carvão, um troço assim! Coitada da mulher.
Fui chegando perto porque não consegui me conter, precisava saber se ela fala, respira, alguma coisa a mais. Ela fala, estava contando para o professor que um dia usou o anel Antonio Bernardo para dar um soco na cara de uma pessoa que se aproximou. “Meu psiquiatra diz que eu não posso ser molestada”. Silêncio. “Assim, abordada pelas costas, sabe?” Ahan, três séries de dez.
Coitado do homem. Uma conversa de academia que começa com “meu psiquiatra diz” pode ser mais bizarra do que maquiagem definitiva.
Aconteceu assim: como tudo na vida, fazer ginástica sem pressa nenhuma também é enriquecedor porque, independente dos seus músculos, seu cérebro trabalha melhor. Você repara em todo mundo, pensa por que aquelas pessoas saudáveis estão às 3 da tarde de uma terça-feira na cadeira adutora, assiste à Oprah e faz bons amigos já que ninguém ali tem nada mais urgente para fazer. Numa dessas, levei um susto com a moça do aparelho ao lado. Além da calça rosa e da regata azul, os cabelos dela eram estranhamente amarelos e encaracolados, presos por uma faixa meio Dancing Days. O corpo nem era muito assustador apesar da quantidade nítida de intervenções cirúrgicas, mas as tatuagens coloridas com nome de pessoas e desenhinhos na pele branquíssima davam um ar meio underground-decadente. Não é uma pele branca Grace Kelly, é uma pele branca de dermatologista ruim.
Depois de alguns dias encontrando com a criatura em modelitos cada vez mais nonsense, reparei que conhecia o que sobrou daquela cara - é uma ex-global! Meu Deus, o que aconteceu com a mulher? A boca dela tem o contorno mais escuro do que os lábios preenchidos com sei-lá-o-quê, os olhos e a testa têm uma textura que não combina com o pescoço e, socorro, a sobrancelha dela, grossa, não tem pêlos! É de lápis de cera, rolha queimada, carvão, um troço assim! Coitada da mulher.
Fui chegando perto porque não consegui me conter, precisava saber se ela fala, respira, alguma coisa a mais. Ela fala, estava contando para o professor que um dia usou o anel Antonio Bernardo para dar um soco na cara de uma pessoa que se aproximou. “Meu psiquiatra diz que eu não posso ser molestada”. Silêncio. “Assim, abordada pelas costas, sabe?” Ahan, três séries de dez.
Coitado do homem. Uma conversa de academia que começa com “meu psiquiatra diz” pode ser mais bizarra do que maquiagem definitiva.
15.1.07
13.1.07
Todo se transforma
É tão bom poder de novo deixar o som do John Coltrane invadir a casa. Bom poder passear por Santa Teresa, subir as ladeiras de paralelepípedo para comer moqueca e ir a lugar nenhum de bonde só por ir, a preocupação é se vai chover e não se vai aparecer alguém. É bom ir de novo até a Cadeg e encher a casa de flores, quaisquer flores, e até ter de novo um girassol no parapeito sem doer.
Se soubesse não teria jogado tanta coisa fora. Se soubesse teria chorado menos. Agora até poderia comer waffles no café durante uma semana por não saber calcular a massa, mas comeria. Poderia ter os olhos ardidos até acabar de montar o quebra cabeças, mas montaria. Poderia viajar em fotos antigas com uma nostalgia inofensiva. Se não tivesse chorado tanto talvez hoje eu ainda não soubesse e chorasse escondida.
Acreditei nunca mais ser capaz de ler Drummond, sofrer a cada domingo de Manhattan Connection sem debate à noite e fechar os olhos durante os créditos dos filmes só para não avaliar sozinha a originalidade de cada um. Foi quando esqueci de lembrar dessas miudezas que entendi que poderia encher de novo os pneus da bicicleta.
É tão bom esperar a hora da fornada para ir à padaria. “Tava sumida, dona!”. Estou bem, seu Inácio, e quero um pãozinho só porque agora a parede do banheiro vai voltar a ser pistache. Eu realmente gosto mais do que esse lilás encobridor de sentimentos. Não é uma questão de pão francês nem de cor, é de tempo e vontade, de determinação e de fé, de vida e morte.
Tem alguma coisa na superação que faz ser ruim ver que tudo passa, torna o que era enorme tão pequeno. E aí como se faz? Porque não parecia. Vai ver não era. Vai ver é melhor assim.
Tu beso se hizo calor
Se soubesse não teria jogado tanta coisa fora. Se soubesse teria chorado menos. Agora até poderia comer waffles no café durante uma semana por não saber calcular a massa, mas comeria. Poderia ter os olhos ardidos até acabar de montar o quebra cabeças, mas montaria. Poderia viajar em fotos antigas com uma nostalgia inofensiva. Se não tivesse chorado tanto talvez hoje eu ainda não soubesse e chorasse escondida.
Acreditei nunca mais ser capaz de ler Drummond, sofrer a cada domingo de Manhattan Connection sem debate à noite e fechar os olhos durante os créditos dos filmes só para não avaliar sozinha a originalidade de cada um. Foi quando esqueci de lembrar dessas miudezas que entendi que poderia encher de novo os pneus da bicicleta.
É tão bom esperar a hora da fornada para ir à padaria. “Tava sumida, dona!”. Estou bem, seu Inácio, e quero um pãozinho só porque agora a parede do banheiro vai voltar a ser pistache. Eu realmente gosto mais do que esse lilás encobridor de sentimentos. Não é uma questão de pão francês nem de cor, é de tempo e vontade, de determinação e de fé, de vida e morte.
Tem alguma coisa na superação que faz ser ruim ver que tudo passa, torna o que era enorme tão pequeno. E aí como se faz? Porque não parecia. Vai ver não era. Vai ver é melhor assim.
Tu beso se hizo calor
Luego el calor, movimiento
Luego gota de sudor que se hizo vapor
Luego viento que en un rincón de la rioja movió el aspa de un molino
mientras se pisaba el vino que bebió tu boca roja
Jorge Drexler
Jorge Drexler
10.1.07
O que é que a vida vai fazer de mim? (ou Cariocas não gostam de dias nublados)
Um bom passatempo para os dias de chuva é ler cuidadosamente os jornais que me chegam junto com o pãozinho fresco no café. "Zoológico australiano coloca pessoas em jaulas para criar conscientização sobre o aprisionamento de primatas". Bom... "Casal líder da Igreja Renascer é preso com dólares até na Bíblia". Ave Maria... "Moradores de vila na Índia batizam todas as crianças de Saddam Hussein". Opa, e olha quem está aqui, Daniela Cicarelli, há quanto tempo! Anunciando algum produto? Não. Estreando programa novo? Também não. Então está fazendo o quê na primeira página, querida? Ah, tirando o You Tube do ar! Bacana.
Ela diz que não sabia, que a ação foi movida pelo namorado. Cica, avisa ao seu namorado que a internet é feita pelos usuários. O You Tube deve ter controle sobre seu conteúdo? Sim. O vídeo pornô com direito a ajeitadinha no biquíni só está disponível lá? Não, suas antas! Se a memória não me falha (porque o sex on the beach já foi há uns 3 meses), Miss Cicarelli respondeu o seguinte ao Marcos Mion no VMB, quando ele sugeriu que o público pensasse nas eleições e outros assuntos mais relevantes: “não acredito, vocês vão tomar conta das suas próprias vidas e deixar eu viver a minha em paz? Muito obrigada!” Essa idéia estúpida de bloquear o site de maior crescimento nos últimos tempos e de grande apelo junto ao público da apresentadora só me fez lembrar novamente do assunto e chegar a uma conclusão – a filmagem começa bem, sexy e bonita, mas acaba over-exposed e vulgar. Exatamente como tudo que a moça se envolve. Vida dura, né, Cica?
E de repente eu me vejo gastando linhas e linhas falando isso? É demais, logo hoje que começou o BBB7! E tudo para chegar na notícia mais importante: “O autoproclamado principado de Sealand está à venda”. Sealand é o menor Estado do mundo, fica no meio do oceano, a leste da Inglaterra, e ocupa uma antiga plataforma da Segunda Guerra. Tem vista infinita do mar, tranqüilidade garantida e nada de impostos.
Em 1967 um ex-major do exército britânico juntou a família e ocupou a plataforma. Declarou que, por estar localizado em águas internacionais, Sealand podia ser considerado um Estado, e se autoproclamou "príncipe". Agora está vendendo por 10 milhões de libras. Uhn, um pouco caro... Mas talvez eu possa autoproclamar um Estado! Ficaria ótima de rainha. Levaria os amigos, já teria bobo da corte e de repente aumentam até as chances de aparecer um príncipe! Tenho que lembrar de fundar uma cocheira para o cavalo branco. Pela minha lei a gente é obrigada a ser feliz.
Com licença, vou tirar folga nos próximos dias para me dedicar à criação da minha Constituição, bandeira, moeda oficial e, claro, definição de feriados nacionais. Será que o Chico Buarque aproveitaria a turnê no Rio e aprovaria o hino?
Sim, me dê a mão
Ela diz que não sabia, que a ação foi movida pelo namorado. Cica, avisa ao seu namorado que a internet é feita pelos usuários. O You Tube deve ter controle sobre seu conteúdo? Sim. O vídeo pornô com direito a ajeitadinha no biquíni só está disponível lá? Não, suas antas! Se a memória não me falha (porque o sex on the beach já foi há uns 3 meses), Miss Cicarelli respondeu o seguinte ao Marcos Mion no VMB, quando ele sugeriu que o público pensasse nas eleições e outros assuntos mais relevantes: “não acredito, vocês vão tomar conta das suas próprias vidas e deixar eu viver a minha em paz? Muito obrigada!” Essa idéia estúpida de bloquear o site de maior crescimento nos últimos tempos e de grande apelo junto ao público da apresentadora só me fez lembrar novamente do assunto e chegar a uma conclusão – a filmagem começa bem, sexy e bonita, mas acaba over-exposed e vulgar. Exatamente como tudo que a moça se envolve. Vida dura, né, Cica?
E de repente eu me vejo gastando linhas e linhas falando isso? É demais, logo hoje que começou o BBB7! E tudo para chegar na notícia mais importante: “O autoproclamado principado de Sealand está à venda”. Sealand é o menor Estado do mundo, fica no meio do oceano, a leste da Inglaterra, e ocupa uma antiga plataforma da Segunda Guerra. Tem vista infinita do mar, tranqüilidade garantida e nada de impostos.
Em 1967 um ex-major do exército britânico juntou a família e ocupou a plataforma. Declarou que, por estar localizado em águas internacionais, Sealand podia ser considerado um Estado, e se autoproclamou "príncipe". Agora está vendendo por 10 milhões de libras. Uhn, um pouco caro... Mas talvez eu possa autoproclamar um Estado! Ficaria ótima de rainha. Levaria os amigos, já teria bobo da corte e de repente aumentam até as chances de aparecer um príncipe! Tenho que lembrar de fundar uma cocheira para o cavalo branco. Pela minha lei a gente é obrigada a ser feliz.
Com licença, vou tirar folga nos próximos dias para me dedicar à criação da minha Constituição, bandeira, moeda oficial e, claro, definição de feriados nacionais. Será que o Chico Buarque aproveitaria a turnê no Rio e aprovaria o hino?
Sim, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da saudade
Acho que a gente nem tinha nascido
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