13.3.07

Criptonita

Se você estivesse aqui eu não estaria tão sozinha. Não estaria com a luz apagada para esconder minha cara inchada. Não estaria abracando o travesseiro, não estaria sendo amparada pelo cachorro. Se você estivesse aqui eu não consumiria tantas tarjas-pretas. Não comeria tantas bombas de chocolate. Não trocaria o dia pela noite. Se você estivesse aqui eu não deletaria tantas frases, não pensaria em parar, não me incomodaria com tão pouco.
Se você estivesse aqui eu não ficaria entrando em igrejas sozinha, não frequentaria palestras em centros espíritas, não leria horóscopos na esperança dos astros mudarem minha vida. Se você estivesse aqui eu não estaria descuidada, não teria o peso errado, não acharia que o supérfluo parece inútil. Se você estivesse aqui eu teria quem me tirasse da cama, alguem que me pusesse para dormir, que me acordasse dos pesadelos. Se você estivesse aqui eu estaria gargalhando das bobeiras que você causa, sorrindo nas nossas conquistas e alardeando nossos planos. Com você aqui eu saberia responder o que me perguntam, explicaria o que ninguém entende, justificaria a decisão de continuar.
Com vocâ aqui eu também choraria, mas conseguiria parar. Também temeria, mas saberia me incentivar. Se você estivesse aqui eu não estaria olhando as pessoas na rua e pensando como elas estão bem apesar de tudo. Não sentiria o mundo sobre mim. Não despertaria esse sorriso de compaixão ao confessar a sua falta e perguntar por você - Pelos poderes de Greyskul, onde está a minha força?

11.3.07

De novo. Não! Outra vez.

Estava ruim. Ruim.
Alguma coisa incomodava, eu não conseguia ser louca por ele. Por mais que ele se esforçasse, que o host fosse melhor, que a fonte fosse maior, a verdade é que nunca esteve tudo maravilhosamente bem, nunca me senti 100% à vontade. É tão ruim perder alguém. Ok, alguma coisa. O antigo era tão eu, tivemos tantos bons momentos, já nos conhecíamos, crescemos juntos, parecia que ele me ajudava, eu me sentia segura lá, conquistamos coisas juntos! Seu Martin 1 não precisava acabar. Mas acabou... Esgotei o espaço dele, esgotei minha paciência de resolver, fim. É: fim. E a solução não era procurar um parecido para substituir, certamente não daria certo, aquele já era porque sempre tem um motivo qualquer para já não ser mais então o certo é bola pra frente, the show must go on, leite derramado, essas coisas. Não substituir, continuar. Mas de cabeça fria. E parece que agora dá! Sem birra, sem achar que nunca mais, sem dizer que não vai se apegar porque essas coisas de internet são todas iguais, um dia dão um bug e você perde tudo mesmo. Tem que ser infinito enquanto durar, certo? A vida imita a arte, a arte imita a vida e a web é a mesma coisa. Ainda estamos falando sobre blogs?
A primeira decisão foi instituir a paz - vamos ser bem-resolvida, se existiam coisas boas quero aqui o que der para trazer. Meus textos antigos! Sim, vou republicá-los. A segunda foi jogar tudo que soava estranho fora e começar de novo. Feng-shui. Uma vez, duas, três, quantas vezes forem necessárias para dar certo. Mas com boa-vontade, sem me enganar que está tudo bem e continuar sentindo aquele desconforto. Eu gosto de cinema, eu gosto de imagens, eu gosto de azul, eu posso fazer dele mais a minha cara. Agora está melhor. Êêêê!
Então vamos de novo. E se você já tinha se apegado àquele, lamento. Isso passa, veja o novo com bons olhos.
Seja bem-vindo.

9.3.07

Apenas mais uma de amor

Então a gente combina assim: eu te pego no colo quando você precisar e você segura a minha mão para eu agüentar a dor. Uma vez por semana você ensaia com a banda, é nesse dia que eu janto nos meus pais. Eu almoço com as meninas sempre que você jogar futebol só para podermos emendar no choppinho pós-pelada e clube da Luluzinha. Nós vamos alternar os dias em que chegamos irritados do trabalho e quando isso coincidir vamos lembrar porque eu insisti no ateliê e você gastou uma fortuna na esteira. Eu vou sempre ter lingerie nova e você nunca vai saber que para ser essa delícia eu gasto horas com depilação e massagem. Você vai sempre acertar o cesto da roupa suja e nunca vai sentar na frente da TV de Ryder e regata. Nem sempre eu vou lavar a louça de salto alto, mas você vai sempre me agarrar por trás e beijar meu pescoço. Nem sempre você sair atrasado comendo pelo caminho, mas eu vou sempre pular no seu pescoço para me despedir. Você vai saber que eu quase sempre finjo ser forte e eu vou saber que muitas vezes você não passa de um menino. Você vai viajar e eu vou morrer de saudades, eu vou virar a noite no trabalho e você vai dormir mal até eu chegar. Você vai pedir para eu usar aquela roupa que me deixa linda e eu vou transformar seu armário numa arara de desfile. Eu vou correr para te contar cada novidade e você vai pensar no que eu diria a cada decisão que tomar. Você vai sempre insistir que eu sou melhor sem maquiagem e eu vou sempre pedir para você não fazer a barba. Você vai ficar desesperado porque eu estou chorando e eu vou te abraçar até você desabafar. Você vai sempre lembrar de mim e ficar feliz no meio do dia e eu vou sempre te mandar uma mensagem dizendo que te amo. Você vai sempre me fazer rir e eu vou ser sempre seu passatempo preferido. Você vai se irritar de mentira com meu sentimento de posse e eu vou jurar que acho ótimo você não ser ciumento. Eu vou secretamente escolher o nome dos bebês e você a escola, cursos de língua e países para intercâmbio. Eu vou sempre comprar o pão de centeio que você gosta e você vai virar chef de tanto testar as receitas que eu amo. Eu vou ser sempre a sua melhor amiga, você vai ser sempre meu porto seguro. Eu vou te procurar em todas as partes desse mundo, você vai ter certeza que sou eu quando me achar. E quando nos encontrarmos eu nunca mais vou olhar o relógio e você nunca mais vai virar as páginas do calendário para não desandar.

Originalmente publicado no Seu Martin 1, em 03/07/06.

8.3.07

Do you need anybody?

um técnico de informática
um massagista
um guru
um homem com coragem
um bom salário
um plano de saúde
uma passagem aérea
Pontes entre os arquipélagos
Love.
All you need is love.
tribuneiros.com

Você está linda

Dia internacional da mulher. Uma rosa para aquela que acorda cedo para levar o filho à natação, corre para o escritório da multinacional onde trabalha, vai ao pilates na hora do almoço, chega em casa a tempo de fazer companhia ao marido e dorme depois de passar todos os cremes anti-rugas do mercado.

Ali perto, nas favelas de refugiados de Darfur, as mulheres também saem de casa todos os dias – precisam buscar lenha. Os homens não podem ir porque correm o risco de serem assassinados, e elas enfrentam a campanha sistemática de estupros que aterroriza os civis. Suas vizinhas de mundo cuidam de outras casas, casas talibans onde as janelas são pintadas para que elas nunca sejam vistas. Não podem trabalhar, as que não têm marido ou parentes homens são deixadas nas ruas para esmolar ou morrer de fome, mesmo que tenham doutorado. Feliz Dia Internacional da Mulher!

51% das mulheres brasileiras são mães. Uma pesquisa sobre emprego revelou que quase 30% dos lares são atualmente chefiados por mulheres nas nossas 6 principais regiões metropolitanas. 1/3 dessas mães não são casadas. Ah, as mulheres “Sex and the City”! Não exatamente essas da pesquisa, que estão longe de ser jovens profissionais bem remuneradas e consumistas que escolheram viver sozinhas. Quase 80% dessas mulheres vivem com até 3 salários mínimos e possuem só 8,7 anos de estudo. Mas elas estão ali, comprando seus cremes Avon e sonhando com um elogio dele.

Você achando que eu ia falar sobre como mulher é forte apesar de acreditar em tudo, como sofre na depilação, chefia marido, filho, equipe e academia... Mulher é ótimo, pelo menos pode chorar em público. Porque mulher é fresca, não é? E mulher nervosa? É TPM. Ou precisa de um homem que dê um jeito nisso. Homem, aliás, é sempre a solução que eles, homens, acham para tudo que diz respeito a nós, mulheres. Mulher quer é casar, mas desse jeito, independente, não vai arrumar marido. E para eles não tem tragédia maior nas nossas vidas.

Pelo visto, ou pelo IBGE, tem. Ou será que não? Talvez essas chefes dos 30% de lares brasileiros sejam felizes de verdade. Talvez a dor nas costas passe quando o Wellingtonzinho for chamado para o time de futebol e largar essas más companhias, quando a Danyellinha conseguir o diploma, quando sortearem o cupom dela na promoção do programa da Ana Maria Braga. Mulher é um bicho complicado, mas fica feliz com pouco. Um comentário sobre o cabelo novo, por exemplo, é uma declaração de amor que vale o dia.

Talvez essas senhoras de Havaianas no pé porque é mais prático e não porque é moda se igualem às senhoras do Leblon na bem versada herança genética que as faz idolatrar os ícones do cafajestismo. E na culpa, isso sim, característica intrínseca ao universo feminino. Esse detalhe o mundo moderno ainda não resolveu. Mas deixa que elas dão um jeito. Sempre dão.

Uma orquídea para vocês, mães africanas que largam os filhos no acampamento para buscar lenha e mães cosmopolitas que largam os filhos nos sonhos de criança porque não deu tempo de tê-los. Rosa já está muito batido.

7.3.07

O problema do Coelho da Alice

Ainda bem que acabou o horário de verão. Tudo nesse período me deixa mais feliz, menos o problema que ele cria com as horas em si. Não é o que você está pensando, e quando eu revelar o motivo você também vai gostar de estar escuro às seis e meia.
Tenho uma certa dificuldade em ver horas em relógios sem número. Admito. Claro que eu sei onde estão o 12, o 3, o 6 e o 9 e isso dá uma ajuda boa, mas quando são só tracinhos ou bolinhas preciso fazer uma conta silenciosa para identificar os outros números e isso faz com que a resposta demore e o pobre sem relógio fique me olhando como se eu estivesse paralisada. Foi então que, assumindo essa falha em mim, fiz uma grande descoberta. Hoje em dia todo mundo tem celular, logo, não há no mundo conectado desculpa para alguém não saber as horas. Ou seja: só perguntam para checar se o outro também demora a responder! Ninguém sabe bem ver as horas!
Existem casos de pessoas que nunca dizem “são seis e meia” com medo de ser meio-dia e o relógio estar de cabeça para baixo. Está pensando em outras possibilidades de riscos assim? Fique calmo, já investiguei, há pouco perigo. 7h05 e 1h35, por exemplo. Se você não for muito burro, vai saber se colocou o relógio certo porque a luz é diferente nesses horários. O problema é mesmo às seis e meia e especificamente no Rio, onde o maçarico solar fica ligado das seis às nove da noite.
Ah, o Coelho da Alice? É por isso que ele vivia atrasado no País das Maravilhas! Não tinha celular. Enfim, agora a paz voltou a reinar por aqui. Meio-dia, sol a pino na cabeça. Ou sol a pino, meio-dia na cabeça, tanto faz. O que não tanto faz é o modelo do seu relógio – digital de camelô não, ok? Usa um relógio bacana. Todo mundo só vê as horas no celular mesmo...

5.3.07

Mind the gap

Ninguém disse que seria fácil.

Esquece que só sentar levou meses? Engatinhar antes de andar causou hematomas. Não conseguir se fazer entender foi quase sufocante. Mas você seguiu dentro do esperado, maternal-colégio-faculdade, conhecido-amante-ex, estudo-estágio-emprego. Difícil foi quando acabaram as placas e a estrada deixou de ser reta. Medo-grito-choro-passos. Difícil foi a hora em que acabaram as pistas, ou foi aprender a se guiar por outras pistas. O será que é isso. O mas quem diria. Difícil foi quando deixou de ser fácil, quando você esqueceu que nunca foi fácil, ou quando percebeu que fácil é o que já foi.

Difícil é o que não te contam. Não te contam que você vai cair, e você vai, e levanta para cair de novo! Só levantam aqueles que têm quem segure, quem dê um sorriso compreensivo, pegue no colo, coloque de pé e se afaste para estimular que continue o teste, ou levantam-se todos porque é assim que fomos programados? Eles estão ali, batendo as mãos na frente da criança como incentivo, mas não dizem como conseguem andar. Eles não dizem nada. Não dizem que sofrem, que está uma merda, que talvez não dê, que foi feio, que está doendo, que é ilegal, imoral, indevido, impensável, impossível mas que acontece aqui mesmo, nas tais melhores famílias. Ninguém diz e ninguém vê e ninguém progride. Poucos progridem. Como progridem?

Naquele época de passos de dinossauro e choro fácil não falavam para você sobre coragem. Que coragem é seguir para qualquer direção. Coragem é dizer não. É ver partir e recomeçar. Coragem é ser humano e fraquejar, se levantar, superação, entrega, pausa para tomar fôlego, é pedir ajuda, é assumir, delegar. Não contaram que você não teria certeza, simplesmente não teria certeza! Não contaram que você erraria, que mesmo que acertasse outro erraria e não, o mundo, esse aqui pelo menos, não é justo, e você pagaria mesmo que acertasse? Para alguns só ensinaram que alguém vai fazer, justamente esses para quem ensinaram que tem que fazer.

Não ensinaram que coragem é decisão? Mas decidir fugir não. Fugir não é uma opção, descer do trem, sair da brincadeira, Ctrl+Alt+Del, fugir é adiar. É jogar na mão dos que vão fazer, até que nessa brincadeira de batata-quente o objeto se espatife. Para estar aqui não tem jeito, você já está, dá um jeito.

Ninguém disse que seria tão difícil.

Não te contaram sobre esse enorme espaço entre o que você esperava e o que apareceu. Coragem é equilíbrio porque viver, não te contaram? é um eterno aprender a andar.

Me contaram que life is not about finding, is about creating.

2.3.07

Moleskines


"Do you mind if I use my notebook?" I asked
"Go ahead."
I pulled from my pocket a black, oilcloth-covered notebook, its pages held in place with an elastic band.
"Nice notebook," he said.
"I used to get them in Paris," I said. "But now they don't make them any more."
"Paris?" he repeated, raising an eyebrow as if he'd never heard anything so pretentious.Then he winked and went on talking.


Van Gogh, Gertrude Stein e Hemingway faziam suas anotações de viagens em caderninhos pretos. Eu faço em Tribuneiros.com

28.2.07

O melhor do mau humor

Internet Wireless
Vizinhos
Calor de 40 graus
Pessoas que não respondem emails
Desenvolvimento econômico do Brasil

"Desfrute seu dia até que um imbecil o estrague".

Woody Allen
Novo projeto do Scorsese com Mick Jagger
Ipod
Amigos desempregados
Fluoxetina

26.2.07

Gold stars

Eu vou falar sobre NY, mas antes tenho que passar por Hollywood porque lá estavam o Coppola, Spielberg e George Lucas com cara de quem combinou uma surpresa para um amigo. O amigo era o Marty, o Scorsese de Taxi Driver, Casino, Goodfellas e finalmente de Os Infiltrados. Foi a melhor parte da festa, não só por “corrigir uma injustiça histórica”, clichê preferido do Oscar, mas por imaginar aqueles quatro juntos numa conversa informal. Sobre o que falam Spielberg e George Lucas depois de uma partidinha de golfe? Nem sei se os caras jogam golfe, mas adoraria ser a mosquinha que participa desse momento.

And the Oscar went to him. "I just want to say too that so many people over the years have been wishing this for me. Strangers. You know, I went walking in the street, people say something to me. I go in a doctor's office, I go in a whatever (...) "you should win one." I'm saying thank you. This is for you”.

Mais cedo, emocionado, Forest Whitaker, de aplaudir de pé em um dos melhores filmes da temporada fazendo o público sentir carinho por um dos piores ditadores o mundo, agradeceu como sugerido pela Ellen DeGeneres, apresentadora da festa - Não é que não tenhamos tempo para os discursos, não temos para discursos chatos, então falem sobre sua infância no Bronx, mesmo que você nunca tenha ido ao Bronx. Fica legal! - E assim ele fez: “Because when I first started acting, it was because of my desire to connect to everyone. To that thing inside each of us. That light that I believe exists in all of us. Because acting for me is about believing in that connection and it's a connection so strong, it's a connection so deep, that we feel it”. Foi merecido, assim como o prêmio para Helen Mirren, rainha num filme que, não fosse por ela, por mim poderia ter passado só na HBO. Quando a Toni Collette vai ser reconhecida?

A noite elegeu Al Gore; Jack Black, John C. Reilly e Will Ferrel, para variar, me fizeram cair da cadeira de tanto rir; Miss Sunshine ganhou melhor roteiro, que é a categoria do meu coração; não vi Dreamgirls mas sei que vou adorar porque a Beyoncé naquele figurino é um espetáculo; os tomara-que-caia das mulheres continuam sendo um mistério para mim – como os melhores costureiros fazem vestidos que achatam os peitos não-siliconados? – mas gostoso mesmo foi ver a abertura Apple-style da cerimônia, com os indicados em fundo branco falando descontraidamente (oh my God, Abby, you were nominated for an Oscar!).
Vejam no behind the scenes

Every time you go to a movie is a blind date”.
Já que as vinhetas tinham frases clássicas deliciosas de filmes, acrescento aqui as minhas, tiradas da noite de ontem. Não posso creditar, não sei quem disse.
It´s a good life to be allowed to write some songs and spread some hope and some joy and some humor around. It´s not so bad, I´m pretty lucky”.

There is no people like show-people, por isso não perco uma premiação!

PS – E não é que Borat tem jeito de galã? Tempos modernos...

Para continuar no clima, promo do Spike Lee.

16.2.07

Pra canoa não virar

Reflexões sobre o ano pós-Carnaval 2006. Ali escrevi:

“Desde que a mulata bossa nova caiu no huly-guly e só dá ela na passarela vale a máxima do vou beijar-te agora, não me leve a mal que hoje é Carnaval. (...) São 361 dias de perfeccionismo, dor de cabeça e estômago queimando de tanto sapo que se engole, uma fortuna gasta no divã para não infartar aos 30 anos e no primeiro acorde do cavaquinho se começa a entender que a vida tem que não ser séria por 4 dias.

Não vai dar, não vai dar não, você vai ver a grande confusão. Essa história de quero todas não me leve a mal hoje eu tô bebendo mais não me faz correr atrás. Eu sou a filha da Chiquita Bacana, não entro em cana porque sou família demais! Até a próxima letra... Chiquita Bacana lá da Martinica? Existencialista com toda a razão, só faz o que manda o seu coração. Menina vai, com jeito vai, senão um dia a casa cai. Então tá combinado! As águas vão rolar e garrafa cheia eu não quero ver sobrar, estou aprendendo que sem sassaricar essa vida é um nó, o negócio é seguir a turma do funil: todo mundo bebe mas ninguém dorme no ponto. Ô abre alas que eu quero passar!Se dá alegria faz também sofrer, ô balancê balancê quero dançar com você, se você fosse sincera veria que eu fiz tudo pra você gostar de mim, oh meu bem não faz assim comigo não, você tem que me dar seu coração. No Carnaval, band-aid tapa até buraco no peito. Essa história de gostar de alguém já é mania que as pessoas têm. A gangue só me chama de palhaço e a minha colombina que é você só quer saber de iê iê iê.

Ai, ai, ai ai, está chegando a hora, o dia já vem raiando, meu bem, eu tenho que ir embora pro resto da vida de todo dia. Só falta um ano pro próximo Carnaval, vou fazer o possível para não esquecer o refrão. Agora é esperar a apuração mas pra mim o clima de viver intensamente 4 dias mesmo sabendo que tudo vai acabar na 4a feira de cinzas é campeão!”*

Não esqueci o refrão, a canoa não virou, eu chego láááá.

*publicado em fev/06 -
Seu Martin 1

14.2.07

Fundamental é mesmo o amor

- So the final question is: Why do people want to fall in love when it can have such a short run and be so painful?
- Propagation of the species?
- We need to connect with somebody.
- Are we culturally preconditioned?
- Good, but too intellectual for me. l think it's because, as some of you may already know ... While it does last, it feels fucking great.

Texto de O Espelho tem duas faces, ilustração de Freud by Warhol e consequências em Tribuneiros.com

12.2.07

Os musicais da Bróduei

Prendedor de cabelo, flores de crochê, benjamins e adaptadores, frutas, fantasias de Carnaval, sandálias, camisas de salva-vidas com a frase “Afoguem as feias”, óculos escuros, brinquedinhos e CDs. Elas não deixam de usar salto fino porque agarra nos buracos, mas porque acham realmente bonitas as plataformas enormes; as calças parecem ter sido compradas um tamanho menor para marcar bastante as imperfeições do corpo e a calcinha; as tonalidades de louro dos cabelos, se os laboratórios tentassem, não conseguiriam criar. Eles não disfarçam o olhar para nenhuma mulher que passa, cantam pagodes e vestem tênis gigantescos com calças jeans claras. No elevador, em 99,9% das vezes o assunto é futebol – “E o Romário, hein? Mermão, desse jeito vai ter que contar os gols do pleisteixom para chegar ao mil”.

Entre o Theatro Municipal, a Câmara Municipal, o Museu Nacional de Belas Artes e a Biblioteca Nacional, mendigos dormem na praça que poderia ser um cartão postal. Falou no celular na rua, há enormes chances de um moleque saltar na sua orelha e correr entre os carros antes que você perceba que foi roubado. Ao cair o primeiro pingo do céu, “sombriiiinha, 5 reais”. Mas preste atenção porque o pingo pode ser dos aparelhos de ar-condicionado. Dos milhares de cinemas que batizam a região - Odeon, Império, Pathé, Capitólio, Rex, Rivoli, Vitória, Palácio, Metro Passeio, Plaza e o Colonial (deve ser por isso que eu gosto daqui) - os que não resistiram viraram igrejas evangélicas ou exibem filmes pornô, clientela fiel desde 10 da manhã nos dois casos. Seis da tarde, cada bar espalha suas mesinhas pela calçada e aí “amor, trabalhei até tarde hoje”! É sempre sexta-feira. Sendo que na sexta-feira mesmo a fumaça dos churrasquinhos não perdoa patrão nem empregado.

Entre lojas de R$1,99, restaurantes a quilo para todas as classes, pirataria escancarada pelas calçadas, encontrões na multidão e elevadores entulhados de trabalhadores encalorados, entro nas Lojas Americanas e me pego cantando a música que vem das TVs de 2 mil reais. Vai / E avisa a todo mundo que encontrar / Que existe ainda um sonho pra sonhar...
Acústico do Roupa Nova. Você é pessoa que nem eu / Que sente amor / Mas não sabe muito bem/ Como vai dizer...

O Centro da cidade pode ser desesperador.

8.2.07

Danco eu dança você

Eu tinha 16 anos quando ele me disse: eu gosto de você, mas acho que agora quero ficar sozinho. Ficar sozinho não significava viver em um chalé na montanha com vários livros, estava mais para festas e boites da moda com milhares de garotas que esmagavam as mãos das amigas quando ele virava de costas e piscava para os cúmplices. Quem ficou sozinha fui eu. Não em um chalé na montanha com livros, mas na minha cama com lenços de papel e música pop no fundo. A pior lembrança é a das músicas.

Talvez tenha começado antes. Eu tinha 15 anos quando disse para ele que não queria namorar. Eu detestava o cara, eca! E, como estava desprezando um garoto lindo e apaixonado por mim que carregava uma caixa de bombons, Santo Antônio resolveu me castigar. Desde então, de tempos em tempos, alguém abaixa a cabeça e me diz com tom de sofrimento - eu gosto de você, mas acho que agora quero ficar sozinho. Às vezes ainda nem está na hora do querer ficar sozinho, mas quando o cara diz o “gosto de você”, eu já pego a bolsa e saio de cena para poupar tempo.

Ah, se eu tivesse comido aquela caixa de bombom e guardado os papeizinhos na agenda... Hoje minha vida seria outra! Eu não seria essa pessoa independente, descolada, segura de si, freqüentadora do melhor cabeleireiro, dona do armário mais invejado da cidade e cheia de amigos gatos e que acha que mulheres que esperam o homem perfeito que faz suas pernas tremerem e te dá muita segurança são loucas.

Eu seria uma daquelas mulheres que julgo que nunca vão saber. Andaria com os braços do meu marido ao redor dos meus ombros, acharia que boites são muito barulhentas e que bebida é vinho no jantar na casa da serra. Faria hidroginástica e bolos de laranja, nunca dirigiria à noite nem compraria lingerie na Verve. Eu morreria de inveja das minhas amigas descoladas, independentes, seguras de si e cheias de amigos gatos. Eu acharia que mulheres que esperam o homem perfeito que faz suas pernas tremerem e te dá muita segurança são loucas.

6.2.07

A girl in a bar e os rescuer-guys

Sentei na frente da TV às 21h55 para esperar o episódio começar. Não tenho a menor idéia da última vez em que fiz isso, e não porque eu não amasse Grey´s Anatomy ou Lost até ontem, mas porque não lembro como era a vida sem um DVR ou Limewire e etc. Esperar a hora da série começar? Esperar pelos intervalos? Esperar o canal decidir quando estréia? Eu fiz isso. E precisava escrever sobre isso hoje, mas não sabia o que nem o porquê já que esse blog não é meu querido diário.

Por que Grey´s Anatomy ganha todos os prêmios e honras? Procurando a frase, a cena, o sentimento que explicasse o que me fez esperar meses pela nova temporada, vi que nada isolado fazia muito sentido, não foi um episódio de tirar o fôlego. Entrei no blog da Shonda Rhimes. Sim, eu leio o blog da criadora da série, freak. E lembrei de quando Meredith e McDreamy se conheceram no bar numa noite qualquer sem nem imaginar o que estaria por vir.

- Você não pode me ignorar, precisa me conhecer para me amar.
- So if I know you, I’ll love you?


É isso.
Ontem falaram sobre tempo, estar preso em um momento, querer voltar atrás, ver que podemos ter demorado demais, pensar se ainda dá tempo. E sobre o mérito de dizer eu te amo. São coisas de todo o dia. Não que todo o dia tenhamos que decidir entre quem nos faz bem e quem nos faz mal, que seguir adiante, pagar um preço, encarar... ou sim, vivemos isso todos os dias e sofremos em maior ou menor escala e ninguém é muito original, seja isso bom ou ruim.

Mas não é todo dia que o Chris O´Donnel joga na nossa cara que o Mc Dreamy que faz nossas pernas balançarem não é uma coisa boa como ele é, nem é todo dia que aparecem pessoas-resgate-Chapolin-Colorado assim. “You know, rescuer-guys, right? They’re the ones who are determined to break through the scary/damaged barrier we dark and twisty girls put up. São a coisa real, homens-resgate são os caras com quem casamos. Os caras com quem deveríamos casar. Mas aí existem os McDreamys do mundo…”

Aí eu parei de ler. Que besteira adolescente, ler blogs, quem é Shonda? Humpf...

1.2.07

Ma che?!

Apóie a guerra do Iraque, seja internacionalmente conhecido como corrupto, lidere um partido de extrema-direita mas nunca, sob hipótese alguma, dê em cima de outra mulher. E quando me magoar, peça desculpas.

Ele foi primeiro ministro da Itália e é a 37ª pessoa mais rica do mundo. Ela? Uma atriz de filmes B. Enquanto ele é sensacionalista e polêmico, ela é low profile, nunca sai de casa e um dia, linda e loira com os 3 filhos, viu na imprensa o marido em uma premiação falando para uma convidada: "Se eu não fosse casado, casaria com você imediatamente. Com você iria a qualquer lugar".

Verônica ficou muito brava com a gracinha, mas ele não se desculpou. Então ela pensou que já estava há tempo demais “sendo obrigada a superar com respeito e discrição os inevitáveis altos e baixos que uma relação conjugal traz”. Dessa vez sua dignidade estava em jogo e ela decidiu ensinar aos filhos a maneira certa de se tratar uma mulher, então escreveu uma carta para o marido exigindo desculpas. Quem já não escreveu linhas e linhas de desabafo? A diferença entre essa carta e as nossas é que ela publicou na capa de um dos principais jornais do país, que inclusive faz oposição a Berlusconi, seu amado esposo.

Assassinato? Divórcio? Internação? Nananinanão. Ele, através do seu partido, que inclusive ela não apóia, divulgou uma resposta. "Perdoe-me, imploro-te. E tome esta minha resposta à sua fúria como um ato de amor. Um de muitos. Sua dignidade é um tesouro para o meu coração, mesmo quando faço piadas irresponsáveis".

Desconfio de que há 27 anos ele deixe a toalha molhada em cima da cama, ou não abaixe a tampa do vaso, ou nunca repare que ela mudou o cabelo, e que essa cantada pública possa ter sido somente a gota d´água. Se não foi isso, só pode ter uma outra explicação:

( ) As empresas de mídia, entretenimento e os bancos dele estão no nome dela
( ) Ela é o verdadeiro cérebro do casal
( ) Quem tem ligação com a Máfia é ela e não ele
( ) Por trás de um grande homem há sempre uma mulher com um chicote na mão
( ) Ela tem um dossiê que prova que ele faz xixi na cama
( ) A macumba da nega é boa
( ) Nenhuma das Respostas Anteriores (mas quero ser Verônica quando crescer)

31.1.07

Colombina, onde vai você?


"Vou lhe contar um segredo: ainda não decidi se um dia esbarramos em alguém e pronto, nos apaixonamos mesmo contra a nossa vontade, ou se podemos viver esbarrando com gente por aí, mas se não abrirmos os olhos – e o coração – não vemos nossos amores em potencial nunca. (...)

E de repente... é Carnaval. Teoricamente são quatro dias, mas se alma não é pequena são muitos mais e, como bom saltimbanco que agora sou, é duro ficar na sua quando à luz da lua há tantos blocos pela rua".

Eu vou dançar o iê-iê-iê! Aprenda a coreografia em Tribuneiros.com


*Pablo Picasso

29.1.07

O santo nome em vão

Eu quero patentear meu nome. Não me interessa se pode, não me interessam os trâmites burocráticos, está havendo uma banalização de Brunas e preciso me defender. É como domínio de internet, obviamente a Madonna ganharia a causa se algum malandrinho registrasse o endereço madonna.com antes dela. Eu já era Bruna antes dessa festa do caqui começar, a única que existia era a Lombardi e não denegria a imagem. Mesmo assim eu não gostava da piadinha que sempre vinha depois da pergunta pelo meu nome - "ah, Bruna Lombardi?" É, palhaço, não reparou no Ricelli aqui do lado? O fato é que essa tudo bem, um dia foi embora para LA e hoje ninguém mais sabe dela.

Vivi com paz e exclusividade até que uma Bruna Surfistinha começou a aparecer. Prostituta é demais! A mulher nem era Bruna original, e nos bons tempos nome de quenga era Ninon e Rosaly, nunca vi Bruna na Casa da Luz Vermelha. Quando enjoaram da criatura e eu estava só esperando ela partir de vez para o ostracismo, estréia um novo Big Brother. Depois de Jean Willys, Grazielli e Kleber Bambam surge quem? Bruna. Bruna tomando banho, se encachaçando nas festinhas, pegando cowboy, gritando quando vê a família, se derretendo para o Bial, é Bruna 24 horas por dia em rede nacional. Daqui a pouco serão batizadas Brunas por todo o sertão. Se parar na Sexy porque foi rejeitada pela Playboy eu vou confiscar as revistas!

Por enquanto a impostora está quieta, mas se fizer qualquer coisa eu compro uma empresa de telemarketing para fuzilá-la no primeiro paredão.
Enquanto eu monitoro, apreensiva, o desfecho dessa catástrofe bigbrotheriana, leio no jornal: "Musa dos motoboys vence 800 candidatas em concurso paulista". Qual o nome da infeliz? Que dúvida... A mais nova gostosona das duas rodas diz que pode conciliar a rotina das passarelas com a faculdade de medicina. "Já posso chamar Giselle Bundchen de colega e pedir umas dicas", ri. Ri enquanto eu choro! Passarelas com 1,65m?

Pelo menos uma coisa está garantida. Uma rápida busca no Google alerta essa nova massa de pseudo-brunas - "Bruna Demaison, segundo fonte mui próxima, não pode ser contrariada." Há! Obrigada, Tribuneiros.
Bruna sou eu! E quem avisa...

25.1.07

Parece que dizes

Um dia ele passou a mão no meu cabelo. Cruzou o quarto para pegar uma camisa no armário e eu estava no caminho, lendo o jornal. Afundou de leve os dedos nos meus fios e brincou com eles. Tirou a branca do cabide, vestiu sem abotoar e foi tomar café.
Um dia ele encostou a cabeca no meu ombro e suspirou. Perguntei se o filme estava ruim, ele só fez que não com o dedo e sorriu. Reabriu o saco de pipocas e comeu uma atrás da outra.
Um dia ele usou a palavra interface. E riu, entre o orgulho e a piada. Pouco tempo antes eu tinha criticado uma interface e me criticado internamente por abusar dos jargões quando sobrecarregada de trabalho.
Um dia ele fez compras no supermercado. Quando cheguei, vi na geladeira o queijo fresquinho, o suco de laranja e, no meio do estoque de iogurtes, um com novo sabor de maçã. Ele volta e meia comentava que eu sempre comia o de morango e ainda ia enjoar.
Grandes declarações de amor podem ser muito fáceis. Difíceis são as banais, as espontâneas, cotidianas, desinteressadas, as cuja única intenção é nada, só o vício de estar perto.
Um dia ele me olhou.

23.1.07

Alô alô, marciano

As mullheres são de Vênus.

So I try to laugh about it
Cover it all up with lies
I try to laugh about it
Hiding the tears in my eyes
'cause... boys don't cry

Leia Tribuneiros.com para descobrir a cura.