29.6.07

:-((

"Ufa! Estou quase terminando o artigo pedido, e consegui chegar até aqui sem usar a palavra “adeus”, a não ser no título. Como diriam Chitãozinho e Xororó, “não aprendi a dizer adeus”. Um parênteses. Por essa vocês não esperavam, né? O Tutty vai dizer que já escolhi melhores autores para citar. Acho que está mesmo na hora de ir embora. A que ponto cheguei para fugir da obrigação que meus editores me impuseram de fazer uma despedida. Pra não dizer adeus, sou capaz até de baixar o nível do meu gosto musical." - Zuenir Ventura.

No Minimo (2005 - 29/06/2007). Morte súbita.
Não li o adeus do Tutty Vasques. É sexta-feira, está chovendo.
Volta e meia eu tenho a sensação de que não é possível que ninguém vá tomar alguma providência.

25.6.07

Yeah, totally...

Felizes são os bebezinhos com suas necessidades vitais, os adolescentes com seus problemas existenciais, os adultos com seus problemas sócio-econômicos e os velhinhos com seus problemas que ainda não sei quais são. Naquela etapa entre Rebeldes e auto-escola, alguém nos ajude. Danem-se eles, o desespero é nosso. Eles não costumavam se trancar nos quartos e viver deprimidos em seus mundos particulares? Onde foi parar isso?
Chegaram em bando no cinema, entre outros motivos porque têm problemas de locomoção: nem pensar em ônibus, nem pensar em poder dirigir um carro. Os pais estão ocupados fazendo outras coisas. Com aquelas roupas parecem duendes, não por usarem peças coloridas e gorrinhos, mas porque os modelos não foram criados para seres daquele tamanho. As garotas têm os corpos gorduchinhos de quem ainda não chegou na fase anoréxica em que não saberão lidar com as curvas sonhadas pelas mais velhas. Vieram de uma festa junina sobre a qual comentam e continuarão comentando durante a próxima hora e meia, por acaso o mesmo tempo do filme que compraram para assistir. Penso se engoliram a Paris Hilton, não fosse a presidiária mais monossilábica do que elas.
Entre o cinema e o bar tem um pipoqueiro, um poste, uma rua com carros, um banco e mesinhas na calçada. Temo que algum dê com a cara nos obstáculos devido à visão comprometida pelos cabelos caindo nos olhos. Enquanto eles comem, elas conversam sei lá, tipo mil coisas, apoiando o peso do corpo em uma perna e intensificando a lordose/escoliose agravada pela preocupação em carregar nos ombros uma bolsa murcha já que completamente vazia.
Entramos na sala e sinto saudade dos espectadores que comem balas e esquecem de desligar o celular. Uma profusão de “shhhh” dos adultos estimula a rebeldia grupal e penso se eles são tolhidos de comunicação verbal em casa por isso precisam extravasar. Voa na cabeça de um cidadão civilizado uma almofada que o cinema deixa à disposição de crianças. Torço por sangue. O homem se controla e sua fúria acalma as criaturas. Quem aposentou os lanterninhas? Shrek Terceiro começa. Não deve ter sido um caco exclusivo dessa sessão, mas vem bem a calhar que o ogro apareça em uma high school americana. Os mini-teen não entendem as piadas, logo, não se acanham e, ai, nada a ver, falam tipo todo o tempo e alto e prevêem as cenas mais óbvias que não requerem muito, sabe, cérebro, e o gatinho é muuuito fofo.
O filme acaba e eu vou ter que ver de novo, mas pelo menos valeu o texto e a decisão de mandar meus filhos para a Suíça a partir dos dez anos.

20.6.07

Pra fazer feliz a quem?

"Quantos não decepcionaram nosso voto? (...) Estamos, enfim, tratando aqui de hipótese absurda – a de Cristo ter um dia que ficar explicando que não sabia disso, não sabia daquilo –, estátuas não falam, mas, sei lá! Tem-se visto coisas! Já imaginou se depois de eleito ele cai lá de cima sobre uma comunidade pobre de Botafogo ou Santa Teresa?
Pensei nisso na quinta-feira, quando Lula subiu o morro."
Tutty Vasques

Vote no Cristo, mas antes leia Tribuneiros.

19.6.07

Uma brincadeira de papel

Estava na China agora, via fuçações internéticas. O site tem uma categoria “Felicidade é...”, onde, claro, cliquei: na China existe um trem do metrô adesivado de Snoopy! Peanuts está diretamente relacionado à felicidade - à minha - apesar de Charlie Brown ser um tanto quanto deprimido. Esse post poderia ser todo sobre Peanuts não fosse mais urgente o fato d’eu ter clicado em “Felicidade é” antes mesmo de ler o resto do site. Papai Noel não traz, e precisamos ser felizes ainda nesta vida.
Brotam livros sobre felicidade. Não só textos de auto-ajuda, alguns autores posicionam o debate filosoficamente e esse é o caso de Darrin McMahon, professor de história na Universidade da Flórida, que relata como os ideais e a percepção mudaram ao longo dos séculos, em diferentes culturas e lugares. Quando nos séculos 17 e 18 apareceu a noção de que nossas vidas não estavam mais nas mãos dos deuses, destino, sorte, etc, o Iluminismo trouxe a idéia de que devíamos buscar mais prazeres e tentar reduzir o sofrimento. Foi aí que a coisa pesou para nosso lado: opa, se der errado eu terei sido um incompetente? Como vou fazer isso? Que angústia.
O Fantástico (esse mesmo, do Cid Moreira) fez uma matéria sobre o tema. Tanto para o Alcides, dos cafundós do Brasil, quanto para o antropólogo Roberto da Matta, felicidade envolve coisas simples como tomar uma cerveja, passa por conquistas e momentos, e só se diferencia no rebuscamento da argumentação. Da Matta explica que felicidade é um estado de equilíbrio: “O paraíso, que também seria um lugar de felicidade plena, é um lugar de estabilidade. O paraíso não muda”. Não?
O professor Darrin acrescenta que a preocupação que temos hoje com a felicidade é um luxo – nos sobra tempo para pensar sobre isso graças à longevidade e outras questões resolvidas como pragas, fome e guerras. Aproveitando meu luxuoso ócio criativo, tenho prestado atenção a um outro tipo de ciência, tentando relacionar seu prefixo a ações diárias - a paciência. Tendo a crer que é a única forma de aplacar o mal que acomete o mundo – pelo menos o meu – a ansiedade. Uma dose de fé não faz mal, e cada um acrescenta à receita o ingrediente que mais lhe agradar, mas recomendo a calma.
Artigo raro, vai ver produzido em larga escala no mercado negro chinês.

O pensamento parece uma coisa à toa
mas como é que a gente voa
Quando começa a pensar

13.6.07

Dá uma forcinha pro santo!

Logo na entrada dá para sentir o cheiro de broa de milho e, naturalmente, dos famosos pãezinhos. Ele chega um pouco atrasado, o que nos dá tempo para olhar ao redor, e vai logo se explicando: "Ainda bem que você não é ansiosa, sabe quantas vezes sou agredido por esses meus atrasos?" Antonio desmarcou a conversa diversas vezes, mas garante que há tempos quer esclarecer como funcionam as coisas no seu departamento.

O santo não se atrasa por excesso de pedidos, difícil é separá-los. Para ele mesmo, sobram poucos. “Não é o caso de terceirizar por preguiça, mas de encaminhar corretamente. Antigamente chegavam súplicas que, juro por Deus, nem Ele resolveria. A mulher era chata, feia, grudenta e já tinha escolhido o homem para casar no próximo mês porque a lipo estava marcada. Hoje não sofro mais por isso, nosso sistema encaminha a fiel para Rita de Cássia e ela tem todo um know-how em causas impossíveis assim. Confesso que aprendi um bocado com o tempo também, você não imagina a quantidade de gente que quer casar. Isso é o mais fácil, minha filha! Casar qualquer um casa porque tem é pessoa carente no mundo. Sendo essa a condição única, beleza. Santo Expedito, nem me preocupo – causas urgentes. Não é preconceito, dependendo da idade da mulher nem ela quer que o pedido passe por aqui”.

Nada tira o bom humor do santo, a não ser falar sobre a moça que primeiro o jogou pela janela. “Conversávamos muito, mas existiam outras questões a resolver e ela não quis entender, achou que era tudo minha culpa e zum, lá fui eu quarto afora pelos ares. Tinha que cair em algum lugar, é física e não religião. Caí na cabeça de um pedestre e acabou que eles se casaram. Não fui eu! O boato se espalhou e todos os dias alguém me coloca de cabeça para baixo, dentro do armário, arranca até o menino Jesus dos meus braços. Não gosto desse tipo de coisa não, deduro logo para São Gangulfo. Quase ninguém sabe, mas ele é o santo dos adultérios. Depois dele, só São Theodoro na reconciliação ou Santa Adelaide no segundo casamento. Acabam intercedendo junto a mim, mas preciso acabar com essa moda de me punir.”

Os pedidos não param de chegar e reparo que Santo Antonio encaminha um para São Longuinho. “Esse trabalha também. Não é só chave que ele acha não, tem gente que perdeu amor no mundo, deixou escapar a chance e quer uma segunda. Os pulinhos não são só de alegria, é o pagamento. Contamos com a ajuda até de São Jorge aqui, não porque em alguns casos só sendo muito guerreiro mas pelo costume catalão de presentear com livros e flores no dia dele. Acaba funcionando. Essa questão cultural ajuda muito, basta olhar ali a sala de São Valentim e Santa Catarina de Alexandria, lotadas! A verdade é que eu, minha filha, fui promovido e hoje só atendo os casos mais graves. Não os desesperados – esses esgotam a paciência de São Judas – mas aqueles que dão mais trabalho. As tais mulheres que escolhem. Inventaram de estar bem sozinhas e querem alguém que some, não complete. Além de tudo querem ser felizes! Ah, saudades de quem pedia só véu e grinalda...”

11.6.07

Cara estranho

Tem que trocar o ingresso comprado pela internet por outro na hora. Lotou tão rápido que marcaram um show extra. É feriado, vem gente do país todo. Será que haverá suicídio coletivo em um final digno de seitas? É o último!
Contrariando expectativas, saímos para a despedida uma hora antes (sem cadeiras de praia, isopor com alimentos ou kit de primeiros socorros), estacionamos o carro, entramos na Fundição Progresso sem enfrentar fila e nos posicionamos na platéia. “Será melhor ficarmos no segundo andar? Aqui está muito na frente, seremos esmagados. Não solta da minha mão, se nos perdermos o ponto de encontro é aqui”.
Esperamos o show começar, os fãs cumpriam sua parte com os uuus e palmas. A banda entrou. “Moça, olha só o que eu te escrevi”... O Camelo usava um figurino simbólico, fiquei na dúvida se de pastor ou morto do interior, mas o tamanho do terno atestava que o defunto era maior. Era Quincas Berro d’Água. Eles, os blasés, estavam anormalmente animados e simpáticos, percebi umas quatro comunicações com o público e, apesar do som de cinema dos anos 70, captei a deixa “sola, Camelo!”, e vi corridinhas da dupla através dos telões. Não que eu não conseguisse ver o palco, na ponta dos pés enxergava o cocoruto da cabeça deles mas evitava ficar assim porque, se desequilibrasse, cairia em cima do ser humano sem camisa que estava a 0,5 centímetros de mim. Estranho a Red Nose patrocinar o show do Los Hermanos, mas é acreditar nisso ou que a moda camisa listrada e barba foi substituída por cuecas de tal marca aparecendo para fora da calça. Eles seguiam - "canta para mim, qualquer coisa assim sobre você". Um ambulante tentou atravessar a multidão com um carrinho de cerveja. Desconfiei que eu estivesse no show errado. Me acalmei quando o grupo perguntou “quem é mais sentimental que eu” e os donos das cuecas Red Nose fecharam os olhos, levantaram os braços de punhos fechados e gritaram a letra. Alguns se abraçaram. Eu não chorei. "Iaiá, se eu peco é na vontade de ter um amor de verdade". Uma menina perto de mim começou a pular de maneira diferente das outras. Era uma barata que subia pelas pernas dela. "Quem te vê passar assim por mim não sabe o que é sofrer". Alguns súditos negociavam com caras não muito amáveis seu espaço na massa enquanto eu torcia para que as próximas músicas seguissem melancólicas temendo o que aconteceria se puxassem “dai-me outro viés de ilusão pois minha paixão tu não compras mais com teu olhar”.
Lembrei dos shows em que saí de alma lavada, era só mais um, eles traduzem melhor o que eu sinto do que eu mesma, diria uma fã a um jornalista. As serpentinas voaram em Todo carnaval tem seu fim. Deixa eu brincar de ser feliz em outro lugar. Percebi quando o Amarante tentou ver o público e fiz aquele sinalzinho de mais tarde nos falamos, depois eu vou praí te ver. O Jamari França foi ao camarim e, engasgado com o fora, recebeu um email do Marcelo.

Eu sabia que você tinha entrado a trabalho mesmo contrariando o nosso pedido (...). Nós todos sabíamos que não era a hora de entrevista e a falta de educação tem muito a ver com o acordo entre a atitude e o lugar. Peço desculpas se não soube escolher as palavras com o cuidado devido (acho que disse "que perguntinha escrota?") e mando-te um beijo estalado na bochecha pra ver se cura qualquer ressaca tá?"

Para mim restou ouvir o CD em casa e guardar na lembrança o show do Morro da Urca como o último “transe coletivo”. Hasta la vista, hermanos. Com 15 mil pagantes e ingressos a 100 reais pode ser que vocês demorem a voltar. Ter e perder alguém...

7.6.07

Os poderes de Greyskull

Você pode acordar e ir trabalhar ou faltar e ver todas as estréias da locadora. Pode vestir um terno ou decidir que hoje vai casual mesmo que não seja Friday. Pode almoçar no restaurante ali da esquina ou andar mais um pouco e arriscar um novo. Pode ir para a academia de noite ou caminhar no parque ouvindo musica. Pode dormir com a TV ligada ou ligar para alguém com quem não fala há tempos. Pode ver se tem outro caminho ou seguir naquele mesmo já seguro e conhecido.Você pode fazer Administração, Direito ou Economia ou pode não fazer faculdade por um ano para estudar línguas, arte e viajar por aí. Você pode se formar e começar uma pós-graduação ou descobrir que não tem idéia do que quer ser quando crescer. Pode fazer musculação ou pilates ou não fazer nada. Pode nunca sair de casa sem estar besuntada de protetor solar ou torrar no sol e usar biquíni branco no inverno.

Você pode ficar com todos os caras que te olham ou não gostar nunca de ninguém. Pode reclamar do que te incomoda ou esperar para ver se passa.Você pode guardar muito dinheiro para ter um carro zero ou andar de ônibus e ter mais sapatos do que Imelda Marcos. Pode tocar vários instrumentos ou entender sobre musica o tanto quanto o I-Tunes permite. Pode ligar para ver se volta ou acreditar que o que passou, passou. Pode saber de cor quantas calorias tem em cada alimento ou fechar a boca sempre que a calca jeans apertar. Você pode ler todos os clássicos ou os quadrinhos do jornal. Pode sair todas as noites ou dormir oito horas por dia. Pode falar com seus amigos toda hora ou deixar scraps de vez em quando. Pode viver num apartamento onde, se entrar correndo, cai pela janela ou pode ligar para seus pais avisando quando não vai dormir em casa. Pode conversar para chegar a um acordo ou desistir porque não vale a pena.

Você não pode não lembrar do que queria quando era pequeno, não pode não saber se quem te importa está bem, não pode não conhecer o lugar com o qual sempre sonhou, não pode não dar uma chance se há uma pequena possibilidade de funcionar, não pode não saber quais musicas e filmes te fazem chorar e quais te fazem feliz, não pode não descobrir por que está se sentindo mal há tanto tempo, não pode não ter algo só seu, não pode não ter alguém com quem contar e não pode não ter um motivo qualquer para continuar.

Você não pode um dia acordar e ver que não se lembra como tudo ficou assim. Pelo menos não deve.


publicado em Seu Martin 1a encarnação.

3.6.07

Sau-dá-dji

A noite e a chuva que cai lá fora.

Publicaram esse estudo, quais as palavras mais difíceis de serem traduzidas. No dialeto tshibula, Ilunga é a pessoa que está disposta a perdoar maus-tratos pela primeira vez, a tolerar o mesmo pela segunda vez, mas nunca pela terceira. Tem palavra para isso. E gente ilunga. Em ídiche, Shlimazl é uma pessoa cronicamente azarada. Não é amaldiçoada, nem só azarada, é quem sempre se dá mal. A terceira da lista é a polonesa Radioukacz, nome para quem trabalhou como telegrafista nos movimentos de resistência ao domínio soviético nos países da Cortina de Ferro. Ahn?
Saudade é a sétima palavra. A dor da ausência. Saudade dói. Você não está mais aqui. Show de bola, ferrocarril, gostoso, sambinha, o dia vai nascer de novo e você não está mais aqui. Quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue*, dá saudade. Quando fica lá longe. Quando não é desejo de voltar, mas a vontade de que pudesse estar aqui. Fico eu com essa lista de assuntos para falar e se você estivesse aqui possivelmente eu nem me obrigaria a começar. Ainda não perguntei tudo e esqueci de contar algumas histórias. Será que esqueci de vivê-las a dois ou foi o tempo que esqueceu de demorar mais para que elas pudessem existir? Você gosta? O que você acha? Você vai comigo? Nos vemos depois? Não tem ninguém e eu aqui Pochemuchka, que em russo é quem faz perguntas demais.
Quando não apertam as lembranças mas sim o que ainda está por vir e quero aproveitá-lo logo, dá saudade. Em árabe, Altahmam é um tipo de tristeza profunda, quem sabe igual a saudade! Quem disse que saudade é bonito não viu que acenderam a luz, as cadeiras estão sobre as mesas e não toca mais música. Quando eu queria só mais um pouquinho. Quando "como foi bom"! Mas não tem mais. Pode ter em outra hora, mas não agora. Agora, é vazio.
Quem se importa com o nome do telegrafista?
Será que saudade só tem aqui?

Solidão apavora, tudo demorando em ser tão ruim.

*Adriana Falcão

2.6.07

Ligue os pontinhos

Nessa semana Steve Apple Jobs e Bill Microsoft Gates se encontraram em um debate sobre tecnologia, e eu não estava lá. Junto com os meninos do Google eles mudaram a minha vida, e deveríamos ser mais próximos.

Nas alfinetadas civilizadas falaram sobre a campanha Get a Mac, onde Mac e PC conversam sobre funcionalidades e diferenças. A cara do Bill Gates quando Steve Jobs disse que a idéia não é ser maldoso, mas que os dois personagens gostem um do outro, foi impagável. Os textos são brilhantes! (como cobaia do Windows Vista, às vezes rio para não chorar. Ok, vou comprar mais memória) Ele parecia pensar – ‘tudo bem, ponto para você. Me aguarde”. Os dois ali, calça jeans, milhões no bolso, I’m the king of the world, personalizam a idéia de que ter um adversário que te provoca uma risada e um ok, vamos lá, vou fazer melhor, pode ser o sonho de qualquer ser cerebrado. Desafios e admiração mútua.

Há cerca de dois anos Jobs discursou para os alunos de Stanford. “Isso é o mais perto que já cheguei de uma formatura”. Ele largou a faculdade aos 17 anos, em uma história que começou quando nasceu. O casal que deveria adotá-lo desistiu na hora H, e sua mãe biológica só aceitou os novos pais porque eles prometeram mandar o garoto à faculdade. Eram os segundos na lista e receberam a ligação no meio da noite: “Temos um menino inesperado, querem ficar com ele?”

Anos depois, a faculdade de Steve custava todo o dinheiro que os pais juntaram na vida, e ele não tinha a menor idéia do que queria fazer. Decidiu sair e confiar que tudo correria bem. “Foi bastante assustador na época, mas olhando para trás vejo que foi uma das minhas melhores decisões”. Porque ele ficava vagando pelo campus e dormindo no quarto de amigos, resolveu cursar caligrafia. Dez anos depois desenvolveu a tipografia do Mac, copiada pelo Windows, e hoje eu agradeço à professora de caligrafia do garoto inesperado. “Não dá para ligar os pontos olhando para o futuro, só para o passado. Acreditar que os pontos vão se ligar vai te dar confiança para seguir seu coração, mesmo que isso te leve para um caminho diferente do previsto”.

Logo depois ele montou uma empresa na garagem. Lançou o Mac. Tinha 30 anos. Foi demitido. Visões diferentes do sócio, a diretoria escolheu o outro, o cara tinha falhado e o mundo inteiro sabia. Era como se tivesse deixado cair o bastão que recebeu. Acabou. “Devagarzinho uma coisa começou a acontecer. Tinha sido rejeitado, mas continuava apaixonado pelo que fazia.” Não é tão simples como parece lendo, e o resto é historia: ele criou a Next, que foi comprada pela Apple e hoje é o coração da empresa, criou a Pixar, maior estúdio de animação do mundo, e formou uma família. “Como em todos os assuntos do coração, você precisa descobrir o que ama para trabalhar nisso. E vai saber quando encontrar”. Precisa repetir que foi o Steve Jobs quem disse isso?

De volta ao debate em que eu não fui. “I think of most things in life as either a Bob Dylan or a Beatles song”, e citou Two of Us para definir sua relação com Bill: “You and I have memories longer than the road that stretches out ahead”.

God! E eu escrevo isso em um PC…

1.6.07

30 incertezas na mesa do bar

Julia Roberts estava largada no chão, miserable. Paul Giamatti era o cara do hotel. Entre cigarros, solta a palavra do Senhor: “This too will pass”.
Filosofar é preciso em Tribuneiros.com. Porque na vida, sabe como é, só sobram motorista e trocador.

29.5.07

Sobre sapos e tubarões

Agora são os tubarões, depois das abelhas e das formigas (sabia que não era possível ter tanta formiga procriando assim no mundo!). Passaram a se reproduzir sozinhas, sem fazer sexo, porque a espécie está sofrendo com a drástica redução da população. O jeito que as tubaroas-martelo acharam de não serem extintas foi esse - partenogênese. Cansaram de esperar.

Eu tenho feito algumas pesquisas na área e temo pela próxima decisão das ditas mulheres de atitude. O nível de contagem de espermatozóides nos homens caiu nos últimos 50 anos, e espermatozóides disformes ou imóveis ficaram comuns. Elas já vinham lidando com metro-sexuais, com homens cujo “problema sou eu e não você”, até homens confusos agüentaram. Agora essa? Tenho medo, eu e Regina Duarte.

Por mais que meu professor de estatística diga que pesquisas são como biquínis e mostram tudo menos o que importa, elas me permitem elaborar teorias geniais que podem salvar o mundo. E me distraem. A extinção de príncipes encantados, acabei de desvendar. Girinos defeituosos, sapos ficam sapos ad eternum. Graças às colegas tubaroas-martelo já sei que nem tudo está perdido, mas Deus queira que não precisemos chegar ao ponto de vermos sex shops se tornarem mais rentáveis do que ações da Vale.

Vamos lá, ala macho: calor afeta a morfologia dos espermatozóides, e quem vive no Rio sabe o que é o verão por aqui. Eles nadam, logo, se o homem não beber muita água, uma nova geração de girininhos terá que aprender a andar. Menos girinos, menos sapos, menos príncipes, nozes, pimentões, repolho e laticínios ajudam a vida dos espermatozóides. Se entupam disso! E há uma incompatibilidade grave: beber promove a integração, mas ao mesmo tempo a bebida é culpada pela baixa contagem das criaturinhas. Menos chopp, mais cara de pau ao natural. Se virem.

Ah, peixe rico em omega 3 também é bom para a cabeça. Do espermatozóide, querido.

24.5.07

Por mares nunca dantes navegados

Logo que cheguei por ali, tudo entendi. Aquela gente explicava muito sobre a minha gente. Eu vinha da Espanha e um brasileiro, residente em Lisboa desde os tempos de Collor, avisou: você não está mais na Europa. Eu já elaborava uma teoria a respeito dos europeus que envolve escadas rolantes e ruas: como desembarquei em Praga e fui descendo por alguns países até chegar à Espanha, reparei que quanto mais ao sul, menos pessoas ficavam do lado direito das escadas rolantes para que os apressados pudessem correr pela esquerda. Da mesma forma, mais pedestres atravessavam a rua fora da faixa.

Temendo que a civilidade diminuísse drasticamente, ao ouvir a frase do meu anfitrião já imaginei encontrar nas ruas da capital portuguesa uma baderna. A cidade estava em obras, era o nascimento do euro, mas tudo transcorria na maior organização. Os monumentos eram imponentes, havia castelos, arte, nem sinal dos viciados e traficantes que outrora ocuparam a cidade. Então por que ele teria dito aquilo? Porque de certa forma eu estava em casa, tão distante da rigidez britânica quanto da malandragem carioca, mas aquela gente não me olhava e exclamava “Pelé, Ronaldo!”. Me conheciam, ficavam mais felizes ao ouvir Rio de Janeiro por pensar nos cenários das novelas do que nas bundas das mulatas sambando na praia. Pela primeira vez nas minhas andanças eu não era olhada com curiosidade, mas com admiração.

O mais inusitado da viagem foi descobrir um outro lado da História, ver aquele tal de Cabral junto com Vasco da Gama e Camões às margens do rio Tejo, me sentir vasculhando capítulos dos livros que foram arrancados e nunca chegaram nas escolas brasileiras. A partir daí têm muitas passagens envolvendo deliciosos pastéis de Belém, greve de eléctricos e o imperdível Palácio da Pena, mas hoje o principal é a lembrança de um povo muito amável.

Voltei a Portugal! Estou em Estoril, e vim por mares nunca dantes navegados: cheguei via web! Fui tão bem recebida quanto da primeira vez e meu pouso por aqui é no blog Pipáterra, que me trouxe à terrinha com um carinhoso post sobre minhas palavras pecadoras nascidas ao sul do Equador. Bué fixe.

21.5.07

Help! (I love somebody)

Vai ser piegas, brega, ridículo, mas Fernando Pessoa já avisou há anos e, se nem ele escapou, estou livre dessa responsabilidade: a de escrever uma declaração de amor legal. Falei declaração de amor? Droga. O que seja, quero escrever agora porque, para variar, quero registrar meus felizes pensamentos e minhas felizes impressões a respeito deste relacionamento. E quem sabe assim libertar os relacionamentos em geral.

Freud deve estar rindo do óbvio – depois de tantos anos de divã resolvo documentar essa euforia pra me convencer daqui a uma semana, talvez um pouco mais ou menos, de que talvez se possa ser feliz por mais do que alguns efêmeros instantes. Tudo por quê? Um telefonema. E dizem que crianças se satisfazem com pouco. Era só pra dizer oi, saber se estava tudo bem. Como as coisas são, estava tudo planejado para eu não atender quando você ligasse, minha única tática de resistência. Como as coisas são, sou uma péssima estrategista.

Quando passei a encarnar xiitamente o conceito de que as coisas devem ser como queremos? Que o mundo deve se adaptar às nossas necessidades, pessoas fortes, decididas, que não se contentam com pouco, não tem medo, raciocinam em detrimento do que sentem, não se deixam levar pelas emoções apesar de reconhecê-las, o que talvez as levem a crer que, assumindo-as, possam controlá-las e modificá-las. Velha história de que o pior inimigo é aquele que não conhecemos. Sabendo o que me atinge, posso lutar contra ele. E de repente eu estava lutando contra moinhos de vento, não tinha ninguém me atacando! Isso começou quando vi o que os outros fazem para não ficarem sozinhos. Já vi gente que não fuma sair para comprar cigarros só para ter alguns minutos de paz. O problema estava em mim. (novidade).

E se agora eu não estiver a fim de ficar sozinha? (argh). É uma epidemia! E não é só isso. Para piorar, ao tocar o telefone veio a bomba. Estava meio triste antes do telefone tocar. Estou romântica? É raríssimo gostar de alguém, raríssimo encontrar outra pessoa que corresponda ao meu sentimento, que desperte admiração, respeito, que me faça querer ser melhor, mais bonita, mais inteligente, mais culta, mais sexy, caramba, muita gente nem sabe o que é essa palavra! Pronto, quer agradar Freud? Explica sexualmente. É uma questão de tesão, de aprendizagem sexual. Ufa, assim está mais tranqüilo. Sem carência, sem romance, sem cara de drogada.

Olha, estou cansada, daqui a pouco preciso trabalhar, essas idéias originárias da sua ligação oi tudo bem me tiraram o sono e preciso explicá-las cerebralmente. Tenho muito mais vontade de estar com você do que estou e ainda não acho que esteja virando uma mulher submissa. Estou ficando cega! Preciso ser interditada! A paixão é uma merda. Você se encanta com alguém e pronto, perde o controle da sua vida, seu bem estar fica à mercê de outra pessoa, é horrível, não devia ser assim. Mas é.

Ainda posso usar minha pouca resistência para não virar uma deprimida, dependente e psicótica. Até quando? Não sei. Porque nesse exato momento, dez pras cinco da madrugada, estou achando tudo lindo. Feels good, felt fucking good enquanto ouvia as suas palavras banais no telefone.

O resto resolvo daqui a pouco, quando a carência trouxer a insegurança, o ciúme e sua gangue. É sempre ela. Agora, está sendo sempre você.

18.5.07

Já leu Tribuneiros hoje?

Você vem sempre aqui?
Cadê o namorado?
Vocês não pensam em casar não?
Você vai ficar chateada se eu fizer isso?
Você pode vir no sábado terminar o trabalho?
Posso te conhecer?
Você está na fila?
O que você quer ser agora que cresceu?

Conselho gratuito de uma garota não desse tipo: o céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu.

make your own kind of music, sing your own special song even if nobody else sings along

14.5.07

Habemus dogmas

Então o Papa foi embora. Eu achei que ele fosse ficar para o Pan, excomungar mais uma galera, preparei até uma lista de sugestões, mas ele voltou para Roma que é terra boa. Deve ter voltado exausto, mas aquela exaustão feliz. Convenhamos: o Papa adorou o Brasil! E isso que ele esteve em São Paulo, fosse no Rio ou Salvador corríamos o risco dele ficar pro Carnaval (nesse sentido “ficar” não é pecado, ok?).
Coitado, talvez nem tenha demorado tanto por aqui, mas foi aquela visita presente demais, né? Que o diga o ministro da Saúde... E Papa é o João Paulo, fofinho. Bentoxisveí tem carinha de malvado, ex-hittleriano e cheio de opiniões, não é pop. Mas até que deu suas risadas.
Ateísmos e racionalizações à parte, é comovente ver a felicidade dos que realmente têm fé no momento em que o Papa aparece. Se os Beatles me convidassem para uma jam session eu teria reação semelhante, com a diferença de que eles não poderiam me aconselhar nem me acolher nem transmitiriam a sensação de paz que um líder espiritual passa (nesse caso eu teria que me encontrar com o Maharishi). Logo, é triste constatar que nunca saberei o que passa dentro daqueles católicos de cara com o sumo-sacerdote. Adoraria ter um sumo-sacerdote. Adoraria ter um ser superior que regesse minha vida e me apoiasse, nem que fosse para eu poder culpá-lo ou dizer “se vira aí em cima que aqui embaixo ferrou”.
Em compensação, sei que métodos anti-concepcionais são uma benção da ciência, estudos com células-tronco são um avanço indiscutível e isenção fiscal, hahaha, posso ter também? Opinião de uma excomungada destemida: a não-flexibilização da empresa Igreja para se adaptar às modificações de seu público, idéia defendida por Bentoxisveí, é um plano questionável quando se trata de marketing, e ainda mais quando envolve ideologias (que eu, pope, também imaginava superadas).
Mas, como não entendo muito de religião, sigo indo a batizados, casamentos e funerais quando convêm e separando o joio do trigo. Como o padre que sugeriu humildade, doçura e paciência na criação dos filhos. Bonitinho, super nanny. Logo depois brincou com os pequeninos que estavam ali tomando água na cabeça: “sempre batizo mais meninas do que meninos. Ou seja, rapazes, a oferta está boa para vocês”. Até tu, padre?

13.5.07

On the road

Ninguém te ensinará os caminhos. Ninguém me ensinará os caminhos. Ninguém nunca me ensinou caminho nenhum, nem a você, suspeito. Avanço às cegas. Não há caminhos a serem ensinados, nem aprendidos. Na verdade, não há caminhos.
E lembrei duns versos dum poeta peruano (será Vallejo? não estou certo): “Caminante, no hay camino. Pero el camino se hace al andar”.

Caio Fernando Abreu no dia das mães.

Porque eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás

E Marisa.

11.5.07

Ela. E eu.

Mãe só tem uma e vê lá se isso é algo que deva ser dito impunemente. Vai que alguém resolve clonar mãe por aí, decide que melhor seria ter várias!
Mãe só tem uma porque seria impossível para nós, filhos, administrarmos mais do que isso. Ofertas especiais para o Dia Oficial do "Leva um Casaquinho" em Tribuneiros.com

7.5.07

Pinguins rubro-negros

Eu espero acontecimentos.
Só que quando anoitece as pessoas gritam é campeão e eu acesso globo.com para ver se torcem para o Flamengo ou Botafogo.
A decisão vai para os pênaltis. Por aqui, Canadá e Austrália financiam profissionais graduados que queiram migrar para seu gelo ou suas praias.
Talvez eu esteja lutando por um ideal que se comprova a cada dia menos ideal. Esteja seguindo a cartilha que escrevi na infância sem me tocar que em algum momento ela deveria ter sido atualizada.
Penso se o vizinho vai se jogar da janela quando acabar de berrar Souza. Acho que Souza o deixou para comprar cigarros e nunca mais voltou. Descubro que Souza é um jogador.
30 anos é adulto, mas não aquele adulto que nem suas Barbies foram já que elas tinham 20 e poucos, o Ken, uma casa enorme e carro conversível.
O Baixo Gávea vai lotar, as pessoas vão se abraçar imundas de suor e cerveja porque pooooorraaaaaaaaaa meeeeermão.
Sarkozy é eleito presidente na França. Imagino que ele vá descobrir meus planos e criar uma lei proibindo brasileiras bipolares de pisar em Paris.
Os carros começam a deixar o Maracanã e entoam pelo caminho “Obina vai voltar”. Será uma ameaça, maldição, uma prece?
Não saber o que se quer ser quando crescer é pior quando você já cresceu. Pior quando sua angústia acusa o mundo de ser injusto justamente porque você não consegue lidar com a culpa, confunde o significado de fracasso, não entende que o futuro é como os objetos no espelho e está mais perto do que parece.
Que torcida é essa?
Sigo a massa. Algo me diz em rubro-negro que o sofrimento leva além.
Um boneco do Shrek uniformizado é sacudido junto com uma bandeira. As pessoas xingam Dodô. Mais tarde xingarão Eurico. Aproveito para xingar diversos desafetos.
Durante o verão uma garçonete na Riviera Francesa ganha mil e quatrocentos euros, e mil em estações de esqui nos Alpes durante o inverno.
Já passa da meia-noite. Uma criança com máscara de urubu é jogada para cima. Torço para que não se esqueçam de segurá-la na descida.
No último verão muitos pingüins apareceram no litoral do Rio. Disseram que eles se perderam do grupo por causa das correntes marítimas, mas pode ser que só tenham querido experimentar outra coisa.
Já passa da meia-noite e meia. Outra criança fuma um baseado do tamanho das faixas vermelho-e-pretas.
Não pretendo ganhar um Nobel, subir o Everest nem me tornar a primeira presidente da França, mas depois de conseguir pagar mensalmente o aluguel e passar mais de uma semana com a mesma pessoa num mundo de quase 7 bilhões, vou correr atrás de que grande feito?
As pessoas gritam Flamengo é minha vida Flamengo é minha história. Mais tarde gritarão letras do Ultraje a Rigor. Aproveito para gritar Revoluções por Minuto.
Acho que o D2 sorri para mim. Talvez ele esteja sorrindo ininterruptamente desde as 7 da noite.
No dia seguinte descubro que um impedimento marcado errado impediu Dodô de fazer o terceiro gol do Botafogo. Ele foi expulso. Meu nome é Enéas morreu. A Virada Cultural em São Paulo viu a Praça da Sé virar uma praça de guerra.
Ô, Obina é melhor que o Eto’o. Obina é melhor que o Eto’o.

2.5.07

Oh yes, oh no, noooooo!

Sharon Stone está sentada prestando depoimento. Um coque, um cigarro. Sob o vestido branco, nada. Descruza as pernas, mantém aquele olhar come on tiger, cruza novamente. Joe Pesci arranca a gravata e a agarra pelos cabelos. Corta! Joe Pesci? Sem condição. Ingrediente número 1 para uma cena de sexo passar de excitante a patética em um take: pessoas bizarras. Ele não estava em Instinto Selvagem, mas pegou Sharon em Casino e a tensão sexual entre os dois é... ok, próximo.

Catherine Deneuve e Susan Sarandon levaram milhares de pessoas ao cinema (na maioria homens, por que será?) para vê-las rolando na cama em Fome de Viver. Assistindo hoje à cena, meu deus, é uma piada? Aquele cabelo anos 80, parece que elas vão cantar Walk like an Egyptian ou outro hit desses. E Catherine Deneuve agressivamente gay? Desconfio...

Você olha para um pote de manteiga e pensa em sexo anal? Sim, se você for o Marlon Brando. Maria Schneider, O Ultimo Tango em Paris, muitos quilos a menos, muitas expressões intrigadas na platéia a mais. Isso é sexy? De tão parodiadas, algumas cenas antológicas acabaram passando de eróticas a risíveis: frutas, mel, venda nos olhos, Nove e Meia Semanas de Amor. Na época aumentou a venda de compotas de frutas, hoje nas sex shops elas ficam nas prateleiras das tangas de oncinha para homens?

Alguns comentários são maldosos: Titanic, Kate Winslet, Leonardo di Caprio e um carro bem pequeno. Para começar já seria difícil a Kate Winslet caber naquele banco de trás sozinha, o que leva a pensar se a batida de mão do Leo no vidro embaçado não é um pedido de socorro. Não, na hora não estava tocando Celine Dion, a coisa também não era tão ruim.

Quem viu Sex and the City vai entender essa piada de cara: você imagina o Trey, marido da Charlotte, um vulcão sexual? Ele está em uma piscina, oh babe, com uma atriz loura, sexo selvagem. Ela se debate, mexe os braços, joga o pescoço para trás, mas é tanto que parece um ataque de epilepsia ou uma brincadeirinha de maremoto! O filme é Showgirls, mas tem quem jure que essa cena era para estar em Tubarão.

Nicholas Cage e Cher em Feitiço da Lua. Paris Hilton e o namorado no vídeo caseiro. Tarcísio Meira e... calma, brincadeira! Clássicas cenas calientes volta e meia surgem na conversa – Brown Bunny, Nove Canções, Y tu mama también – mas fazer uma lista das piores cenas de sexo pode ser hilariante. O júri está à solta.