12.8.07
RG
8.8.07
O silêncio da inocente
Eu chego e falo bom dia, mas elas não respondem. Respondem só com um bom dia, nem me olham. Eu queria falar coisas! E de vez em quando me encho de coragem ou não aguento pensar só comigo e comento em voz alta. A moça da mesa ao lado dá um sorrisinho ou rebate com uma frase de mais ou menos 5 palavras. Acabou a conversa. Eu tento rir, riso aproxima, né? Ninguém ri junto. Choro também aproxima, mas não ficaria bem alguém chorar no meio do dia. O que acontece com essa gente?
Comecei a sofrer de excesso de palavras contidas, a qualquer momento eu gritaria na cara delas ou faria uma revelação polêmica. Por enquanto, diminuía cada vez mais as interações. Até que acharam pistas sobre o desaparecimento da Madeleine. Meu Deus, Madeleine poderia estar morta! E os pais de Madeleine? Coitados! Acham que Madeleine pode ter sido assassinada no quarto do hotel! Não aguentei. Desde que a garotinha desapareceu em maio em Portugal eu acompanho a busca por Madeleine nos jornais. Interrompi o silêncio. Anunciei que os pais mataram Madeleine. As cabeças não se moveram, veio só uma voz: "Não está confirmado ainda. Existem outras pistas". Uau, 7 palavras! Recorde.
É por isso que as pessoas escrevem diários. Eca, imagina os diários dessa gente.
5.8.07
Amil Resgate
I am an island. I'm bloody Ibiza!
Dias em que só Little Miss Sunshine.
Everyone just... pretend to be normal!
Tardes em que só Friends.
Ross: You know what? I'd better pass on the game. I'm just gonna go home and think about my ex-wife and her lesbian lover.
Joey: The hell with hockey. Let's all do that.
Momentos em que só Will Ferrell.
http://www.funnyordie.com/videos/74
Pearl rules.
3.8.07
Terapia tribuneira
Sintomas: baixa auto-estima, ansiedade, tristeza, solidão.28.7.07
Sweet child o'mine
Você lembra que tinha pânico de encontrar o Ulysses Guimarães no mar de Angra depois que helicóptero dele caiu. Comentando com uma amiga, ela revela que o filho adorou o CD preto do RPM que achou: “antigamente os CDs eram enormes, né, mãe?”. E culmina nos 20 anos de Appetite for Destruction. Axl, bermuda ciclista, bandana na cabeça. Por que exatamente você guardou suas argolas douradas? Para quando a irmã mais nova aparecesse de colete e escova no cabelo, pudesse ter a indumentária completa. Você só reza - por favor não me diz que vai para a re-inauguração do Fun Club.
O DVR não pode vingar porque se os estagiários não compreenderem a gravidade de não se conseguir programar um videocassete eles serão oficialmente uma nova geração! Tudo bem as Barbies terem virado Pollys, o PS3 ter substituído a Cecizinha no Natal, mas ter que responder que sim, é verdade que o Michael Jackson era preto, aí já não dá. Finge que você sempre se comunicou por email, sempre! Ouviu falar que a bateria azul durava 6 horas ao contrário das 2 horas das verdes, mas seu celular sempre ficou ligado 24 horas, Teletrim devia ser uma parada tipo TeleSena, tá ligado? E na primeira vez em que foi aos Estados Unidos (para comprar Pringles e Juicy Fruit) não mandou um postal encantada com os telefones porque eles davam linha assim que tirávamos do gancho. Os telefones daqui é que davam linha, eram temperamentais, iam embora e não ligavam no dia seguinte! Meu Deus, será que os molequinhos te chamam de tia no sinal porque realmente te acham bem mais velha? Você sente uma taquicardia – mas já está na idade de infartar?
A Astrid entra na sala. Pela porta, não pela TV. Chegou para a reunião. Você só pensa em pedir – por favor, fala mais uma vez “na primeira posição do Disk MTV, Epic, com Faith no More". Mas fala baixo senão os estagiários vão querer saber quem é.
And if I stare too long I’ll probably break down and cry
And pray for the thunder and the rain
To quietly pass me by
24.7.07
Assim
23.7.07
19.7.07
Com muito orgulho e muito amor
Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel.
Torcia o nariz para o quiabo e a escarola. Mas torcia por hambúrguer e refrigerante.
Começou a torcer até para um time. Provavelmente, nesse dia, você descobriu que
tem gente que torce diferente de você.
Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho, escovar os dentes, estudar inglês e piano.
Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana.
Seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar palavrão. Eles também estavam torcendo para você ser bacana.
Nessas horas, você só torcia para não ter nascido".
Campanha da DPZ para a Copa de 2002.
Em Tribuneiros.com, campanha pela torcida Pan.
15.7.07
Espírito esportivo
Os organizadores da linda festa de abertura teriam alegado que os ritmistas tocariam usando playback devido a problemas de acústica no Maracanã. Para testar essa afirmação, o público vaiou o presidente Lula: em todas as Américas realmente ecoou a demonstração de carinho ao líder do país. E deu um nó na garganta.
A ginástica em equipe é no sábado à noite. Poxa, a dor de garganta não passa, melhor ficar em casa vendo TV. Se a atleta só cumpre as exigências, por mais perfeita que seja a apresentação, a nota não será muito alta. Se acrescenta elementos de bonificação e o nível de dificuldade aumenta, a nota segue o mesmo caminho. E uma dose de charme nunca é mau. Se arrisca muito, pode ganhar muito. Se arrisca pouco... Entendi.
A trilha do solo da Daiane é tão maravilhosa que quase grito gol na janela por não saber como comemorar. Penso em colocar a foto da Jade no "Vin de la Maison" da semana. Xingo o câmera que não mostrou a Daniele Hypolito pedindo para a arquibancada aplaudir o ouro americano.
Jade, Laís, Daiane e Daniele são medalha de ouro, independente da opinião dos juizes.
Amanhã tem final da Copa América, Brasil e Argentina. E final da Liga de vôlei. E final individual masculina na ginástica.
Se eu começar a cantar Viva essa energia, por favor alguém me tire da cidade até que os jogos acabem.
11.7.07
Natural born killers
Kill Bill vol. II
6.7.07
Ah, que maravilha
Droga! Por que me deixei levar pelo impulso? Quero reverter meu voto. É obrigadA. Enquanto as pessoas não tiverem o mínimo de alfabetização, não voto nisso. Não consigo retirar o voto. Escolho as outras maravilhas para anular minha participação. Voto no Alhambra, na torre Eiffel, em Machu Picchu. Besteira.
Isso me estressou. Lembro que preciso urgentemente de um sábado de sol largada na praia olhando para... bem, para a favela do Vidigal.
4.7.07
Outras notícias, no Jornal da Globo
Tem vezes em que a gente não sai do trabalho, mesmo que não esteja fisicamente lá. Para tentar me reconectar com o mundo, assisti ao Jornal Nacional:O Live Earth foi suspenso. Não ele todo, claro, a parte aqui do Rio. Não existem policiais para todo mundo – público do show, atletas do Pan e bandidos do morro do Alemão. Xuxa, D2 e Lenny Kravitz ainda não se pronunciaram.
O galã de Malhação levou uns travecos para o motel, se irritou e tentou jogá-los do carro.
As jogadoras de softbol tiraram fotos sensuais para atrair patrocínio. Posaram de camiseta e taco na mão.
Alguns outros competidores já chegaram à Vila Panamericana, escaparam ilesos ao trajeto aeroporto-Barra. A Secretaria de Segurança estuda adotar o esquema vitorioso para todos os outros visitantes do Rio: 1,1 batedor da polícia por pessoa.
No Cartoon estava passando Se liga, Ian. Ian é uma criancinha cinéfila que finge que a vida é um filme de aventura onde ele é o diretor.
30.6.07
Quando ele está aqui
Ele fala sobre as músicas da Jovem Guarda, “elas eram ingênuas. As canções, nós não”. Hehe. Eu sei, Rei, está no livro censurado. E diz que depois dessa fase veio a hora de liberar a sexualidade contida. O Rei é praticamente o Wando. Obsceno! Um homem pede “Cavalgada” e, depois da risadinha, RC manda “calma, bicho”. Se alguma daquelas senhoras jogasse uma calcinha no palco eu seria obrigada a me retirar. Começa a série “Rei para maiores” e ele canta a tal “Cavalgada”. Quem se espantou com a presença de Mc Leozinho no especial de fim de ano é bobo. Pelo que parece RC já chamava mulher de potranca desde os tempos em que elas eram uma brasa, mora? “Vou cavalgar por toda a noite/ Por uma estrada colorida/ Usar meus beijos como açoite/ E a minha mão mais atrevida.” Podemos voltar a Detalhes? Nunca pensei que o tapa que ele levou em Splish Splash fosse metáfora para um tapinha não dói. O Rei acaricia sensualmente o indefectível microfone torto e eu penso “Jesus Cristo, onde está você?”. Uma letra fala em peitos, ele faz o símbolo com as mãos. E o problema era Negro Gato? Ele canta Negro Gato e diz que a terapia fez efeito. Estou vendo. Mas acho que tinha algum verso estranho em Além do Horizonte...
Chega a tradicional distribuição de rosas. As mulheres saem correndo. Nem precisa, são milhares de buquês! Ele separa uma branca e guarda, vai beijando e entregando as outras diretamente para as felizardas, não permite que nenhuma desarvorada roube a flor de quem ele escolheu para recebê-la. Separa duas vermelhas do último buquê, dá tchau e sai.
O Rei é clássico.
29.6.07
:-((
No Minimo (2005 - 29/06/2007). Morte súbita.
Não li o adeus do Tutty Vasques. É sexta-feira, está chovendo.
Volta e meia eu tenho a sensação de que não é possível que ninguém vá tomar alguma providência.
25.6.07
Yeah, totally...
Chegaram em bando no cinema, entre outros motivos porque têm problemas de locomoção: nem pensar em ônibus, nem pensar em poder dirigir um carro. Os pais estão ocupados fazendo outras coisas. Com aquelas roupas parecem duendes, não por usarem peças coloridas e gorrinhos, mas porque os modelos não foram criados para seres daquele tamanho. As garotas têm os corpos gorduchinhos de quem ainda não chegou na fase anoréxica em que não saberão lidar com as curvas sonhadas pelas mais velhas. Vieram de uma festa junina sobre a qual comentam e continuarão comentando durante a próxima hora e meia, por acaso o mesmo tempo do filme que compraram para assistir. Penso se engoliram a Paris Hilton, não fosse a presidiária mais monossilábica do que elas.
Entre o cinema e o bar tem um pipoqueiro, um poste, uma rua com carros, um banco e mesinhas na calçada. Temo que algum dê com a cara nos obstáculos devido à visão comprometida pelos cabelos caindo nos olhos. Enquanto eles comem, elas conversam sei lá, tipo mil coisas, apoiando o peso do corpo em uma perna e intensificando a lordose/escoliose agravada pela preocupação em carregar nos ombros uma bolsa murcha já que completamente vazia.
Entramos na sala e sinto saudade dos espectadores que comem balas e esquecem de desligar o celular. Uma profusão de “shhhh” dos adultos estimula a rebeldia grupal e penso se eles são tolhidos de comunicação verbal em casa por isso precisam extravasar. Voa na cabeça de um cidadão civilizado uma almofada que o cinema deixa à disposição de crianças. Torço por sangue. O homem se controla e sua fúria acalma as criaturas. Quem aposentou os lanterninhas? Shrek Terceiro começa. Não deve ter sido um caco exclusivo dessa sessão, mas vem bem a calhar que o ogro apareça em uma high school americana. Os mini-teen não entendem as piadas, logo, não se acanham e, ai, nada a ver, falam tipo todo o tempo e alto e prevêem as cenas mais óbvias que não requerem muito, sabe, cérebro, e o gatinho é muuuito fofo.
O filme acaba e eu vou ter que ver de novo, mas pelo menos valeu o texto e a decisão de mandar meus filhos para a Suíça a partir dos dez anos.
20.6.07
Pra fazer feliz a quem?
Pensei nisso na quinta-feira, quando Lula subiu o morro."
Tutty Vasques
Vote no Cristo, mas antes leia Tribuneiros.
19.6.07
Uma brincadeira de papel
Brotam livros sobre felicidade. Não só textos de auto-ajuda, alguns autores posicionam o debate filosoficamente e esse é o caso de Darrin McMahon, professor de história na Universidade da Flórida, que relata como os ideais e a percepção mudaram ao longo dos séculos, em diferentes culturas e lugares. Quando nos séculos 17 e 18 apareceu a noção de que nossas vidas não estavam mais nas mãos dos deuses, destino, sorte, etc, o Iluminismo trouxe a idéia de que devíamos buscar mais prazeres e tentar reduzir o sofrimento. Foi aí que a coisa pesou para nosso lado: opa, se der errado eu terei sido um incompetente? Como vou fazer isso? Que angústia.
O Fantástico (esse mesmo, do Cid Moreira) fez uma matéria sobre o tema. Tanto para o Alcides, dos cafundós do Brasil, quanto para o antropólogo Roberto da Matta, felicidade envolve coisas simples como tomar uma cerveja, passa por conquistas e momentos, e só se diferencia no rebuscamento da argumentação. Da Matta explica que felicidade é um estado de equilíbrio: “O paraíso, que também seria um lugar de felicidade plena, é um lugar de estabilidade. O paraíso não muda”. Não?
O professor Darrin acrescenta que a preocupação que temos hoje com a felicidade é um luxo – nos sobra tempo para pensar sobre isso graças à longevidade e outras questões resolvidas como pragas, fome e guerras. Aproveitando meu luxuoso ócio criativo, tenho prestado atenção a um outro tipo de ciência, tentando relacionar seu prefixo a ações diárias - a paciência. Tendo a crer que é a única forma de aplacar o mal que acomete o mundo – pelo menos o meu – a ansiedade. Uma dose de fé não faz mal, e cada um acrescenta à receita o ingrediente que mais lhe agradar, mas recomendo a calma.
O pensamento parece uma coisa à toa
13.6.07
Dá uma forcinha pro santo!
O santo não se atrasa por excesso de pedidos, difícil é separá-los. Para ele mesmo, sobram poucos. “Não é o caso de terceirizar por preguiça, mas de encaminhar corretamente. Antigamente chegavam súplicas que, juro por Deus, nem Ele resolveria. A mulher era chata, feia, grudenta e já tinha escolhido o homem para casar no próximo mês porque a lipo estava marcada. Hoje não sofro mais por isso, nosso sistema encaminha a fiel para Rita de Cássia e ela tem todo um know-how em causas impossíveis assim. Confesso que aprendi um bocado com o tempo também, você não imagina a quantidade de gente que quer casar. Isso é o mais fácil, minha filha! Casar qualquer um casa porque tem é pessoa carente no mundo. Sendo essa a condição única, beleza. Santo Expedito, nem me preocupo – causas urgentes. Não é preconceito, dependendo da idade da mulher nem ela quer que o pedido passe por aqui”.
Nada tira o bom humor do santo, a não ser falar sobre a moça que primeiro o jogou pela janela. “Conversávamos muito, mas existiam outras questões a resolver e ela não quis entender, achou que era tudo minha culpa e zum, lá fui eu quarto afora pelos ares. Tinha que cair em algum lugar, é física e não religião. Caí na cabeça de um pedestre e acabou que eles se casaram. Não fui eu! O boato se espalhou e todos os dias alguém me coloca de cabeça para baixo, dentro do armário, arranca até o menino Jesus dos meus braços. Não gosto desse tipo de coisa não, deduro logo para São Gangulfo. Quase ninguém sabe, mas ele é o santo dos adultérios. Depois dele, só São Theodoro na reconciliação ou Santa Adelaide no segundo casamento. Acabam intercedendo junto a mim, mas preciso acabar com essa moda de me punir.”
Os pedidos não param de chegar e reparo que Santo Antonio encaminha um para São Longuinho. “Esse trabalha também. Não é só chave que ele acha não, tem gente que perdeu amor no mundo, deixou escapar a chance e quer uma segunda. Os pulinhos não são só de alegria, é o pagamento. Contamos com a ajuda até de São Jorge aqui, não porque em alguns casos só sendo muito guerreiro mas pelo costume catalão de presentear com livros e flores no dia dele. Acaba funcionando. Essa questão cultural ajuda muito, basta olhar ali a sala de São Valentim e Santa Catarina de Alexandria, lotadas! A verdade é que eu, minha filha, fui promovido e hoje só atendo os casos mais graves. Não os desesperados – esses esgotam a paciência de São Judas – mas aqueles que dão mais trabalho. As tais mulheres que escolhem. Inventaram de estar bem sozinhas e querem alguém que some, não complete. Além de tudo querem ser felizes! Ah, saudades de quem pedia só véu e grinalda...”
11.6.07
Cara estranho
Contrariando expectativas, saímos para a despedida uma hora antes (sem cadeiras de praia, isopor com alimentos ou kit de primeiros socorros), estacionamos o carro, entramos na Fundição Progresso sem enfrentar fila e nos posicionamos na platéia. “Será melhor ficarmos no segundo andar? Aqui está muito na frente, seremos esmagados. Não solta da minha mão, se nos perdermos o ponto de encontro é aqui”.
Esperamos o show começar, os fãs cumpriam sua parte com os uuus e palmas. A banda entrou. “Moça, olha só o que eu te escrevi”... O Camelo usava um figurino simbólico, fiquei na dúvida se de pastor ou morto do interior, mas o tamanho do terno atestava que o defunto era maior. Era Quincas Berro d’Água. Eles, os blasés, estavam anormalmente animados e simpáticos, percebi umas quatro comunicações com o público e, apesar do som de cinema dos anos 70, captei a deixa “sola, Camelo!”, e vi corridinhas da dupla através dos telões. Não que eu não conseguisse ver o palco, na ponta dos pés enxergava o cocoruto da cabeça deles mas evitava ficar assim porque, se desequilibrasse, cairia em cima do ser humano sem camisa que estava a 0,5 centímetros de mim. Estranho a Red Nose patrocinar o show do Los Hermanos, mas é acreditar nisso ou que a moda camisa listrada e barba foi substituída por cuecas de tal marca aparecendo para fora da calça. Eles seguiam - "canta para mim, qualquer coisa assim sobre você". Um ambulante tentou atravessar a multidão com um carrinho de cerveja. Desconfiei que eu estivesse no show errado. Me acalmei quando o grupo perguntou “quem é mais sentimental que eu” e os donos das cuecas Red Nose fecharam os olhos, levantaram os braços de punhos fechados e gritaram a letra. Alguns se abraçaram. Eu não chorei. "Iaiá, se eu peco é na vontade de ter um amor de verdade". Uma menina perto de mim começou a pular de maneira diferente das outras. Era uma barata que subia pelas pernas dela. "Quem te vê passar assim por mim não sabe o que é sofrer". Alguns súditos negociavam com caras não muito amáveis seu espaço na massa enquanto eu torcia para que as próximas músicas seguissem melancólicas temendo o que aconteceria se puxassem “dai-me outro viés de ilusão pois minha paixão tu não compras mais com teu olhar”.
Lembrei dos shows em que saí de alma lavada, era só mais um, eles traduzem melhor o que eu sinto do que eu mesma, diria uma fã a um jornalista. As serpentinas voaram em Todo carnaval tem seu fim. Deixa eu brincar de ser feliz em outro lugar. Percebi quando o Amarante tentou ver o público e fiz aquele sinalzinho de mais tarde nos falamos, depois eu vou praí te ver. O Jamari França foi ao camarim e, engasgado com o fora, recebeu um email do Marcelo.
“Eu sabia que você tinha entrado a trabalho mesmo contrariando o nosso pedido (...). Nós todos sabíamos que não era a hora de entrevista e a falta de educação tem muito a ver com o acordo entre a atitude e o lugar. Peço desculpas se não soube escolher as palavras com o cuidado devido (acho que disse "que perguntinha escrota?") e mando-te um beijo estalado na bochecha pra ver se cura qualquer ressaca tá?"
Para mim restou ouvir o CD em casa e guardar na lembrança o show do Morro da Urca como o último “transe coletivo”. Hasta la vista, hermanos. Com 15 mil pagantes e ingressos a 100 reais pode ser que vocês demorem a voltar. Ter e perder alguém...
7.6.07
Os poderes de Greyskull
Você pode ficar com todos os caras que te olham ou não gostar nunca de ninguém. Pode reclamar do que te incomoda ou esperar para ver se passa.Você pode guardar muito dinheiro para ter um carro zero ou andar de ônibus e ter mais sapatos do que Imelda Marcos. Pode tocar vários instrumentos ou entender sobre musica o tanto quanto o I-Tunes permite. Pode ligar para ver se volta ou acreditar que o que passou, passou. Pode saber de cor quantas calorias tem em cada alimento ou fechar a boca sempre que a calca jeans apertar. Você pode ler todos os clássicos ou os quadrinhos do jornal. Pode sair todas as noites ou dormir oito horas por dia. Pode falar com seus amigos toda hora ou deixar scraps de vez em quando. Pode viver num apartamento onde, se entrar correndo, cai pela janela ou pode ligar para seus pais avisando quando não vai dormir em casa. Pode conversar para chegar a um acordo ou desistir porque não vale a pena.
Você não pode não lembrar do que queria quando era pequeno, não pode não saber se quem te importa está bem, não pode não conhecer o lugar com o qual sempre sonhou, não pode não dar uma chance se há uma pequena possibilidade de funcionar, não pode não saber quais musicas e filmes te fazem chorar e quais te fazem feliz, não pode não descobrir por que está se sentindo mal há tanto tempo, não pode não ter algo só seu, não pode não ter alguém com quem contar e não pode não ter um motivo qualquer para continuar.
Você não pode um dia acordar e ver que não se lembra como tudo ficou assim. Pelo menos não deve.
publicado em Seu Martin 1a encarnação.
3.6.07
Sau-dá-dji
Publicaram esse estudo, quais as palavras mais difíceis de serem traduzidas. No dialeto tshibula, Ilunga é a pessoa que está disposta a perdoar maus-tratos pela primeira vez, a tolerar o mesmo pela segunda vez, mas nunca pela terceira. Tem palavra para isso. E gente ilunga. Em ídiche, Shlimazl é uma pessoa cronicamente azarada. Não é amaldiçoada, nem só azarada, é quem sempre se dá mal. A terceira da lista é a polonesa Radioukacz, nome para quem trabalhou como telegrafista nos movimentos de resistência ao domínio soviético nos países da Cortina de Ferro. Ahn?
Saudade é a sétima palavra. A dor da ausência. Saudade dói. Você não está mais aqui. Show de bola, ferrocarril, gostoso, sambinha, o dia vai nascer de novo e você não está mais aqui. Quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue*, dá saudade. Quando fica lá longe. Quando não é desejo de voltar, mas a vontade de que pudesse estar aqui. Fico eu com essa lista de assuntos para falar e se você estivesse aqui possivelmente eu nem me obrigaria a começar. Ainda não perguntei tudo e esqueci de contar algumas histórias. Será que esqueci de vivê-las a dois ou foi o tempo que esqueceu de demorar mais para que elas pudessem existir? Você gosta? O que você acha? Você vai comigo? Nos vemos depois? Não tem ninguém e eu aqui Pochemuchka, que em russo é quem faz perguntas demais.
Quando não apertam as lembranças mas sim o que ainda está por vir e quero aproveitá-lo logo, dá saudade. Em árabe, Altahmam é um tipo de tristeza profunda, quem sabe igual a saudade! Quem disse que saudade é bonito não viu que acenderam a luz, as cadeiras estão sobre as mesas e não toca mais música. Quando eu queria só mais um pouquinho. Quando "como foi bom"! Mas não tem mais. Pode ter em outra hora, mas não agora. Agora, é vazio.
Quem se importa com o nome do telegrafista?
Será que saudade só tem aqui?
2.6.07
Ligue os pontinhos
Nessa semana Steve Apple Jobs e Bill Microsoft Gates se encontraram em um debate sobre tecnologia, e eu não estava lá. Junto com os meninos do Google eles mudaram a minha vida, e deveríamos ser mais próximos.Nas alfinetadas civilizadas falaram sobre a campanha Get a Mac, onde Mac e PC conversam sobre funcionalidades e diferenças. A cara do Bill Gates quando Steve Jobs disse que a idéia não é ser maldoso, mas que os dois personagens gostem um do outro, foi impagável. Os textos são brilhantes! (como cobaia do Windows Vista, às vezes rio para não chorar. Ok, vou comprar mais memória) Ele parecia pensar – ‘tudo bem, ponto para você. Me aguarde”. Os dois ali, calça jeans, milhões no bolso, I’m the king of the world, personalizam a idéia de que ter um adversário que te provoca uma risada e um ok, vamos lá, vou fazer melhor, pode ser o sonho de qualquer ser cerebrado. Desafios e admiração mútua.
Há cerca de dois anos Jobs discursou para os alunos de Stanford. “Isso é o mais perto que já cheguei de uma formatura”. Ele largou a faculdade aos 17 anos, em uma história que começou quando nasceu. O casal que deveria adotá-lo desistiu na hora H, e sua mãe biológica só aceitou os novos pais porque eles prometeram mandar o garoto à faculdade. Eram os segundos na lista e receberam a ligação no meio da noite: “Temos um menino inesperado, querem ficar com ele?”
Anos depois, a faculdade de Steve custava todo o dinheiro que os pais juntaram na vida, e ele não tinha a menor idéia do que queria fazer. Decidiu sair e confiar que tudo correria bem. “Foi bastante assustador na época, mas olhando para trás vejo que foi uma das minhas melhores decisões”. Porque ele ficava vagando pelo campus e dormindo no quarto de amigos, resolveu cursar caligrafia. Dez anos depois desenvolveu a tipografia do Mac, copiada pelo Windows, e hoje eu agradeço à professora de caligrafia do garoto inesperado. “Não dá para ligar os pontos olhando para o futuro, só para o passado. Acreditar que os pontos vão se ligar vai te dar confiança para seguir seu coração, mesmo que isso te leve para um caminho diferente do previsto”.
Logo depois ele montou uma empresa na garagem. Lançou o Mac. Tinha 30 anos. Foi demitido. Visões diferentes do sócio, a diretoria escolheu o outro, o cara tinha falhado e o mundo inteiro sabia. Era como se tivesse deixado cair o bastão que recebeu. Acabou. “Devagarzinho uma coisa começou a acontecer. Tinha sido rejeitado, mas continuava apaixonado pelo que fazia.” Não é tão simples como parece lendo, e o resto é historia: ele criou a Next, que foi comprada pela Apple e hoje é o coração da empresa, criou a Pixar, maior estúdio de animação do mundo, e formou uma família. “Como em todos os assuntos do coração, você precisa descobrir o que ama para trabalhar nisso. E vai saber quando encontrar”. Precisa repetir que foi o Steve Jobs quem disse isso?
De volta ao debate em que eu não fui. “I think of most things in life as either a Bob Dylan or a Beatles song”, e citou Two of Us para definir sua relação com Bill: “You and I have memories longer than the road that stretches out ahead”.
God! E eu escrevo isso em um PC…
1.6.07
30 incertezas na mesa do bar
Filosofar é preciso em Tribuneiros.com. Porque na vida, sabe como é, só sobram motorista e trocador.
29.5.07
Sobre sapos e tubarões
Eu tenho feito algumas pesquisas na área e temo pela próxima decisão das ditas mulheres de atitude. O nível de contagem de espermatozóides nos homens caiu nos últimos 50 anos, e espermatozóides disformes ou imóveis ficaram comuns. Elas já vinham lidando com metro-sexuais, com homens cujo “problema sou eu e não você”, até homens confusos agüentaram. Agora essa? Tenho medo, eu e Regina Duarte.
Por mais que meu professor de estatística diga que pesquisas são como biquínis e mostram tudo menos o que importa, elas me permitem elaborar teorias geniais que podem salvar o mundo. E me distraem. A extinção de príncipes encantados, acabei de desvendar. Girinos defeituosos, sapos ficam sapos ad eternum. Graças às colegas tubaroas-martelo já sei que nem tudo está perdido, mas Deus queira que não precisemos chegar ao ponto de vermos sex shops se tornarem mais rentáveis do que ações da Vale.
Vamos lá, ala macho: calor afeta a morfologia dos espermatozóides, e quem vive no Rio sabe o que é o verão por aqui. Eles nadam, logo, se o homem não beber muita água, uma nova geração de girininhos terá que aprender a andar. Menos girinos, menos sapos, menos príncipes, nozes, pimentões, repolho e laticínios ajudam a vida dos espermatozóides. Se entupam disso! E há uma incompatibilidade grave: beber promove a integração, mas ao mesmo tempo a bebida é culpada pela baixa contagem das criaturinhas. Menos chopp, mais cara de pau ao natural. Se virem.
Ah, peixe rico em omega 3 também é bom para a cabeça. Do espermatozóide, querido.
24.5.07
Por mares nunca dantes navegados
Temendo que a civilidade diminuísse drasticamente, ao ouvir a frase do meu anfitrião já imaginei encontrar nas ruas da capital portuguesa uma baderna. A cidade estava em obras, era o nascimento do euro, mas tudo transcorria na maior organização. Os monumentos eram imponentes, havia castelos, arte, nem sinal dos viciados e traficantes que outrora ocuparam a cidade. Então por que ele teria dito aquilo? Porque de certa forma eu estava em casa, tão distante da rigidez britânica quanto da malandragem carioca, mas aquela gente não me olhava e exclamava “Pelé, Ronaldo!”. Me conheciam, ficavam mais felizes ao ouvir Rio de Janeiro por pensar nos cenários das novelas do que nas bundas das mulatas sambando na praia. Pela primeira vez nas minhas andanças eu não era olhada com curiosidade, mas com admiração.
O mais inusitado da viagem foi descobrir um outro lado da História, ver aquele tal de Cabral junto com Vasco da Gama e Camões às margens do rio Tejo, me sentir vasculhando capítulos dos livros que foram arrancados e nunca chegaram nas escolas brasileiras. A partir daí têm muitas passagens envolvendo deliciosos pastéis de Belém, greve de eléctricos e o imperdível Palácio da Pena, mas hoje o principal é a lembrança de um povo muito amável.
Voltei a Portugal! Estou em Estoril, e vim por mares nunca dantes navegados: cheguei via web! Fui tão bem recebida quanto da primeira vez e meu pouso por aqui é no blog Pipáterra, que me trouxe à terrinha com um carinhoso post sobre minhas palavras pecadoras nascidas ao sul do Equador. Bué fixe.
21.5.07
Help! (I love somebody)
Freud deve estar rindo do óbvio – depois de tantos anos de divã resolvo documentar essa euforia pra me convencer daqui a uma semana, talvez um pouco mais ou menos, de que talvez se possa ser feliz por mais do que alguns efêmeros instantes. Tudo por quê? Um telefonema. E dizem que crianças se satisfazem com pouco. Era só pra dizer oi, saber se estava tudo bem. Como as coisas são, estava tudo planejado para eu não atender quando você ligasse, minha única tática de resistência. Como as coisas são, sou uma péssima estrategista.
Quando passei a encarnar xiitamente o conceito de que as coisas devem ser como queremos? Que o mundo deve se adaptar às nossas necessidades, pessoas fortes, decididas, que não se contentam com pouco, não tem medo, raciocinam em detrimento do que sentem, não se deixam levar pelas emoções apesar de reconhecê-las, o que talvez as levem a crer que, assumindo-as, possam controlá-las e modificá-las. Velha história de que o pior inimigo é aquele que não conhecemos. Sabendo o que me atinge, posso lutar contra ele. E de repente eu estava lutando contra moinhos de vento, não tinha ninguém me atacando! Isso começou quando vi o que os outros fazem para não ficarem sozinhos. Já vi gente que não fuma sair para comprar cigarros só para ter alguns minutos de paz. O problema estava em mim. (novidade).
E se agora eu não estiver a fim de ficar sozinha? (argh). É uma epidemia! E não é só isso. Para piorar, ao tocar o telefone veio a bomba. Estava meio triste antes do telefone tocar. Estou romântica? É raríssimo gostar de alguém, raríssimo encontrar outra pessoa que corresponda ao meu sentimento, que desperte admiração, respeito, que me faça querer ser melhor, mais bonita, mais inteligente, mais culta, mais sexy, caramba, muita gente nem sabe o que é essa palavra! Pronto, quer agradar Freud? Explica sexualmente. É uma questão de tesão, de aprendizagem sexual. Ufa, assim está mais tranqüilo. Sem carência, sem romance, sem cara de drogada.
Olha, estou cansada, daqui a pouco preciso trabalhar, essas idéias originárias da sua ligação oi tudo bem me tiraram o sono e preciso explicá-las cerebralmente. Tenho muito mais vontade de estar com você do que estou e ainda não acho que esteja virando uma mulher submissa. Estou ficando cega! Preciso ser interditada! A paixão é uma merda. Você se encanta com alguém e pronto, perde o controle da sua vida, seu bem estar fica à mercê de outra pessoa, é horrível, não devia ser assim. Mas é.
Ainda posso usar minha pouca resistência para não virar uma deprimida, dependente e psicótica. Até quando? Não sei. Porque nesse exato momento, dez pras cinco da madrugada, estou achando tudo lindo. Feels good, felt fucking good enquanto ouvia as suas palavras banais no telefone.
O resto resolvo daqui a pouco, quando a carência trouxer a insegurança, o ciúme e sua gangue. É sempre ela. Agora, está sendo sempre você.
18.5.07
Já leu Tribuneiros hoje?
Cadê o namorado?
Vocês não pensam em casar não?
Você vai ficar chateada se eu fizer isso?
Você pode vir no sábado terminar o trabalho?
Posso te conhecer?
Você está na fila?
O que você quer ser agora que cresceu?
Conselho gratuito de uma garota não desse tipo: o céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu.
make your own kind of music, sing your own special song even if nobody else sings along
14.5.07
Habemus dogmas
Coitado, talvez nem tenha demorado tanto por aqui, mas foi aquela visita presente demais, né? Que o diga o ministro da Saúde... E Papa é o João Paulo, fofinho. Bentoxisveí tem carinha de malvado, ex-hittleriano e cheio de opiniões, não é pop. Mas até que deu suas risadas.
Ateísmos e racionalizações à parte, é comovente ver a felicidade dos que realmente têm fé no momento em que o Papa aparece. Se os Beatles me convidassem para uma jam session eu teria reação semelhante, com a diferença de que eles não poderiam me aconselhar nem me acolher nem transmitiriam a sensação de paz que um líder espiritual passa (nesse caso eu teria que me encontrar com o Maharishi). Logo, é triste constatar que nunca saberei o que passa dentro daqueles católicos de cara com o sumo-sacerdote. Adoraria ter um sumo-sacerdote. Adoraria ter um ser superior que regesse minha vida e me apoiasse, nem que fosse para eu poder culpá-lo ou dizer “se vira aí em cima que aqui embaixo ferrou”.
Em compensação, sei que métodos anti-concepcionais são uma benção da ciência, estudos com células-tronco são um avanço indiscutível e isenção fiscal, hahaha, posso ter também? Opinião de uma excomungada destemida: a não-flexibilização da empresa Igreja para se adaptar às modificações de seu público, idéia defendida por Bentoxisveí, é um plano questionável quando se trata de marketing, e ainda mais quando envolve ideologias (que eu, pope, também imaginava superadas).
Mas, como não entendo muito de religião, sigo indo a batizados, casamentos e funerais quando convêm e separando o joio do trigo. Como o padre que sugeriu humildade, doçura e paciência na criação dos filhos. Bonitinho, super nanny. Logo depois brincou com os pequeninos que estavam ali tomando água na cabeça: “sempre batizo mais meninas do que meninos. Ou seja, rapazes, a oferta está boa para vocês”. Até tu, padre?
13.5.07
On the road
E lembrei duns versos dum poeta peruano (será Vallejo? não estou certo): “Caminante, no hay camino. Pero el camino se hace al andar”.
Caio Fernando Abreu no dia das mães.
Porque eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás
E Marisa.
11.5.07
Ela. E eu.
Mãe só tem uma porque seria impossível para nós, filhos, administrarmos mais do que isso. Ofertas especiais para o Dia Oficial do "Leva um Casaquinho" em Tribuneiros.com
7.5.07
Pinguins rubro-negros
Só que quando anoitece as pessoas gritam é campeão e eu acesso globo.com para ver se torcem para o Flamengo ou Botafogo.
A decisão vai para os pênaltis. Por aqui, Canadá e Austrália financiam profissionais graduados que queiram migrar para seu gelo ou suas praias.
Talvez eu esteja lutando por um ideal que se comprova a cada dia menos ideal. Esteja seguindo a cartilha que escrevi na infância sem me tocar que em algum momento ela deveria ter sido atualizada.
Penso se o vizinho vai se jogar da janela quando acabar de berrar Souza. Acho que Souza o deixou para comprar cigarros e nunca mais voltou. Descubro que Souza é um jogador.
30 anos é adulto, mas não aquele adulto que nem suas Barbies foram já que elas tinham 20 e poucos, o Ken, uma casa enorme e carro conversível.
O Baixo Gávea vai lotar, as pessoas vão se abraçar imundas de suor e cerveja porque pooooorraaaaaaaaaa meeeeermão.
Sarkozy é eleito presidente na França. Imagino que ele vá descobrir meus planos e criar uma lei proibindo brasileiras bipolares de pisar em Paris.
Os carros começam a deixar o Maracanã e entoam pelo caminho “Obina vai voltar”. Será uma ameaça, maldição, uma prece?
Não saber o que se quer ser quando crescer é pior quando você já cresceu. Pior quando sua angústia acusa o mundo de ser injusto justamente porque você não consegue lidar com a culpa, confunde o significado de fracasso, não entende que o futuro é como os objetos no espelho e está mais perto do que parece.
Que torcida é essa?
Sigo a massa. Algo me diz em rubro-negro que o sofrimento leva além.
Um boneco do Shrek uniformizado é sacudido junto com uma bandeira. As pessoas xingam Dodô. Mais tarde xingarão Eurico. Aproveito para xingar diversos desafetos.
Durante o verão uma garçonete na Riviera Francesa ganha mil e quatrocentos euros, e mil em estações de esqui nos Alpes durante o inverno.
Já passa da meia-noite. Uma criança com máscara de urubu é jogada para cima. Torço para que não se esqueçam de segurá-la na descida.
No último verão muitos pingüins apareceram no litoral do Rio. Disseram que eles se perderam do grupo por causa das correntes marítimas, mas pode ser que só tenham querido experimentar outra coisa.
Já passa da meia-noite e meia. Outra criança fuma um baseado do tamanho das faixas vermelho-e-pretas.
Não pretendo ganhar um Nobel, subir o Everest nem me tornar a primeira presidente da França, mas depois de conseguir pagar mensalmente o aluguel e passar mais de uma semana com a mesma pessoa num mundo de quase 7 bilhões, vou correr atrás de que grande feito?
As pessoas gritam Flamengo é minha vida Flamengo é minha história. Mais tarde gritarão letras do Ultraje a Rigor. Aproveito para gritar Revoluções por Minuto.
Acho que o D2 sorri para mim. Talvez ele esteja sorrindo ininterruptamente desde as 7 da noite.
No dia seguinte descubro que um impedimento marcado errado impediu Dodô de fazer o terceiro gol do Botafogo. Ele foi expulso. Meu nome é Enéas morreu. A Virada Cultural em São Paulo viu a Praça da Sé virar uma praça de guerra.
Ô, Obina é melhor que o Eto’o. Obina é melhor que o Eto’o.
3.5.07
2.5.07
Oh yes, oh no, noooooo!
Catherine Deneuve e Susan Sarandon levaram milhares de pessoas ao cinema (na maioria homens, por que será?) para vê-las rolando na cama em Fome de Viver. Assistindo hoje à cena, meu deus, é uma piada? Aquele cabelo anos 80, parece que elas vão cantar Walk like an Egyptian ou outro hit desses. E Catherine Deneuve agressivamente gay? Desconfio...
Você olha para um pote de manteiga e pensa em sexo anal? Sim, se você for o Marlon Brando. Maria Schneider, O Ultimo Tango em Paris, muitos quilos a menos, muitas expressões intrigadas na platéia a mais. Isso é sexy? De tão parodiadas, algumas cenas antológicas acabaram passando de eróticas a risíveis: frutas, mel, venda nos olhos, Nove e Meia Semanas de Amor. Na época aumentou a venda de compotas de frutas, hoje nas sex shops elas ficam nas prateleiras das tangas de oncinha para homens?
Alguns comentários são maldosos: Titanic, Kate Winslet, Leonardo di Caprio e um carro bem pequeno. Para começar já seria difícil a Kate Winslet caber naquele banco de trás sozinha, o que leva a pensar se a batida de mão do Leo no vidro embaçado não é um pedido de socorro. Não, na hora não estava tocando Celine Dion, a coisa também não era tão ruim.
Quem viu Sex and the City vai entender essa piada de cara: você imagina o Trey, marido da Charlotte, um vulcão sexual? Ele está em uma piscina, oh babe, com uma atriz loura, sexo selvagem. Ela se debate, mexe os braços, joga o pescoço para trás, mas é tanto que parece um ataque de epilepsia ou uma brincadeirinha de maremoto! O filme é Showgirls, mas tem quem jure que essa cena era para estar em Tubarão.
Nicholas Cage e Cher em Feitiço da Lua. Paris Hilton e o namorado no vídeo caseiro. Tarcísio Meira e... calma, brincadeira! Clássicas cenas calientes volta e meia surgem na conversa – Brown Bunny, Nove Canções, Y tu mama también – mas fazer uma lista das piores cenas de sexo pode ser hilariante. O júri está à solta.
27.4.07
Kiss, kiss, kiss
Keep it Simple, Stupid!
26.4.07
Confessions on a dance floor

24.4.07
Ele vai viver sozinho
Como assim você precisa de um tempo? Não leu O Pequeno Príncipe? Tu-te-tornas-eternamente-responsavel-por-aquilo-que-cativaaaas. Não pode agora, do dia pra noite, depois de falsas promessas de que era só uma fase e que ia passar, resolver que quer parar. Você pára e eu faço o quê, releio incessantemente as coisas antigas? Logo agora que você falou que perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom. Isso era um aviso? Eu não sabia que era um aviso, achei que fosse um sinal de que essa maldita fase acabaria logo.
Vai lançar o clichê máximo de que as coisas estavam ficando muito sérias? Sim, estavam. São coisas sérias, sou eu sentimental, eu que lavei os seus lençóis sujos de tantas outras paixões. Você me conquistou, eu que estava quieta no meu canto envolvida com outros, inclusive eu não gostava de você, lembra? Implicava com seu visual desleixado, com a sua popularidade fanática, com as suas palavras difíceis para impressionar menininha da PUC, eu odiava maconheiros das casinhas e sei que você era assim.
Nessa hora você não achou que pudesse ir rápido demais, não é? Nessa hora você só se importou em falar baixinho com aquela moça que se encontrava mais nos dias em que se via só, brava escrava sã e salva de sofrer. Sempre odiei concordar com a massa, já me bastava achar Chico Buarque lindo. Com você eu relutei tanto... para quê? Para acabar assim? Quantas vezes já estive aqui, quantas vezes já passei por essa cena de olhar com cara de paisagem enquanto o coração ordena para o cérebro gritar? E, quando isso acontecia, quem estava lá para me amparar? Você estava lá quando eu precisava me descabelar na frente de um palco ou em uma pista de dança para continuar, o mesmo você que agora, ahahaha, pede um tempo. Vem dizer adeus ao que restou de quem um dia foi feliz.
Não houve desentendimento ou discordância, que piada. Não houve conversa! Você decidiu sozinho e anunciou, mas eu não concordo e não quero a sua amizade nem para jogar truco na quinta à noite. Eu quero jogar coisas em você, daquelas que as loucas jogam quando são abandonadas. Diz que isso é só marketing, que você é daquele tipo carente que não recebeu amor suficiente na infância e precisa ficar testando as pessoas. Pronto, acabou o teste, eu estou sofrendo, olha bem meu bem, agora volta atrás, eu te perdôo. Diz que vem praqui me ver e que vai chegar no último vagão. Fala alguma coisa! Não fica com essa cara barbuda me olhando.
Não quero agir civilizadamente nessa despedida Eu vou gritar que Anna Julia é a única coisa que presta e que vocês não coordenam letra e melodia. Eu vou dizer pra todo mundo que vocês são uns deprimidos dependentes de Prozac. Eu vou dizer que gosto de axé. Eu vou ouvir Jorge Vercilo. Eu vou pro lado de lá. Eu tô levando tudo de mim que é pra não ter razão pra chorar. Só peço pra que um dia se pensares em trazer-me seus olhares faça porque lhe convêm. Agora vai, cuida do teu pra que ninguém te jogue no chão e não pensa que eu fui por não te amar.
22.4.07
Resíduos
De tudo, ficou um pouco.
17.4.07
Então deita e aceita eu
16.4.07
1 colher de chá de quem-sabe-um-dia
A primeira ação foi construir uma cozinha aberta para a sala, daquelas com uma bancada que favorece a interação. Convido muita gente, inclusive minhas visitas são um pretexto para novas receitas e as novas receitas viram um pretexto para sempre receber gente. A bancada é de madeira, mas não arranha nem com minhas facas super-poderosas de fatiar peixe cru (salmonete fresco cortado fino servido com agrião crispy). Itens fundamentais: um pilão, que alterno com o triturador, ralador para as cascas de limão (que uso em tudo), vasinhos com alecrim, manjericão, orégano, tomilho e outras ervas que ainda não aprendi os nomes. Mas já aprendi que clementine é prima da tangerina. Só tenho um certo pânico de franguinhos inteiros sem cabeça, mas pico os vegetais com uma rapidez ninja. Arrancar a pele dos tomates? Menos de um minuto. Coloco-os na água quente e depois amasso os despelados junto com alho e manjericão do vasinho. Esses vão virar molho para a massa home-made, Barilla que se cuide. Farinha batida com ovos e sal, de repente amanhã até recheio com queijo Pecorino meus personal-raviólis. Boa idéia essa, hein, Jamie? Sobem os créditos – no matter who you are, won't you come into my world, like a shooting star, take this journey with me to the heart…
Esse é o efeito de, às 8 da manhã, já estar convivendo intensamente com alguém. Suas vidas se misturam. É quando as pessoas passam a conjugar na primeira do plural verbos muito pessoais como gostar e preferir. No meu caso, nós cozinhamos por horas e horas juntos todos os dias, eu e Jamie. Jamie Oliver, chef e... apresentador de TV.
Temo pela hora de revisar a série Traga Seu Marido na Coleira. Uma adestradora de cães adapta as técnicas de castigo e recompensa para fazer com que os maridos fiquem como suas mulheres querem. É sério.
12.4.07
Quadrante, sextante, pequena caixa
"Tua alma é o mundo inteiro!", dizia um dos versos dos livros sagrados.
Se criar é preciso, além de navegar: Tribuneiros.com
*Sidarta, de Herman Hesse
10.4.07
O meu féraiado
Estávamos brincando no quintal quando tivemos uma visão além do alcance, um menino fez uma reza estranha que falava sobre aquele dia e fomos parar em outra dimensão. Quando chegamos fomos recebidos pelo Cheetos Cheetara, que nos deu uma água estranha com gosto de azeitona e que os passarinhos não bebem. Ele disse que a água tornaria nossa vida mais pulsante e umas pessoas beberam até mais do que precisava.
Acho que o menino da reza era o líder da semana porque fomos obrigados a imitá-lo e pular na piscina de barriga para recarregar nossas energias. Também tínhamos que comer o tempo todo e fiquei com medo de virar um baiacu. Sem querer acabei comendo um ET porque não gosto de bertalha, mas ninguém brigou comigo. Teve uma menina que se revoltou e não quis obedecer às ordens da brincadeira então apagaram a memória dela e ela ficou sem lembranças.
Cheetos Cheetara disse que se comêssemos tudo poderíamos ir na casa de Shirley MacLaine brincar com os botos, dinossauros e até com o pau de sebo. Eu acho que ela é rica porque guarda o dinheiro debaixo dos peitos ao invés do colchão. Na casa de Shirley as coisas são engraçadas porque os pinguins parecem coelhos, mas deve ser por causa da Páscoa.
Assistimos a um vídeo com o Sargento Pincel e tivemos aula prática de dança para o grande encontro com o Líder dos Feras, que eu não entendi muito bem quem é mas parece que se repetirmos o nome dele em vão muitas vezes ele aparece. Justo na hora em que íamos para a casa de Líder dos Feras o tempo acabou porque o Bial estava usando o lado da ampulheta que passa mais rápido.
Essa foi a única parte da história que a mamãe gostou, e agora ela também carrega uma ampulheta na bolsa para os debates de relacionamento. O meu féraiado foi muito legal e se quiserem eu posso contar de novo muitas vezes para vocês entenderem bem.
5.4.07
Ao som do pancadão
Tão tranqüilão, sempre ali para quando eu chamasse. Quando eu chamasse. Não tinha uma surpresa, uma aparição de repente, uma ligação no meio da tarde, um beijo roubado, um olhar desconcertante, uma briga, tão respeitador do meu espaço. Sobrou tanto espaço, e aí, todo latifundiário sabe como é. Em matéria de amor todos me conhecem bem! Segurança demais pode virar indiferença, tranquilidade vira tédio, tempo? Ah, tempo vira mente vazia e nessa aí a mulherada vai descendo até o chão...
“Quero seu amor só pra mim, quero te fazer bem mais feliz. Esqueça o que passou vem pra cá, deixa eu te querer deixa eu te amar”. É um tal de olhar pro céu e ver as nuvens passando, umas concordâncias revolucionárias – “Ela não me quer e não me gosta mais, eu tenho é mais é que correr atrás de alguém que me dê muito valor” - Ô lá em casa, né não, Doralice?
Não vou mais ser boba, cansei de te esperar. Conselho da minha manicure - quem não dá assistência abre concorrência. Eu arrumei um amor, ah essa é nova!
Bastou um “eu cheguei, me ajeitei no estilo Don Juan, o que posso fazer hoje, não deixo pra amanhã” para eu pensar que, para certas pessoas, as coisas não são tão complicadas. Se nem a gramática é!
Pra mim já chega, eu tô bolada. Bo-la-da. É uma coisa grave.
Agora quem não quer sou eu. Minhas novas amigas estão saindo pra zoar. Perdi muito tempo, já me decidi. Vou chutar o balde, hoje eu vou me divertir. Ouaaaa, Doralice!
O mundo dá voltas. Sai, que a fila vai andar.
Tara tataratatatara tataratatatara...
1.4.07
O amor nos tempos da solidão
Gabriel García Márquez
“Persiste em se agarrar na certeza mais absoluta de que a raça humana é capaz de sobreviver às piores catástrofes, inclusive as que ela mesma gera em seus afãs demenciais de ganância.
Continua obcecado pela fé na possibilidade de existirem outras formas de se viver – mais justas, menos absurdas, mais dignas.
Continua reivindicando, para todos aqueles que parecem condenados a cem anos de solidão, uma segunda oportunidade sobre a terra. Para os humilhados, os ofendidos, os sem-nada que erguem, em seus sonhos e esperanças, um outro mundo possível”.
Eric Nepomuceno, tradutor de diversas obras de García Márquez, sobre os 80 anos do traduzido.
29.3.07
28.3.07
Tied down to loverboy rules
I gotta have faith. Yes I-got-to-have faith, faith, faith!
26.3.07
As sem razões do amor
(...) Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim. Porque amor não se troca, não se conjuga nem se ama. Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade
22.3.07
Ne me quittes pas
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
A sua volta trás de volta minha incrível capacidade de imaginar, criar uma pessoa e distanciá-la cada vez mais da realidade porque minhas criações são, quase sempre, muito melhores do que o ponto de onde partiram. Das minhas criações você foi a mais verossímil.
Esquecer os tempos dos mal-entendidos
E os tempos perdidos
Tentando saber como
Esquecer as horas
Que as vezes mataram
Com sopros de por que
O coração de felicidade
Ne me quitte pas
21.3.07
Strawberry fields forever
O que aconteceu é que nunca mais sonhei com torta cheia de doce de leite besuntando os moranguinhos, nunca mais fiquei esperando pelo início dos Festivais do Morango das docerias, inclusive eles perderam um pouco o sentido. Até caipirinha tenho pedido de uva. Daqui a pouco enjôo e passo para outra fruta, qualquer uma, a qualquer hora. Vou olhar aquele monte de frutinhas disponíveis o tempo todo, aí bebo a que me der na telha no dia, ando mesmo querendo mudar de bebida, experimentar um licor de limão feito no Mediterrâneo.
Não sei, mas acho que os morangos deviam se valorizar. Convivem tanto com as pessoas, podiam tomá-las como exemplo...
18.3.07
Oferta especial
No filme têm umas opções, não precisa marcar não, acho que basta pensar no que eles vão mostrar mesmo. Se perder o Fantástico, assiste aqui. Vê lá, hein, isso pode dar problema, não é tranqüilo assim não. Se goiaba com queijo te fizer feliz, beleza, mas se for algo mais complexo, ih, aí pode dar trabalho.
A lua, a praia, a rua, uma dança, chocolate, acordar tarde, arroz com feijão, matar a saudade, a casa, os sonhos, dormir na rede, ler, ficar à toa, viver um romance, uma conversa boa, cafuné, parque, chafariz, um choro, esquecer o tempo, um som, a pessoa ou o lugar, comer morango com a mão, colocar açúcar no abacate, cuspir semente de melancia, comida caseira, cheiro de cebola fritando, o bife e a batatinha, um doce ou um desejo, passar azeite no pão, namorar a noite inteira, um filme, brindar à toa, um dia normal que vira uma noite especial.
Taí, várias dessas coisas me fazem feliz. E muitas estão à venda no Pão de Açúcar. Falei que isso é a nova campanha publicitária do Pão de Açúcar? Pois é. Gente me faz feliz. Faz infeliz também, mas faz feliz. Essa coisa dos sonhos, abraço, beijo, conquistas. Beijo é conquista, né? Às vezes é uma bobeira de conquista, mais mérito da vodka do que seu, mas quando é mérito seu, nossa, faz muito feliz. Risada. Nem sempre risada é conseqüência de felicidade, pode acontecer no meio de uma tristeza, mas mesmo assim risada é bom. É como Tylenol – Tylenol não faz feliz porque é sinal que existe uma dor, mas aliviar uma dor já dá uma felicidade... Vento do mar, música boa e sapato que não machuca são grandes provocadores de felicidade. Avião que sai na hora! Álbum de fotos. Ih, álbum de fotos pode deixar triste. Mas então é porque já fez feliz. Mas sabe o que me faz feliz mesmo? Paz. Será que vende no açougue ou na parte de enlatados?
17.3.07
Águas de Março (letra e música: Al Gore)
Ahhhhh o verão! Dizem que é a estação da perdição porque é no verão que você faz tudo aquilo que vai contar para os seus netos, bisnetos e tataranetos um dia, quando lembrar que mesmo antes do aquecimento global a coisa já era bem quente.Dormir de cueca, dormir de calcinha, é só no verão que você precisa economizar na conta de luz mais do que ser sexy.
Viajar para a montanha, para a cachoeira, para o balneário ou qualquer lugar só porque é mais fresquinho que o Rio, é só no verão. É no verão que o ódio ao trânsito floresce e o amor à preguiça, amor ao sol ou até mesmo o amor a uma sirigaita fica platônico porque está quente demais para relaxar, torrar na praia, qualquer um fica suando que nem um porco quando vai falar com a sirigaita e nem é de nervoso. Mas isso passa, seja otimista rapaz, é verão! As pessoas estão bronzeadas, deixa para se preocupar com as manchas na pele no inverno quando estiver com a cabeça fria.
Vai contar o que para os seus netos? Que ficava se abanando com o que tivesse na mão? Não! Que achava até bom a fila da Caixa Econômica demorar porque lá é fresquinho, que assistiu a todos os filmes em cartaz para aproveitar o frio do cinema, que os lounges do Shopping Leblon são ótimos porque têm sofás confortáveis e ar-condicionado, perfeito para ler em paz. Tomar banho e sair melado, pressão baixa, insolação, comprar garrafinha d´água só para jogar no rosto, essas coisas que a gente só faz no verão.
Ah o verão! Quando viu a propaganda esqueceu como era o maçarico por aqui, né, José Mané? O verão está acabando agora e está chovendo… viva o outono.
Yeah yeah.
13.3.07
Criptonita
Se você estivesse aqui eu não ficaria entrando em igrejas sozinha, não frequentaria palestras em centros espíritas, não leria horóscopos na esperança dos astros mudarem minha vida. Se você estivesse aqui eu não estaria descuidada, não teria o peso errado, não acharia que o supérfluo parece inútil. Se você estivesse aqui eu teria quem me tirasse da cama, alguem que me pusesse para dormir, que me acordasse dos pesadelos. Se você estivesse aqui eu estaria gargalhando das bobeiras que você causa, sorrindo nas nossas conquistas e alardeando nossos planos. Com você aqui eu saberia responder o que me perguntam, explicaria o que ninguém entende, justificaria a decisão de continuar.
Com vocâ aqui eu também choraria, mas conseguiria parar. Também temeria, mas saberia me incentivar. Se você estivesse aqui eu não estaria olhando as pessoas na rua e pensando como elas estão bem apesar de tudo. Não sentiria o mundo sobre mim. Não despertaria esse sorriso de compaixão ao confessar a sua falta e perguntar por você - Pelos poderes de Greyskul, onde está a minha força?
11.3.07
De novo. Não! Outra vez.
Alguma coisa incomodava, eu não conseguia ser louca por ele. Por mais que ele se esforçasse, que o host fosse melhor, que a fonte fosse maior, a verdade é que nunca esteve tudo maravilhosamente bem, nunca me senti 100% à vontade. É tão ruim perder alguém. Ok, alguma coisa. O antigo era tão eu, tivemos tantos bons momentos, já nos conhecíamos, crescemos juntos, parecia que ele me ajudava, eu me sentia segura lá, conquistamos coisas juntos! Seu Martin 1 não precisava acabar. Mas acabou... Esgotei o espaço dele, esgotei minha paciência de resolver, fim. É: fim. E a solução não era procurar um parecido para substituir, certamente não daria certo, aquele já era porque sempre tem um motivo qualquer para já não ser mais então o certo é bola pra frente, the show must go on, leite derramado, essas coisas. Não substituir, continuar. Mas de cabeça fria. E parece que agora dá! Sem birra, sem achar que nunca mais, sem dizer que não vai se apegar porque essas coisas de internet são todas iguais, um dia dão um bug e você perde tudo mesmo. Tem que ser infinito enquanto durar, certo? A vida imita a arte, a arte imita a vida e a web é a mesma coisa. Ainda estamos falando sobre blogs?
A primeira decisão foi instituir a paz - vamos ser bem-resolvida, se existiam coisas boas quero aqui o que der para trazer. Meus textos antigos! Sim, vou republicá-los. A segunda foi jogar tudo que soava estranho fora e começar de novo. Feng-shui. Uma vez, duas, três, quantas vezes forem necessárias para dar certo. Mas com boa-vontade, sem me enganar que está tudo bem e continuar sentindo aquele desconforto. Eu gosto de cinema, eu gosto de imagens, eu gosto de azul, eu posso fazer dele mais a minha cara. Agora está melhor. Êêêê!
Então vamos de novo. E se você já tinha se apegado àquele, lamento. Isso passa, veja o novo com bons olhos.
Seja bem-vindo.
9.3.07
Apenas mais uma de amor
Originalmente publicado no Seu Martin 1, em 03/07/06.
8.3.07
Do you need anybody?
um massagista
um guru
um homem com coragem
um bom salário
um plano de saúde
uma passagem aérea
Pontes entre os arquipélagos
Love.
All you need is love.
tribuneiros.com
Você está linda
Ali perto, nas favelas de refugiados de Darfur, as mulheres também saem de casa todos os dias – precisam buscar lenha. Os homens não podem ir porque correm o risco de serem assassinados, e elas enfrentam a campanha sistemática de estupros que aterroriza os civis. Suas vizinhas de mundo cuidam de outras casas, casas talibans onde as janelas são pintadas para que elas nunca sejam vistas. Não podem trabalhar, as que não têm marido ou parentes homens são deixadas nas ruas para esmolar ou morrer de fome, mesmo que tenham doutorado. Feliz Dia Internacional da Mulher!
51% das mulheres brasileiras são mães. Uma pesquisa sobre emprego revelou que quase 30% dos lares são atualmente chefiados por mulheres nas nossas 6 principais regiões metropolitanas. 1/3 dessas mães não são casadas. Ah, as mulheres “Sex and the City”! Não exatamente essas da pesquisa, que estão longe de ser jovens profissionais bem remuneradas e consumistas que escolheram viver sozinhas. Quase 80% dessas mulheres vivem com até 3 salários mínimos e possuem só 8,7 anos de estudo. Mas elas estão ali, comprando seus cremes Avon e sonhando com um elogio dele.
Você achando que eu ia falar sobre como mulher é forte apesar de acreditar em tudo, como sofre na depilação, chefia marido, filho, equipe e academia... Mulher é ótimo, pelo menos pode chorar em público. Porque mulher é fresca, não é? E mulher nervosa? É TPM. Ou precisa de um homem que dê um jeito nisso. Homem, aliás, é sempre a solução que eles, homens, acham para tudo que diz respeito a nós, mulheres. Mulher quer é casar, mas desse jeito, independente, não vai arrumar marido. E para eles não tem tragédia maior nas nossas vidas.
Pelo visto, ou pelo IBGE, tem. Ou será que não? Talvez essas chefes dos 30% de lares brasileiros sejam felizes de verdade. Talvez a dor nas costas passe quando o Wellingtonzinho for chamado para o time de futebol e largar essas más companhias, quando a Danyellinha conseguir o diploma, quando sortearem o cupom dela na promoção do programa da Ana Maria Braga. Mulher é um bicho complicado, mas fica feliz com pouco. Um comentário sobre o cabelo novo, por exemplo, é uma declaração de amor que vale o dia.
Talvez essas senhoras de Havaianas no pé porque é mais prático e não porque é moda se igualem às senhoras do Leblon na bem versada herança genética que as faz idolatrar os ícones do cafajestismo. E na culpa, isso sim, característica intrínseca ao universo feminino. Esse detalhe o mundo moderno ainda não resolveu. Mas deixa que elas dão um jeito. Sempre dão.
Uma orquídea para vocês, mães africanas que largam os filhos no acampamento para buscar lenha e mães cosmopolitas que largam os filhos nos sonhos de criança porque não deu tempo de tê-los. Rosa já está muito batido.
7.3.07
O problema do Coelho da Alice
Tenho uma certa dificuldade em ver horas em relógios sem número. Admito. Claro que eu sei onde estão o 12, o 3, o 6 e o 9 e isso dá uma ajuda boa, mas quando são só tracinhos ou bolinhas preciso fazer uma conta silenciosa para identificar os outros números e isso faz com que a resposta demore e o pobre sem relógio fique me olhando como se eu estivesse paralisada. Foi então que, assumindo essa falha em mim, fiz uma grande descoberta. Hoje em dia todo mundo tem celular, logo, não há no mundo conectado desculpa para alguém não saber as horas. Ou seja: só perguntam para checar se o outro também demora a responder! Ninguém sabe bem ver as horas!
Existem casos de pessoas que nunca dizem “são seis e meia” com medo de ser meio-dia e o relógio estar de cabeça para baixo. Está pensando em outras possibilidades de riscos assim? Fique calmo, já investiguei, há pouco perigo. 7h05 e 1h35, por exemplo. Se você não for muito burro, vai saber se colocou o relógio certo porque a luz é diferente nesses horários. O problema é mesmo às seis e meia e especificamente no Rio, onde o maçarico solar fica ligado das seis às nove da noite.
Ah, o Coelho da Alice? É por isso que ele vivia atrasado no País das Maravilhas! Não tinha celular. Enfim, agora a paz voltou a reinar por aqui. Meio-dia, sol a pino na cabeça. Ou sol a pino, meio-dia na cabeça, tanto faz. O que não tanto faz é o modelo do seu relógio – digital de camelô não, ok? Usa um relógio bacana. Todo mundo só vê as horas no celular mesmo...
5.3.07
Mind the gap
Esquece que só sentar levou meses? Engatinhar antes de andar causou hematomas. Não conseguir se fazer entender foi quase sufocante. Mas você seguiu dentro do esperado, maternal-colégio-faculdade, conhecido-amante-ex, estudo-estágio-emprego. Difícil foi quando acabaram as placas e a estrada deixou de ser reta. Medo-grito-choro-passos. Difícil foi a hora em que acabaram as pistas, ou foi aprender a se guiar por outras pistas. O será que é isso. O mas quem diria. Difícil foi quando deixou de ser fácil, quando você esqueceu que nunca foi fácil, ou quando percebeu que fácil é o que já foi.
Difícil é o que não te contam. Não te contam que você vai cair, e você vai, e levanta para cair de novo! Só levantam aqueles que têm quem segure, quem dê um sorriso compreensivo, pegue no colo, coloque de pé e se afaste para estimular que continue o teste, ou levantam-se todos porque é assim que fomos programados? Eles estão ali, batendo as mãos na frente da criança como incentivo, mas não dizem como conseguem andar. Eles não dizem nada. Não dizem que sofrem, que está uma merda, que talvez não dê, que foi feio, que está doendo, que é ilegal, imoral, indevido, impensável, impossível mas que acontece aqui mesmo, nas tais melhores famílias. Ninguém diz e ninguém vê e ninguém progride. Poucos progridem. Como progridem?
Naquele época de passos de dinossauro e choro fácil não falavam para você sobre coragem. Que coragem é seguir para qualquer direção. Coragem é dizer não. É ver partir e recomeçar. Coragem é ser humano e fraquejar, se levantar, superação, entrega, pausa para tomar fôlego, é pedir ajuda, é assumir, delegar. Não contaram que você não teria certeza, simplesmente não teria certeza! Não contaram que você erraria, que mesmo que acertasse outro erraria e não, o mundo, esse aqui pelo menos, não é justo, e você pagaria mesmo que acertasse? Para alguns só ensinaram que alguém vai fazer, justamente esses para quem ensinaram que tem que fazer.
Não ensinaram que coragem é decisão? Mas decidir fugir não. Fugir não é uma opção, descer do trem, sair da brincadeira, Ctrl+Alt+Del, fugir é adiar. É jogar na mão dos que vão fazer, até que nessa brincadeira de batata-quente o objeto se espatife. Para estar aqui não tem jeito, você já está, dá um jeito.
Ninguém disse que seria tão difícil.
Não te contaram sobre esse enorme espaço entre o que você esperava e o que apareceu. Coragem é equilíbrio porque viver, não te contaram? é um eterno aprender a andar.
Me contaram que life is not about finding, is about creating.
2.3.07
Moleskines

28.2.07
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