12.8.10

The office

Quarta-feira. Frio. Feeling like Monday but someday I´ll be Saturday night. Escova dentes, come torrada, anda até o ônibus, desce no metrô, repara em como tem gente feia no subterrâneo carioca, anda mais, passa o crachá, liga o computador, perturba as pessoas mais legais do escritório que ainda estão com remelas nos olhos, pensa que não existe em português a palavra “inicializando” e que já era tempo da Microsoft mudá-la, coloca o celular no vibra-call para ser diferente de quem tem toques personalizados insuportáveis e compra um passeio de barco no Tahiti. É mais um presente de casamento, esses sites de cotas de lua-de-mel deveriam ser fiscalizados pelo Conar.


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Uma van passa a centímetros do seu nariz e a metade de um homem pendurado pela janela grita: “Santa Cruz?”. Na velocidade em que vinha continuou e ela pensa que se quisesse ir para Santa Cruz teria que correr pelo meio da rua e entrar no veículo em movimento tal qual Pequena Miss Sunshine. Sendo honesta confessa intimamente que isso aconteceu logo depois, no primeiro instante o pensamento foi – eu estou com cara de quem sai do Centro às oito da noite a caminho de Santa Cruz? Ainda que fosse verdade, gostaria de estar parada na calçada com jeito de quem vai tomar um drink no Fasano. A produtividade feminina nas grandes empresas subiria se nos benefícios fosse incluído um maquiador. O terceiro pensamento é reescrever os direitos humanos.


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Senhora, cuidado! Sua barriga está escorrendo entre a calça esturricada e a blusa de lycra. Pede aos garotos a seu lado para, por favor, falar um pouco menos alto? Condutor, saia. Exija treinamento para que os trens se movimentem da forma como foram planejados e não engasguem a cada duas estações – as freadas promovem um contato físico forçado entre os passageiros que viajam em pé e podem derrubar os mais frágeis, o que geraria uma cena bem engraçada no entanto incorreta. Vocês – todos – parados na porta do vagão: se não pretendem descer na próxima estação desocupem imediatamente o caminho ou os empurrarei. Senhor, sem puns. Calcula que os usuários de transporte público sofrem um problema crônico de gases na mesma proporção que motoristas com insufilm produzem muita meleca e reconhece que precisa criar a playlist “manhã” para evitar raciocínios desse tipo.
Coloca Pixies no Ipod e na chegada à Carioca a massa sobe as escadas batendo palmas e dançando à la eighties, segue pela Avenida Chile, os grupos dividem-se para caber nos elevadores do prédio e correm para suas baias pulando nas cadeiras de rodinhas.
Desliga o Ipod. A fantasia é brutalmente esmagada pela rotina assalariada.

9.8.10

26.7.10

Patchwork (vol. I)

Eu fico pensando se ali na frente vou olhar pra trás e dizer que valeu a pena. Se um dia vou contar a minha historia incentivando alguém a persistir. É difícil. Menos que isso aconteça, mais o persistir.

Ontem vi nuvens. Na verdade ontem olhei nuvens, possivelmente as vejo todos os dias a não ser que em algum dia eu nem levante os olhos de modo que caiba em cena o céu. Pensando bem, quando não saio do quarto não vejo o céu, e está aí uma boa razão para não repetir esse ato: decidi que é inadmissível uma pessoa passar todo um dia sem avistar o céu, e então levantarei da cama.
Ontem quando vi nuvens pensei que olhá-las seria uma estratégia para o pensamento estar ali. Não olhá-las imaginando formas, mas tirando fotos. De um tempo pra cá tirar fotos me obrigou a procurar detalhes e buscar pontos de vista, montar composições, é mais fácil com câmera. Win Wenders falou que há tantos anos usa óculos que se habituou a ver o mundo emoldurado. Às vezes eu vivo pensando naquilo como um texto. Tomara que seja de uma historia feliz.


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Ia se chamar pedaços. Ou vestígios? De pedaços virou uma colcha, de retalhos. Da colcha a cadeira, a lareira e o cachorro. O copo de leite, a madeira escura e o orvalho. A manhã gelada, o sol pro meio-dia e o saco de pães. A casa acordando, a mesa completa. Ponto.

Em frangalhos. O joio e o trigo. O branco do leite, do casaco novinho, da neve no parque. Branco bom. A tranqüilidade. A inspiração. A mão estendida sorriso no rosto. Essa vida se fosse minha logo mandava colorir, mas os momentos em preto e branco parecem imortalizados, historias de castelos, melancolia que não é tristeza. Retratos de um tempo feliz. Vestígios. Vestígios não doem.

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E você... será que um dia eu vou descobrir que não é nada perto da minha imaginação? Nós seremos muito felizes nas minhas histórias. Até... .

18.7.10

As preparadas (ou "lições do Bonde para o baile todo")

Quantas horas por dia você faz ginástica?, ele perguntou. Não são bem horas por dia, eu teria que fazer um cálculo para dividir duas vezes irregulares por semana por sete dias inteiros para achar o inexpressivo decimal que representa minha ocupação de tempo com exercícios físicos. E trabalho? Leitura, cinema, amigos? Aparentemente estava comprovado que eu não sei dizer adeus porque passo meus dias fazendo nada. Lamentável. Ele não considerou as horas na terapia, naquela filosofia tempo gasto falando sobre o assunto não é considerado “ocupar a mente com outras coisas”.

Masculinamente diagnosticado, meu problema era “inventar problema”. Não há mensagens ocultas por trás de Crepúsculo nem Woody Allen é um bom parâmetro, as musicas não dizem o que eu sinto - como os hipocondríacos sou eu que começo a sentir o que dizem as letras - ninguém insinuou nada quando perguntou como eu estava, isso é parte das normas de educação ocidental, “vai pegar alguém”, prescreveu.

Como no universo de seres aparentemente tão parecidos comigo a solução para uma gigantesca disfunção amorosa pode ser “vai-pegar-alguém”? E meu histórico familiar? Instinto de defesa, necessidade de auto-suficiência, programação cerebral constituída há mais de três décadas? Ele sugeriu trocar a meia-calça fashion por um jeans que aperta até meu útero e “partir pra night”. Maquiagem não faria mal, eu pareceria "menos chata".

Eu pensando que me desconectar do problema sem perder a ligação comigo mesma para tudo voltar ao lugar – ou ir pra lá pela primeira vez – indicava que viver havia se tornado tão complexo que a matrícula em uma aula de respiração seria o primeiro passo para a cura. “Depois alguém gosta de você como você é, primeiro deixa nego te chamar de gostosa”.

E foi nessa hora que Simone espichou os olhos do livro e sussurrou pra mim: "vai que é tua, Taffarel".

De Beauvoir. Simone de Beauvoir.

12.7.10

Saudade, amor, que saudade

Chamei de saudade instalada, aquela que realmente é.
Não é a falta cotidiana, o não estar mais, é o nunca. O não estar e reticências (porque saber se é um ponto final não temos como, mas sempre parece).
Tem a saudade do não saber cadê, diferente dessa saudade do vão. É a saudade birrenta, do lugar vazio no carro, não tocar do telefone, mas a que dói mesmo é a do não abraço, do não sorriso cúmplice, do não carinho no cabelo. Parece maior. Pior. Não é a saudade que bate o pé, é a que suspira.
Tem a saudade antecipada, quando você realiza o quanto é feliz, mas entende que vai mudar. É quando já dá para ver o fim da linha, bola pra frente, e você saboreia cada minutinho restante. O cãozinho já cego que não sobe mais na cama mas ainda abana o rabo quando você chega. O sussurro no escuro da madrugada - “mãe, cheguei, boa noite” – que na casa nova vai virar só lembrança. O olhar registrador a caminho do aeroporto.
Tem a saudade ingênua, que adoraria não pintar o cabelo nem cuidar do marido péssimo de febre de 37 graus. Saudade daqueles tempos, ah, aquele Rio de Janeiro, Co-pa-ca-ba-na. É a saudade que diz falsamente indignada “onde já se viu?”. Que pode ser sacana – lembra da Lalinha? Hehe, Lalinha, que pedaço de mulher! E Lalinha nem nunca olhou para o saudoso.
Saudade do que nunca foi. Saudade dos ideais que a vida insistiu em provar não passarem disso.
Tem ela – se todos fossem iguais a você - a saudade bem resolvida, aquela certa nostalgia que sorri com o canto do lábio. A das fotos das férias de verão quando duravam três meses. Dos banhos de mangueira, waffle com mel e calça Fiorucci.
Tem o bichinho esperando na porta. Um par de sobrancelhas arqueadas. Braços ao redor de um travesseiro. Orvalho. Jangada a seco. Estalar da cadeira de balanço. Fim do Fantástico. Canção de marinheiro. Flor de viúva. Incompletude ou o que fica quando a gente sabe que é hora de partir.

Tem tanta saudade na vida, mas a saudade instalada é aquela que já entendeu que não adianta gritar, então chora baixinho mesmo.

Saudade é o registro do amor que só pôde ir porque um dia pôde ficar.

Tribuneiros.com é o site que se despede hoje, mesmo que nunca vá pra longe de mim.

7.7.10

Ok, go


well, don't go blamin' the kids again

28.6.10

Da foto

"Está aqui, registrada em cores, a prova de que no fim do mundo tem uma possibilidade!"

Ufa, existe uma alternativa, ainda que ela desconfiasse que se precisasse ir até lá escolheria forma menos capitalista de vida. Depois de responder à brincadeira da amiga se deu conta de que, devagarzinho, voltava a ter esperança de que talvez existissem outros caminhos que levam a lugares mais perto. Ou fé, parente da esperança. Fé deve levar muitas pessoas a fins de mundo como aquele fotografado na viagem. Aquele pode ser o fim de um mundo que não serve mais para os que chegam ali e, por isso mesmo, o começo de outro diferente - possivelmente melhor pros que estavam gostando bem pouco do antigo e acreditaram que dava pra refazer.

Estava ali, em construção, uma casinha num canto qualquer da India sem nada em volta. Grama baixinha, pontas de pedras, um morro na frente, varias arvores à esquerda quase saindo de quadro, telhado verde, futura varanda, janelas de madeira e vidros e uma antena de TV via satélite. Em tom de brincadeira a amiga mostrava a ela que até nos lugares mais distantes do planeta seu ganha-pão estaria garantido! Aquela casinha lá nos cafundós lhe pareceu tão aconchegante quanto cobertor fofinho no inverno. Alguém no outro lado do mundo, por um detalhe imperceptível para os tantos turistas que passam por ali, se lembrou dela. Só aquela pessoa olharia praquela antena e pensaria naquela história. Talvez fosse isso a poção mágica, do fim do mundo veio uma pista.

Começou a cantarolar o verso que sempre lhe intrigou - tudo que a antena captar meu coração captura... E sorriu. Ela iria viver a vida ao vivo porque essa era a sua opção, e ao vivo a gente improvisa. Tudo bem.

24.6.10

Pra não dizer que não falei de Saramago

"Diz o refrão que não há bem que sempre dure nem mal que ature, o que vem assentar como uma luva no trabalho de escrita que acaba aqui e em quem o fez. Algo de bom se encontrará neste textos, e por eles, sem vaidade, me felicito, algo de mal terei feito noutros e por esse defeito me desculpo, mas só por não tê-los feito melhor, que diferentes, com perdão, não poderiam eles ser. Às despedidas sempre conveio que fossem breves. Não é isto uma ária de ópera para lhe meter agora um interminável adio, adio. Adeus, portanto. Até outro dia? Sinceramente, não creio. Comecei outro livro e quero dedicar-lhe todo o meu tempo. Já se verá porquê, se tudo correr bem."

*****
"O mais certo é ser a palavra o melhor que se pôde arranjar, a tentativa sempre frustrada para exprimir isso a que, por palavra, chamamos pensamento."

12.6.10

Uma porção de bolinhas de queijo

(Conversa de botas batidas)
Primeiro concluímos que o Leblon estava se transformando em Epcot Center. Japonês, árabe, espanhol, português, italiano, todos os povos estavam espremidos em não mais que um quarteirão, representado pela culinária um pedaço da cidade reunia todo o mundo: it’s a small world after all. Traduzido com o nome de bebidas até o lema foi copiado – “if you can dream it you can do it” é uma baboseira suicida sem fim. E como em um mini-mundo eles não poderiam faltar, identificamos imediatamente a Faixa de Gaza onde circulam livremente os terroristas, homens-bomba das origens do movimento pela libertação Hamas, a.k.a. Jamás se iluda com eles.
Tem problema não, nosso tabuleiro de War está armado em cima da mesa, vai jogando. Não temos pretensão nenhuma de conquistar o mundo, o objetivo é ter boas histórias para rir no final. No dialeto Jobi escreveu o poeta: tudo vale a pena se a alma não é pequena. Pequeno é só o orçamento desse filme com elenco reaproveitado, vambora, roteiro bom sustenta a obra.
Vou pra festa de dia dos namorados nenhuma, podem encher o Scala com dancinhas comemorativas que eu vou ver o jogo de um lugar seguro. Desculpe, slogan, “faz de conta que sou o primeiro” vai me fazer acreditar que é o único. Pfffff.... Sei lá se já fiz loucuras por amor, assumo todas as que já cometi por falta de amor próprio.
It’s time, diz a Jabulani.
Agora penso que a figura do quebra cabeça pode ser uma pintura surrealista e, se não soubermos logo, não vamos entender nada e ficar chorando porque não faz sentido. Faz assim: eu tento e te conto.

4.6.10

Glossário da Copa

Se o Beckham vai à Africa só dar apoio moral eu também posso oferecer ajuda com minha perspectiva única! Não entramos em campo, mas entendemos do negócio.
Começa o jogo aqui no Tribuneiros.

Ke Nako!

2.6.10

Lixo

Se não consigo me concentrar, essas vozes, onde foi o chão, porta, estou em pânico. Pânico. Fome porque é impossível comer, vontade de morrer. Sair correndo se tivesse força, cair no chão, por favor, me deixa ir embora, fugir pra longe daqui, desaparece. Queima esses jornais, rasga fotos, nome, menções que são mísseis. Sou engolida por um monstro gigantesco ou ferida com um punhal no meio do peito, esse maldito ponto que lateja como se tivesse prendido o dedo na porta. Não, por favor, de joelhos em súplica: não. Me sinto zonza. Não foi assim que descreveram os poetas, se existe música é trilha de terror, mil tubarões engolindo barcos a um relance da sua mão na dela. Sai! E cresce um ódio, bateria em você até me cansar e dormir. Rasgaria sua pele, exporia sua carne para mostrar um pouquinho do que corrói em mim. Se não precisasse depois acordar.

Se chorar adiantasse choraria por horas, dias, noites, gritos. Conversar, escolheria com cuidado entre todas as palavras do dicionário as que trouxessem você pra mim. Imploraria. Desenharia o tamanho do gostar e prometeria nunca te ferir. É isso? Tanta dor. Quando é bom? Se te trancasse em uma gaiola e alimentasse como meu você fugiria, eu temeria constantemente. Viveria em vigília, soldado a postos em guerra - contra quem? é em mim. Conseguisse, eu me mataria. Berraria até catapultar a parte tão infeliz. Fraca. Sem vergonha. Exterminaria cirurgicamente a sangue frio cada neurônio que reage a você nessa doença.

Engole esse choro e levanta a cabeça. Já. Não é ninguém, nada, não tem. Chega.

Não dá.

Um dia vai passar. Um novo dia.

Recolham esse trapo.

1.6.10

Thank you

De tanto acertar nos convenceram da nossa capacidade, ninguém prestou atenção ao esforço. E se baixássemos as armas? Com tanto acerto mal conhecemos o erro, não nos arrependeremos deles.
As fotografias de apartamentos pasteurizadamente decorados, quadros de Hopper, violinos cortantes. Juro que queria algumas palavras, quais são? E se por um momento elas me faltarem? Fica essa mensagem estranha, não entende como vazia, está repleta, só embaçada. Ecos em uma caverna, água gelada que nem dói. E se superarmos a anestesia?
Tem muito branco, pérola, superfícies lisas. Três goles da bebida mais cor de sangue na taça mais fina para despertar o que adormece. O que se embala com os sons dos carros cortando a larga avenida e aqui ao lado tem uma pequena rua, vou pintá-la. Como se a caixinha de música na mesa de mármore tocasse a melodia do bosque que se chama solidão. E se não tivermos medo de lobo mau?
Agora que sorriu não se esqueça de trazer as cores, respirar fundo para renovar o ar. Presta atenção. Tira o sapato, escuta o vento. Aceita, mas não desiste. Se entrega, não se entrega, permite. Esteja lá, só, lá. Naquele momento. Não tire fotos, guarde lembranças e seja capaz de recontar as histórias, desenhe em aquarelas ou grafite paredes, faça viver. Toque a pele encardida das mulheres, os enfeites que as fazem tão sagradas, as sedas e crenças, busque a força que os faz tão ingênuos. Espertas somos nós construindo fortalezas que nos trancam do lado de dentro. Faça parte. Depois me conta como querer sem se quebrar, que nunca entendi como não desejar não é morrer.
E se não for nada disso, recomece. Não se esqueça. De tanto errar perderemos o medo.
Boa viagem, aproveita o caminho. Um dia componho uma canção, um dia entenderemos tudo melhor.

Leva Alanis no Ipod.

27.5.10

How's “this” for muchness?

O assunto do email dizia algo como “velha, mas boa”.

“Durante a visita a um hospital psiquiátrico, um dos visitantes perguntou ao diretor:
- Qual é o critério pelo qual vocês decidem quem precisa ser hospitalizado aqui?
- Nós enchemos uma banheira com água e oferecemos ao doente uma colher, um copo e um balde e pedimos que a esvazie. De acordo com a forma que ele decida realizar a missão, nós decidimos se o hospitalizamos ou não.
- Entendi - disse o visitante. Uma pessoa normal usaria o balde, que é maior que o copo e a colher.
Não - respondeu o diretor - uma pessoa normal tiraria a tampa do ralo. O que o senhor prefere? Quarto particular ou enfermaria?”

E terminava com a frase “dedicado a todos que escolheram o balde”.
Danou-se. A palavra que pensei foi uma pouco mais agressiva, mas com o mesmo significado – não me encaixo nem em hospital psiquiátrico. Talvez no circo.

Eu pensei em pular na banheira. Dar uma bomba como fazíamos na piscina durante as férias de verão e depois provocar ondas até toda a água transbordar. Ainda gosto de fazer isso no terraço dos meus pais, não a bomba porque com tamanha profundidade eu quebraria o coccix, mas o maremoto: com os braços e as pernas esticadas vou e volto de uma borda à outra e com meus impulsos crio um Wet and Wild! Quando chove é mais legal, tempestade no mar revolto! Mas o normal é tirar a tampa do ralo.

Em mais uma manhã incomodamente sonolenta me arrastei para ligar a TV e assim algum barulho me manter acordada, e notei que o apresentador começou o jornal animado: “faltam quinze dias para a grande festa do futebol!”. Vi os jogadores saindo do avião, entrando no ônibus e o repórter em frente ao tapume que cobre o hotel, o piloto que tirou uma foto de dentro da cabine ao aterrissar, o ônibus não adesivado, nas ruas vizinhas ninguém circula. Como o homem pilota um vôo desses e não tira foto com os jogadores? Nenhum tinha pandeiro pra puxar um samba no caminho? Foi em 2002 ou 2006 que eles cantavam “Deixa a vida me levar”?

Lá nas férias de verão eu gostava de fazer concurso de pulos: nos jogávamos na água em pé como prego, girando como parafuso, de barriga, cambalhota, correndo de longe, no final do dia era um tal de pingar álcool nos ouvidos das crianças que não duvido que a prática tenha causado danos à nossa audição. Eu nunca mergulhei de cabeça. Não aprendi. Sempre achei lindo quem chega embalado, rasgua a água com as mãos e aparece lá do outro lado com um ar de refrescância. Eu sempre achei que não conseguiria, e parei de tentar.

O mais óbvio é tirar a tampa do ralo. Qualquer ser cerebrado pode tirar a tampa do ralo depois de arregaçar as mangas para não se molhar. Tirar a tampa é o esperado, óbvio. Sem graça pra quem acha que quando conhecemos alguém especial o mundo pára, que a felicidade é como um bode tocando violino. Quem quer de qualquer forma vibrar na Copa do Mundo então passa a seguir os convocados no Twitter, colecionar as figurinhas do álbum mesmo que todos já o tenham completado e marca uma visita-guiada ao Maracanã pra ver se isso desperta algum sentimento incontrolável que não seja medo. Quer sentir arrepios, teima que a vida é assim. Que precisamos nos afeiçoar a esses jogadores, torcer, é Copa do Mundo!

Futebol é legal por ser uma caixinha de surpresas.
Essa é velha, mas boa.

The Mad Hatter: Have I gone mad?
Alice checks Hatter's temperature.
Alice Kingsley: I'm afraid so. You're entirely bonkers. But I'll tell you a secret: all the best people are.
(Alice in Wonderland, de Tim Burton)

23.5.10

O vírus da pressão (um dedinho de prosa)


Sobre gripe suína e Lulu Santos, lá no Tribuneiros. E algumas mudanças por aqui para help me get my feet back on the ground.

30.4.10

Msg para @girino

Recorde histórico: surgimento de uma nova pessoa faz Bruna ter crise de ansiedade em menos de 4 semanas. Leia hoje no Tribuneiros.com.

28.4.10

Os Buchas

Assista aqui.

Porque eu até acredito em alma gêmea, mas morro de medo de espíritos.

19.4.10

Cartas a um girino (volume I)

Era uma vez meninas que brincavam de princesas. Um dia elas descobriram que os sapos eram bem mais legais do que os principes, e começaram até a conversar com girinos.
Abra aqui a correspondência alheia.