27.8.09

O casamento da minha melhor amiga

Lá vem a noiva toda de branco e sua amiga enxugando o seu pranto.
Ele aceitou, ele aceitou, terão mil bem-casadinhos e a madrinha vai surtar.
Já começou, já começou, ela está fazendo riminhas que CA e Pim vão publicar.

Tribuneiros.com não coube na música. Mas continua aqui.

17.8.09

Baile de máscaras

Eu menti sim. Editei a verdade a meu favor. Em um exercício de futurologia imaginei como você reagiria a todas as histórias e escolhi a que melhor me pareceu. Tenho um crédito pelo trabalho! Deveria sim ter economizado tanta especulação e sido simplesmente eu, mas garanto que foi bem mais fácil ter criado tantas hipóteses e investido em uma. Não por eu ser uma pessoa ruim, absolutamente, mas por já estar de tal forma acostumada a esse exercício que naturalmente ser é desgastante, exaustivo. Talvez você gostasse de mim sim, mas não dá. Achou que viesse aí uma explicação psicológica do motivo? Está vendo como sou surpreendente? E isso nem foi calculado, essa sou eu sendo bastante espontânea.
Ao pouco que você falou acrescentei o muito que percebi por aí e montei essa personagem, criatura bem legal, confessa. Adorável. São anos de estudo: livros, filmes, revistas, campanhas publicitárias, conversas abertas e entreouvidas, músicas, tentativas e erros de quando eu ainda arriscava, quase uma tese com extensa bibliografia! Deu em nada, não é? Só mais uma em vão.
Não foi por mal. Nunca tive a intenção malévola de enganá-lo, pelo contrário. Queria que você encontrasse tudo aquilo que sempre buscou na vida. Olha que presente! Queria ser sua mãe, a ausente que não impôs limites, sua amiga a te incentivar e dar mil motivos para rir, sua amante mais atenta, a filha desprotegida e mulher da qual se orgulhar. Acabei sendo nada, alguém que você nem sabe quem é. É ninguém, um pedaço de carne, coração dilacerado implorando atenção.
Não vou ficar muito tempo por aqui. Invento uma nova, me dá cinco minutos para retocar a maquiagem e pode chamar o público. O show tem que continuar.

10.8.09

Ligeiramente à toa

Digite 1 para promoções de fraldas.
Digite 2 para aulas de carpintaria.
Digite 3 para idéééias.
Digite 4 para a banda passar.
Digite Tribuneiros.com para tudo fazer mais sentido. Ou não.

6.8.09

He's gonna be a fry cook at Venus



John Hughes, 1950-2009. (Com uma incrível atuação no take 1986!)

31.7.09

Ligeiramente feliz

Eu estou grávida.

Corta pro flashback. Porão da casa de cultura Laura Alvim. “Não saber que camisinha estoura é como não saber que carro atropela!”. E tinha a cena da Ingrid que saiu com uma toalha na cabeça por culpa de um baseado e uma parte chatíssima onde a Maria Mariana dizia que duas simples bocas podem fazer maravilhas por duas simples almas. A gente ria quando elas diziam que o primeiro beijo tinha sido bom, mas aquela língua atrapalhava um pouco. Primeiro beijo da vida. Era bem próximo.

Eu estou grávida.

Ser surpreendida por uma gravidez aos trinta é como bater o carro na garagem? Você já relaxou, acha que domina as técnicas de baliza, em um dia ruim manobra até pensando em outras coisas, não tem mais alarmes e sinais luminosos indicando a cartela de pílulas, adultos acenando com preservativos, os homens que reclamam que aquilo atrapalha não são mais moleques querendo contar vantagem (será?). Sendo bem sincera você sabe que consegue ter um filho ainda que converse melhor com o garçom do Bracarense do que com o pediatra.

Ela está grávida.

Em homenagem ao aniversário da chegada do homem na lua ela resolveu dar seu grande passo – apesar de pequeno para a humanidade. Cancelou a prova de docinhos que faria com a irmã noiva, prendeu o cabelo besuntado de formol contrariando as recomendações da cabeleireira e saiu com ele. Um cara tão romântico, eles e o oceano Atlântico, ele não sabe quem é Bahuan, ela usa um lindo sutiã e as coisas mais sérias a gente conversa amanhã.

De repente, no amanhã, ela está grávida. Que merda.
E ele sorri. Ela chora. Chora mais ainda. Ele encosta na barriga dela onde cresce um serzinho de treze milímetros. Ele não acha bom que ela fique em lugares fechados por causa da gripe suína, mas pergunta se podem viajar nos próximos meses. Antes do sétimo ele quer que ela conheça seu país preferido.

Ela está grávida e algumas pessoas simplesmente não nasceram para o comercial de margarina. Elas escolheriam Bob Dylan para a trilha. E tudo bem.

You've gone to the finest school all right, Miss Lonely
But you know you only used to get juiced in it
And nobody's ever taught you how to live on the street
And now you're gonna have to get used to it
You said you'd never compromise

29.7.09

Quando eu estou aqui

Pra quem vai fazer as ilustrações do próximo e pra quem mais uma vez manteve os batimentos cardíacos controlados a noite toda.
Pra estopa que deve estar rodopiando de alegria e se estabacando no chão.
Pra quem, de algum lugar, acompanhou meu vinho com um whisky porque são determinadas coisas que nunca mudam.
Pra quem apesar dos tantos presentes em todas as datas devia saber que o maior deles foi o imenso carinho, e pra quem depois me levaria pra andar de bodinho.
Pra bridezilla que comportadamente ontem não ficou desenvolvendo teorias etílicas infinitas sobre qualquer coisa, e pra quem traiu o movimento punk.
Pra quem pode ouvir Lulu Santos no repeat sem traumas – o seu destino é ser star.
Pra quem, uhn, acho que engordou mais um pouco, mas a roupa de business man disfarça.
Pra quem me enganava colocando ovo no Nescau! E hoje me esclarece tanta coisa.
Pra quem ontem estaria vestida toda fofinha com os cabelos azuis (e talvez me emprestasse seus casacos de pele mesmo que não fôssemos a um baile).
Pra quem colocou um caracol na minha cabeceira para eu não me esquecer de levar a vida devagar.
Pra quem nem nas suas apostas mais altas devia imaginar que aquela coleção de livros geraria dois!
Pra quem é báááárbara.
Pra minha parceira no Jogo da Vida.
Pra quem começou essa brincadeira virtual e tornou tudo tão real.
Pra quem pinta, borda, escreve, esculpe, viaja, se muda e encanta, e para seu príncipe bem real.
Pra quem comprava de uma vez só todas as figurinhas do álbum e para suas novas figurinhas.
Pra my person, again, e isso não vai passar.
Pra meu 911, mesmo quando pede pra aguardar um momento, senhora, sua ligação é muito importante para nós.
Pra quem agora voa porque pular era pouco.
Pra dona do meu spa particular – mesmo que ele fique em SP.
Pra quem daqui a pouco volta não só a passar a mão na bunda da vida, mas a agarrar com vontade - e ainda vai ganhar a tal.
Pra quem eu sei que nunca vai faltar nosso almoço de domingo mesmo que nem se lembre mais que diabos é isso.
Pros que aprenderam que não há nada tão ruim que não possa melhorar - muito.
Pra quem talvez não fosse tão parte da família se realmente tivesse nascido nela.
Pra quem – sim – tem o mesmo sobrenome, é minha tia (como ela pode conhecer tanta gente?).
Pra quem cuida de mim mesmo perdido pelo mundo.
Pra minha roommate que gosta de gente bonita.
Pros meus mestres, com carinho. Eles ensinam que hay que endurecer sin perder la ternura jamás.
Pra quem destrói carrinhos, mas constrói amizades – e eu saí ganhando nessa!
Pra quem sabe que a vida é o resultado das nossas decisões, mas sopra um ventinho ali na praia e sempre é tempo de aprender kitesurf.
Pra quem teve batizado coletivo, mas é único.
Pra quem é muito mais bobo do que eu.
Pra quem me deu um chocolate lááá atrás.
Pra quem gira no chão porque... ah, normal, a música é boa.
Pra minha insensatez.
Pra keynote speaker dos seminários que ainda vou organizar.
Pra quem não quer the next best thing, mas the best thing ever.
Pra mãe das meninas.
Pra quem tem 13 milímetros.
Pra borboleta verde com diploma de Yale.
Pra quem elogiava tanto que me convenceu que era bom, e pra baleia da sua piscina.
Pra primeira princesa, ou Your Royal Highness.
Pros amigos que eu ganhei deles.
Pro sóbrio em Salvador.
Pros meus companheiros de aventuras.
Pra quem foi, e isso já foi tanto.
Pros que acham o Junior o melhor garçon do Jobi.
Praquele banquinho na parede que me rendeu tantas conversas, pros que conversam através dessa tela e até sem nenhum comentário.
Pra quem me deu um abraço.
Pra quem me desafiou a escrever e mostrou a medida da felicidade.
Pra quem me ensinou a ter certeza, e que reinventá-la não a transforma em dúvida.
Pra quem segue andando, e às vezes assobia feliz.

28.7.09

There's no point to any of this!
It's all just a... a random lottery of meaningless tragedy and a series of near escapes. So I take pleasure in the details. You know... a Quarter-Pounder with cheese, those are good, the sky about ten minutes before it starts to rain, the moment where your laughter become a cackle... and I, I sit back and I smoke my Camel Straights and I ride my own melt.

Reality Bites, 1994

19.7.09

As canções que eu faço para você

Pode ter sido o Rei debaixo de um temporal no Maracanã lotado ou a lembrança do receituário azul.
Quando a dor vem de algum lugar concreto, ufa, deixa vir. Se com ela vem uma vozinha amiga, parente da tal luz no fim do túnel, confia. Se traz uma torrente de lágrimas, deixa cair. Elas limpam a alma, levam embora, fazem cada sorriso ser mais bonito e cada ser ser mais humano.
Se a dor gera histórias de uma vida, são detalhes que eu conto aqui. Às vezes vou deixar você me ver chorar sorrindo.
O amor pode vir de um abraço amigo, do caso mais antigo, pode não vir como a gente queria, pode vir de um gesto inesperado, uma ligação bêbada no meio da noite, uma tarde com vinho em um vale, uma dedicatória em um livro, pode vir do outro lado do monitor. Aqui esse amor é uma canção composta por um pobre resto de esperança sentada à beira de uma estrada. Um olhar volta e meia tristonho que deixa sangrar no peito uma saudade, um sonho. Posts e posts que nos trouxeram até aqui - coisa que somente entre nós dois ficou - cicatrizes que falam em palavras que não calam o que eu não me esqueci.
Eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada (do tempo que transforma
todo amor em quase nada), mas como "quase" também é mais um detalhe eu quero levar este canto amigo a quem o necessitar. Preciso do coro de passarinhos! Quero ter um milhão de amigos pra cantar em um estádio inundado e lotado.
A felicidade pode vir em capsulas e o futuro em drágeas, mas é melhor quando vem em forma de gente mesmo que gente provoque dor. Porque quando você está aqui eu vivo momentos lindos que me fazem lembrar que com tanto sentimento deve ter algum que sirva.
Qualquer coisa que se sinta é melhor do que um receituário azul. O importante é poder compartilhar as emoções que vivi.

No dia 28 de julho nos encontraremos no Associados. Vou pedindo o chopp.

17.7.09

A few of my favorite things



An education, um roteiro de Nick Hornby. Em breve para as melhores platéias.

13.7.09

O que não tem critério nem nunca terá

Tribuneiros.com lança campanha contra a lisura!
Clique aqui para participar da homenagem a todos os pegadores que dizem que eu deveria estar na festa ao invés de ficar em casa redigindo textos. (Porque de vez em quando eles preferem jogar Wii a gastar mil reais no Baronetti).

Do para-choque

“Se um dia a vida lhe der as costas, passe a mão na bunda dela”

Paulo Cesar Pereio

7.7.09

Ctrl+Alt+Del

Todos em pé na calçada do bar. De novo.
O bar lotado. De novo.
Todos se divertindo, mesmo que preferindo estar em outro lugar. Todos adorando aquelas companhias, mas num beco escuro do peito um desejo imbecil de ter outra, e às vezes o desejo derrama e inunda. Se isso fosse um filme do Gondry a cena viraria uma piscina com todos brincando de Marco Polo.
Você pode pensar que se fosse uma obra de arte seria um quadro do Hopper, mas não. Na cidade colorida as dores não tocam blues, cantam samba, e pelo menos fica mais animado, aquele triste que a gente chama de bonito. É tão bonito que dói.
Na parede do bar o folheto de um curso que ensina a rir de si mesmo. É sério.
A música lá longe. De novo.
Todos vendo o mundo de uma redoma blindada, as pessoas em um plano etéreo. Se fossem risadas viriam do apartamento ao lado.
Você pode pensar que se eles voltassem no tempo fariam diferente, mas repetiriam.
Às vezes o mundo parece um manicômio lotado de gente com esparadrapo no coração.
Se fosse feita uma enquete no bar todos levantariam a mão.
Têm a banda calada, o tempo parado, comida no estômago, vontade de cair no sofá, pantufa e moletom, pálpebra pesando, um exército empurrando para sorrir. Sorriem. Superam. Suspiram.
Você conhece ela?
Conheço. Ela é quem eu queria ser se assim fosse ter você perto de mim.
Se fosse uma doença seria fibrilação.
Eles sabem que daqui a pouco vai aparecer alguém para deletar os itens excluídos de vez, mas antes têm que abrir espaço e a lixeira está ocupando toda a memória.
Se fosse um Mac a mensagem seria “the finder needs your attention”.
Se fosse fácil...

25.6.09

Do outro lado do Pontal

"No restaurante em frente à praia o prato executivo custa doze reais. Você senta de cara para uma vista avassaladora e paga doze reais para o garçom falar uma língua incompreensível, onde “o seu Matte é diet” parece “tomate diet”, e trazer uma travessa de comida ao invés de um simples prato. Além de gigantesco, nunca é quiche com salada. No Leblon se come quiche com salada, no Leme só sai das panelas arroz à piamontese, batata frita, bifes e outras comidas que se servem com duas colheres, uma técnica que os garçons antigos aprenderam no La Mole."

O Leme é aquele bairro que só tem 5 ruas. Vai tooooda a vida pela praia e quando esbarrar na pedra olha pra esquerda. É ali. Siga por esse caminho: tribuneiros.com

17.6.09

Samba de Galeão

Aqui tem feito 18 graus e podemos alternar as Havaianas com botas. Há um ano guardados os casacos cheiram a mofo então estou na função de separá-los por cores para lavar, o que é difícil tendo em vista que um dos meus braços foi operado (teclar com uma mão me lembra quando eu não sabia datilografar em máquina de escrever!).
Imagino que você não queira casacos, mas areia. Areia e Janot. Não tenho visto o Janot, mas me faria bem. Não tenho pisado na areia porque dizem que pode me fazer mal, mas penso que se fosse para ter problemas com o sol Deus não me colocaria nessa cidade. (Paul McCartney teria pensado nisso.)
A luz está linda nesse outono e juro que não é para disfarçar problemas no roteiro como em filme ruim, presta atenção no colorido da lagoa ao sair do túnel. É sempre quando eu suspiro por estar aqui.
Será que você tem andado por aí se despedindo, abraçando esquilos no Central Park, transformando qualquer refeição em brunch, atravessando várias vezes a ponte a pé? Será que você está fazendo planos ou se cansou de mudá-los? Tomara que não tenha perdido sua deliciosa capacidade de se entregar loucamente - a uma idéia. Ok... e ao seu marido (que eu não sou ciumenta). O bom de uma amizade é isso, a gente nunca precisa pedir o outro em casamento e ninguém se apavora pensando se queremos continuar ali. Simplesmente estamos sem medir o sempre.
Com você aqui voltaremos a mandar emails juntando pedaços das histórias confusas da noite anterior e não mais nos atualizando sobre how are we doin. Veremos bem de perto os efeitos dessa temporada longe. Não direi nada sobre as vezes em que nos lemos chorando, só que esse ano não passou rápido demais. Continuamos colecionando uarifes como se fossem toy art, nossa prateleira está cheia deles porque nosso caminho é cheio de What if, mas reagimos com menos ansiedade a essas bifurcações. Ou não.
Se me permite dar uma notícia, digo que essa vida à toa anda boa.
Como sempre.
As fases ruins passam. Também.
Pega esse avião. Vem beijar o meu Rio de Janeiro antes que um aventureiro lance mão.

8.6.09

Um chinelo velho do seu número

Se no seu céu falta raio, estrela e luar, a tampa é pequena demais para a sua panela, o pé prefere ficar descalço a viver apertado e o sol da sua praia dá câncer, leia Tribuneiros. E vá ao Jobi.

27.5.09

Soubesse escrever

Mercúrio retrógrado. Pausa para ler, ouvir música e comer bolinhas de queijo.

20.5.09

O cheiro do ralo (das aventuras de Lar, salgado lar)

Eles ensinaram detalhes dos compostos do carbono, me fizeram decorar a-ante-após-até-com-contra-de-desde-para-per-perante-sob-sub-sobre-trás, eu sei até hoje a fórmula de Baskara e esse inútil nunca me ajudou a pagar uma conta nem ninguém – ninguém! – do maternal à pós-graduação, avisou que eu teria que limpar o ralo.
São dez anos de congressos, milhas e milhas voadas para ouvir gente inteligente dizer coisas importantíssimas e nenhum palestrante jamais mostrou no Power Point: mais fundamental do que rentabilizar o conteúdo é catar os cabelos que caem no banheiro.
Eu entendo sobre cabelos, qualquer mulher entende: se não cortar de dois em dois meses aparecem pontas duplas, um pouquinho de silicone diminui o frizz, mas os danos mortais que os malditos fios que te custam uma fortuna causam no encanamento a Marie Claire não conta. Nunca li na Vogue como abrir o sifão da pia que inundou o banheiro branco decorado com vidrotil. Sei lá onde é o sifão!
Por isso acabei eu, cabelo hidratado com Alfaparf, trocentos cursos no currículo, bombeando um desentupidor no tanque enquanto meu pai, agachado com um plástico enrolado em uma mão e chave de fenda na outra, tentava eliminar o odor de fossa que acabou com minha essência comprada na Daslu Home. Com toda a paciência do mundo o homem puxava gremlings do buraco negro e pensava “se não sair uma cabeça daqui, a minha filha tem um problema capilar”. Ou “essa menina precisa de um marido”.
Amanhã tem reunião de condomínio, talvez seja uma boa idéia seduzir o vizinho.