1.11.10

Une femme (Betty Davis Eyes)

Ganhou a presidenta, ganhamos uma presidenta, eu acho presidenta uma palavra horrível e aceno com o comum de dois da escola antes que Jorge Doria e Carvalhinho ecoem no jingle horripilante porém eficaz da antiga peça. Além de não saber nem empregar o verbo vitorioso nessa primeira frase – o que não tem a menor importância porque ela também não sabe (empregar. Conjugar. Nada?), entendo pouco mais que o básico sobre política então, por favor, Bruna, encerre esse assunto e ore pelos finados.

(A teimosia) Até mesmo a sensação de que ter uma mulher no cargo político mais alto do país deveria despertar em mim um orgulho pela classe não rende parágrafo, se não me vejo representada nela é melhor acabar essa suíte de assunto rapidinho antes que comecem os desabafos de que não temos uma mulher no poder, mas um fantoche engordado (olha...) à sombra de um homem forte e isso feministamente é quase um retrocesso embaraçoso. (Fantasio que a história na Argentina seria mais interessante se Cristina tivesse matado o marido para assumir el govierno, drama carregado no tango). Arrisco dizer, crânio na mão, foco de luz na personagem sobre o palco escuro: “se não é pra ser passional, por que nascer mulher?” E deslizo tal qual creme de baunilha na pele para o cerne do tema. Strike a pose: eu elegeria Madonna minha presidente. Don’t go for a second best, babe. Express yourself.

Essas mulheres.... que por condescendência, burrice ou hábito creditam as mentiras, covardias e impulsividades como atos sem má-fé, dolo, crêem que sejam tão somente consequencias do que a falível pessoa é. Continuará sendo. Elas, a quem resta decidir como se relacionar com isso. Isso que é o amor. E o amor próprio. Elas a quem a visão de um corpo nu a seu dispor não representa o interminável sonho adolescente de tamanho e poder, mas o ingênuo delírio infantil de bem querer.

Elas que como uma ação coordenada postam estranhas mensagens de status com sentido dúbio - “eu gosto no sofá”, “preferia a cama, mas tenho gostado da mesa”, “em qualquer lugar que seja fácil” – e atiçam minha curiosidade estrogênica somente saciada pelo sussurro de quem divide um segredo maçom: “não recebeu a mensagem? Foi pra todas nós.”, e lá estava eu de novo tirando do lixo o que precipitadamente achei descartável.

Essas mulheres, sempre julgando o sexo oposto inimigo infiel por seus critérios, me confundem com sua campanha cuja estratégia passa por escrever o lugar onde cada uma gosta de deixar suas bolsas ao chegar em casa e assinam com um clamor por demonstrar como são poderosas. Se há qualquer curiosidade masculina que transcenda aquilo que eles ainda não viram me escapa a lógica de que isso possa aumentar a conscientização para o combate ao câncer de mama, e se o plano parte da idéia de que eles só prestam atenção em sexo (logo, “no mamas, no sex”?) ainda retruco que se são mamas deveriam ser conscientizadas mais mulheres, ou só posso concluir que homens causam cancer de mama, ou então as mulheres... essas mulheres em busca de libertação.

Elas tem muito pela frente, siliconadas ou não. Que vão de peito aberto. Diz a manchete que elas estão no poder.

Julgo que já posso ser loura novamente.


"... and she knows just what it takes to make a pro blush"