31.5.26

Bra-si-lei-ro, com muito or-gu-lhooo...

Salto do táxi em Copacabana e vejo pessoas com camisa do Brasil. “Ah, não, manifestação!”. Homens, mulheres, crianças, Narcisa Tamborindeguy... Lázaro Ramos? Eram torcedores indo para “o jogo”. Falavam assim como se mais explicações não fossem necessárias. Descubro que teria um amistoso da Seleção naquela tarde e o hotel onde estávamos era ponto de encontro para ida ao Maracanã. Mas o brasileiro não estava desacreditado da Copa?  

Não dá para dizer que parei de ver futebol por causa do 7X1. Foi humilhante aquilo, mas já vivi desilusões muito piores em relacionamentos e superei então não seria essa a razão do nosso término, eu e a Seleção. Também não é que ache insanidade depositar esperança em 11 homens, pessoalmente não faço isso com 1 mas há quem encare que fazer com vários seja diversificar investimento e não ampliar risco. O fato é que há tempos não sei nada sobre futebol e de repente todos ao meu redor estão concentrados no assunto.

“A maior Copa de todos os tempos”. Que eu sabia que aconteceria, acompanhei forçadamente a convocação, perguntei por que o técnico estava falando em uma língua estranha e recebi olhares estupefatos acompanhados de “ele é italiano” como se eu devesse saber. Claro que sei quem é Neymar (é o livramento da Bruna Marquezine), sei que o Vini Jr se livrou da Virginia, sei o que é impedimento (aprendi para calar quem usa isso como argumento de superioridade esportiva) e sei que a Copa vai acontecer em 3 países e #VaiTerCopa nos EUA apesar do Trump. O que descobri nesse domingo é que vai ter Copa no Brasil.

 As lojas tem vitrines em verde e amarelo, camisas e bandeiras estão em ambulantes pelas ruas, crianças até saíram das telas para montar álbum. Jogam bafo. Pais e mães pedem ajuda para montar planilhas de controle de figurinhas, amigas recém-solteiras dizem “temos que nos preparar para a Copa!”. Não entendi bem ao que se referiam, mas sorri e decidi me preparar também: fui me informar. 

Leio que Tom Brady sorteou o Brasil no Grupo C e sem confiar na sorte vinda de ex de Gisele  investigo nossas chances - os sites de apostas estimam em 97% a classificação nas eliminatórias. Vejo que mudaram o sistema de classificação. Que aumentaram o número de atletas, serão mais de 1200 em 48 seleções, não vai dar tempo de decorar essa gente toda nem se eu focar nos 40% de veteranos!  

Meus estudos não vão me salvar nas rodas de conversa do próximo mês, como vai brotar em mim uma empolgação genuína por um time que desconheço? Decido assistir ao “jogo”. Em menos de 15 minutos o Brasil leva um gol, penso nos meus sobrinhos no estádio pela primeira vez e pesquiso no Claude “métodos de conversar com crianças sobre frustração”. O locutor na TV fala tão acelerado que as batidas do meu coração começam a acompanhá-lo. Vini Jr faz um gol. Casemiro, Rayan, Paquetá, Igor Thiago, Danilo Santos, o Maracanã canta “sou brasileiro com muito orgulho com muito amor”, 6X2 e estou em pé na sala emocionada comprando a blusa de tricô verde amarela na Shopee.

Entendo que vai ter Copa. O Mundial desperta no Brasil o que de melhor nosso povo faz: festa e acreditar.