Escrevo antes de votar. Terminadas essas linhas, vou à urna registrar 13. Nem sempre foi assim – nem sempre fomos às urnas, nem sempre votei 13, tudo por aqui, há bem pouco até, era diferente. No ano em que eu nasci existiam pessoas banidas do país e presas por discordar. Seus avós não tinham o direito de escolher um representante para liderar o país. Foi o vovô quem me ensinou sobre a ditadura porque, na escola, nas pesquisas que nos passavam sobre os presidentes da República, as aulas nem falavam em golpe. Foi ele quem me contou dos cavalos nas ruas, dos amigos que sumiam da faculdade, das perseguições. Foi através da TV que aprendi sobre os Anos Rebeldes. Essa TV onde eu trabalho hoje, essa mesma. Da censura. Dos atos institucionais. Foi o cinema, os livros. As músicas.
Sabe como acontecem as mudanças?
A partir dos incômodos. Nasci com um “não é o suficiente” e por obra de tantas
antes de mim isso não tem sido uma aberração, se eu tivesse nascido um pouco
antes talvez até na fogueira tivessem me jogado. “Ai, Dinda!”. Sei o que você
vai dizer ao ler. Um dia você me perguntou se eu não queria ter filhos, como
minha irmã fez ao querer você. Eu não quis. Quis e quero tantas outras coisas e
acima de todas o que quero é poder querer. Que possamos poder.
Pedi à vovó que votasse. Porque podemos
e temos a obrigação de exercer os direitos que conquistaram para nós, através
de nós! A vovó conversava com o vovô sobre quem votar, dessa vez ela conversou
comigo. E eu vim aqui conversar com você antes de saber o resultado dessas
eleições que impactam, sim, as nossas vidas. Nunca deixe que tirem isso de você.
Saia de casa, ultrapasse os túneis,
navegue, pegue as estradas e adentre, verá um povo teu que não foge da luta.
Muito diferente do que me enganaram os livros de história. Aprendi História
adulta. Desconfie, sempre. Peça para os não detentores do poder contarem suas
versões, ouça pelas mulheres, esteja ao lado delas, as suas.
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